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Volta do horário de verão pode ser confirmada em agosto

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicou que o retorno do horário de verão poderá ser recomendado ainda em 2025, como forma de mitigar o déficit de capacidade de energia elétrica no Brasil.

A decisão precisa ser tomada até agosto, pois a implantação do horário de verão requer aviso prévio de três meses para ajustes no sistema e nas rotinas da população.

O alerta foi feito em meio a um cenário de crescimento da demanda e desafios para o atendimento da ponta de consumo, especialmente nas horas noturnas.

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Contexto atual do sistema elétrico brasileiro

Horário de verão Lula
Imagem: New Africa / Shutterstock.com

O panorama do Plano de Operação Energética (PEN) 2025-2029

Segundo o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, o PEN para o período 2025-2029 reforça a tendência de agravamento do déficit de potência no Sistema Interligado Nacional (SIN).

O documento avalia a geração disponível em relação à demanda prevista, apontando que, apesar do aumento da geração total, o sistema está estruturalmente fragilizado para garantir o atendimento pleno na ponta do consumo.

Crescimento da geração de energia puxada pela solar

Embora o Brasil tenha registrado um crescimento expressivo na geração de energia, esse aumento se deve principalmente à expansão da energia solar, tanto centralizada quanto distribuída.

Conforme os dados do PEN, a capacidade de mini e microgeração solar distribuída saltará de 35 GW para 64 GW entre 2025 e 2029. Já a solar centralizada deverá crescer de 16,5 GW para 24 GW, enquanto a geração eólica subirá de 32,5 GW para 36 GW.

Essa predominância da geração solar apresenta um desafio: a produção ocorre durante o dia, mas não garante a potência necessária para o período noturno, quando a demanda de energia se mantém alta.

Por que o horário de verão pode ser necessário?

Definição e impacto do horário de verão

O horário de verão é uma medida que adianta o relógio em uma hora durante o período mais quente do ano, com o objetivo de aproveitar melhor a luz natural do dia.

Isso reduz o consumo de energia elétrica no horário de pico, especialmente no início da noite, quando a demanda é maior. A adoção do horário de verão pode adicionar até 2 gigawatts (GW) de reforço ao sistema, segundo o ONS.

Déficit estrutural na capacidade de potência

O déficit de potência ocorre quando a geração disponível não é suficiente para atender a demanda máxima do sistema, principalmente nos horários de pico.

Zucarato destaca que o problema não está na oferta total de energia, que permanece elevada, mas sim na capacidade de garantir energia nos momentos de maior consumo, agravada pela dependência crescente de fontes solares que não produzem à noite.

Importância da decisão em agosto

Para que o horário de verão possa ser implementado ainda este ano, a decisão deve ser tomada com pelo menos três meses de antecedência, ou seja, até o mês de agosto.

Essa antecedência é necessária para que toda a sociedade, sistemas de transporte, empresas e serviços públicos se preparem para a mudança no horário oficial.

Medidas alternativas para evitar o colapso energético

Leilões e importação de energia

Em 2025, não houve leilão de energia, apesar da recomendação do ONS desde 2021 para que esses eventos sejam anuais.

Para tentar suprir a demanda, já foram antecipados projetos do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2021, e há uma maior utilização das termelétricas, que são fontes mais caras e poluentes, porém garantem potência constante.

Além disso, o ONS informou que poderá importar até 2,5 GW de energia de países vizinhos para auxiliar no atendimento da demanda.

Resposta da demanda e redução de carga

Outra ferramenta importante é a resposta da demanda, na qual grandes consumidores recebem compensações para reduzir seu consumo em horários de pico, ajudando a equilibrar o sistema.

Em 2024, essa medida gerou apenas 100 megawatts (MW) de economia, mas para 2025 espera-se que o volume seja maior, com contratações programadas para o mês de julho.

Impactos da expansão da energia solar no sistema elétrico

Benefícios e limitações da energia solar

A energia solar é fundamental para o crescimento da matriz energética brasileira, pois é renovável, limpa e tem custos cada vez mais competitivos.

Contudo, sua característica principal – geração concentrada no período diurno – não atende integralmente à ponta de consumo, que ocorre também no período noturno.

A necessidade de fontes complementares

Para garantir o equilíbrio do sistema, é necessário que fontes de energia complementares estejam disponíveis para suprir a demanda fora do horário de geração solar. Isso inclui hidrelétricas, térmicas e importação de energia. A falta dessas fontes pode levar a déficits e cortes programados.

Previsões para os meses mais críticos

Período mais vulnerável: outubro e novembro

Se as chuvas atrasarem novamente em 2025, os meses mais críticos para o sistema elétrico serão outubro e novembro, quando a geração hídrica, principal fonte do Brasil, tende a cair.

Nessa situação, o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) deve ser acelerado para 2026, garantindo a contratação de novas fontes de energia que supram a demanda.

Cenário para 2026 e além

Zucarato alerta que para 2025 já não há mais tempo para realizar leilões que possam impactar o ano atual. A próxima janela para contratação de potência é 2026, o que reforça a importância de medidas emergenciais como o horário de verão e a resposta da demanda.

Considerações sobre a volta do horário de verão

Impactos sociais e econômicos

O horário de verão já foi adotado no Brasil por décadas, com períodos alternados de suspensão e retomada. Além do benefício no consumo de energia, ele também impacta hábitos sociais, saúde e segurança no trânsito, sendo alvo de debates quanto à sua eficácia e aceitação.

Necessidade diante do déficit energético

Diante do cenário atual, a volta do horário de verão surge como uma alternativa de baixo custo para aliviar o sistema elétrico, ao reduzir a demanda nos horários de pico.

Caso a medida seja confirmada, os brasileiros deverão se adaptar novamente ao ajuste no relógio, contribuindo para a segurança energética do País.

O que esperar da decisão em agosto?

Horário de verão semana
Imagem: Arquivo / Agência Brasil

Avaliação final do ONS e recomendação ao governo

O ONS irá consolidar os dados da geração, consumo e condições climáticas até agosto para emitir sua recomendação final. A decisão do governo, baseada nessas informações, poderá definir a volta do horário de verão ainda em 2025.

Preparação da população e setores produtivos

Se confirmada, a medida exigirá campanhas de esclarecimento para minimizar impactos negativos e maximizar os benefícios energéticos. Empresas, escolas e serviços públicos terão tempo para se ajustar ao novo horário.

Conclusão

O Brasil enfrenta um desafio energético que pode exigir a volta do horário de verão em 2025 para garantir o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional.

O crescimento acelerado da energia solar, embora positivo para a matriz, não elimina o déficit estrutural de potência nas horas de maior consumo, especialmente à noite.

Com a decisão a ser tomada em agosto, o País poderá retomar uma medida que, embora controversa, pode ser imprescindível para evitar apagões e garantir a segurança do abastecimento elétrico.