A Vivo confirmou que pretende encerrar a operação da rede 2G no Brasil assim que houver condições técnicas e regulatórias para isso. A declaração foi feita pelo presidente da companhia, Christian Gebara, durante a apresentação dos resultados financeiros da empresa, reforçando um movimento que já ocorre em diversos mercados internacionais.
Fim do 2G: Vivo quer desativar tecnologia o mais rápido possível
A Vivo pretende encerrar o 2G no Brasil. Saiba por que a rede continua ativa, quem depende dela e como a mudança afetará usuários e empresas.
Embora o objetivo seja acelerar a modernização da infraestrutura móvel, o desligamento ainda depende da substituição de milhões de equipamentos que continuam conectados exclusivamente à tecnologia de segunda geração.
Neste artigo, você entenderá por que o 2G ainda permanece ativo, quais setores dependem dessa rede, como a mudança pode afetar empresas e consumidores e quais são os próximos passos para o encerramento definitivo da tecnologia.
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Por que a Vivo quer desativar o 2G?

A manutenção de uma rede móvel antiga representa custos elevados para as operadoras. Além de exigir infraestrutura dedicada, o 2G ocupa faixas de frequência que poderiam ser utilizadas por tecnologias mais eficientes, como o 4G e o 5G.
Segundo Christian Gebara, a intenção da Vivo é liberar esse espectro radioelétrico para ampliar a capacidade das redes mais modernas, que concentram praticamente todo o tráfego de dados móveis dos brasileiros.
Na prática, isso significa aproveitar melhor um recurso limitado: as frequências utilizadas para transmitir o sinal celular. Quanto mais espaço disponível, maior pode ser a velocidade, estabilidade e capacidade das conexões.
O que impede o fim da rede 2G?
Apesar da baixa utilização por consumidores comuns, o 2G continua desempenhando um papel importante no mercado corporativo.
Grande parte dessa demanda vem da Internet das Coisas (IoT), conjunto de dispositivos capazes de trocar informações pela rede móvel sem intervenção humana.
Entre os equipamentos que ainda utilizam exclusivamente o 2G estão:
- rastreadores de veículos e frotas;
- medidores inteligentes de energia elétrica;
- sistemas de telemetria;
- alarmes monitorados;
- máquinas de cartão mais antigas;
- sensores industriais instalados há muitos anos.
Esses dispositivos foram projetados quando o 2G era a tecnologia predominante e, em muitos casos, não possuem compatibilidade com redes mais recentes.
Como a substituição exige troca física do equipamento, atualização de sistemas e investimentos das empresas, o desligamento precisa ocorrer de forma gradual.
O 2G ainda tem participação relevante no mercado?
Embora seja uma tecnologia considerada ultrapassada para navegação na internet, o 2G ainda mantém presença significativa no segmento empresarial.
Dados divulgados em maio mostram que a distribuição das conexões comerciais ocorre da seguinte forma:
- 4G: 64,4%;
- 5G: 23,9%;
- 2G: 6,7%;
- 3G: 5,1%.
O levantamento mostra uma situação curiosa: o 2G ainda possui participação superior ao 3G nesse mercado específico.
Isso acontece porque muitos equipamentos de Internet das Coisas priorizam baixo consumo de energia e transmissão de pequenas quantidades de dados, características que a rede GSM atende de forma satisfatória.
Consumidores comuns serão afetados?
Para a maioria dos usuários, o impacto tende a ser praticamente inexistente.
Hoje, praticamente todos os smartphones vendidos no Brasil são compatíveis com 4G, e a maior parte também funciona em redes 5G.
Quem utiliza um celular moderno continuará realizando chamadas, enviando mensagens e acessando a internet normalmente.
Os maiores desafios concentram-se nas empresas que ainda operam equipamentos antigos instalados em larga escala.
Anatel pretende reduzir a entrada de aparelhos antigos
A modernização também depende da renovação do parque de equipamentos vendidos no país.
Por isso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estuda restringir a homologação de celulares e dispositivos que funcionem apenas em redes 2G ou 3G.
Caso a medida avance, fabricantes passarão a oferecer apenas equipamentos compatíveis com tecnologias mais recentes, acelerando naturalmente a migração do mercado.
A estratégia busca evitar que novos aparelhos dependentes das redes legadas continuem entrando em circulação justamente quando as operadoras trabalham para encerrá-las.
Ainda existem aparelhos lançados com suporte apenas ao 2G?
Sim.
Mesmo com a expansão do 4G e do 5G, fabricantes continuam produzindo celulares extremamente simples e de baixo custo voltados para chamadas e mensagens.
Um exemplo recente é o Nokia 123 Shield, lançado utilizando o padrão GSM, tecnologia que opera sobre a rede 2G.
Esse tipo de produto demonstra que ainda existe demanda por dispositivos básicos, principalmente em mercados onde preço, autonomia de bateria e simplicidade são prioridades.
Como funciona o compartilhamento da rede entre Vivo e TIM
Enquanto o desligamento definitivo não acontece, as operadoras buscam reduzir despesas compartilhando parte da infraestrutura.
Vivo e TIM mantêm um acordo conhecido como RAN Sharing, modelo em que ambas dividem determinados elementos da rede móvel.
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No caso específico do 2G, a parceria vai além do compartilhamento tradicional.
Em determinadas localidades, apenas uma operadora mantém a infraestrutura GSM em funcionamento. Os clientes da outra empresa utilizam essa mesma rede, evitando que duas antenas diferentes operem simultaneamente oferecendo exatamente o mesmo serviço.
Esse modelo reduz gastos com:
- energia elétrica;
- manutenção;
- equipamentos;
- aluguel de infraestrutura;
- operação das estações rádio-base.
Além da economia, a estratégia facilita o desligamento gradual da tecnologia antiga.
O que muda quando o 2G for encerrado?
O principal benefício será a reutilização das frequências atualmente ocupadas pela rede de segunda geração.
Esse processo, conhecido no setor como refarming de espectro, permite redistribuir essas faixas para tecnologias mais modernas.
Na prática, isso pode resultar em:
- aumento da capacidade das redes móveis;
- melhor cobertura em determinadas regiões;
- maior estabilidade durante horários de pico;
- velocidades superiores para usuários de 4G e 5G;
- melhor suporte ao crescimento do consumo de dados.
Embora o usuário nem sempre perceba uma mudança imediata, a modernização ajuda a preparar a infraestrutura para o aumento contínuo da demanda por serviços móveis.
Ainda existe prazo para o desligamento?

Não.
Apesar da intenção declarada pela Vivo de encerrar o 2G o quanto antes, a empresa ainda não divulgou um cronograma oficial.
A migração depende principalmente da substituição dos equipamentos corporativos que permanecem conectados exclusivamente à tecnologia GSM, além das definições regulatórias que envolvem o setor.
Assim, o desligamento deverá ocorrer de forma escalonada, evitando impactos para empresas e serviços essenciais.
Conclusão
A decisão da Vivo reflete uma tendência natural da evolução das redes móveis. Manter o 2G em operação representa custos elevados e reduz a eficiência do uso das frequências disponíveis, que poderiam fortalecer o 4G e o 5G.
Ao mesmo tempo, milhões de dispositivos corporativos ainda dependem dessa tecnologia para operar diariamente, o que impede um desligamento imediato. Nos próximos anos, a substituição gradual desses equipamentos e as medidas da Anatel deverão acelerar essa transição, permitindo que as operadoras avancem rumo a uma infraestrutura mais moderna e preparada para o crescimento do tráfego de dados.
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