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Nova geração desafia Wall Street: Y e Z apostam em ativos alternativos e remodelam finanças

Millennials e Geração Z deixam de lado ações e títulos tradicionais e impulsionam Argentina por ativos alternativos como criptomoedas, unicórnios e private equity.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Ativos Digitais

Os Millennials (geração Y) e a Geração Z têm abalado sua confiança nos investimentos tradicionais em ações e renda fixa, transbordando seu capital para ativos alternativos. Com preferência por criptomoedas, venture capital, private equity, imóveis, arte, collectibles e até tokens não fungíveis, essas gerações estão forçando mudanças profundas na estratégia de bancos, fintechs, gestoras e consultorias de investimento.

Vítimas de crises como a bolha das dot-com, a crise de 2008 e os choques pandêmicos, esses investidores acreditam que o tradicional portfólio 60/40 (60% em ações e 40% em títulos) já não entrega retornos acima da média.

Agora, estão dispostos a migrar para investimentos menos líquidos, mais arriscados e potencialmente mais lucrativos.

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Por que os jovens estão abandonando os ativos tradicionais?

Desconfiança no modelo 60/40

Um estudo do Bank of America (BofA) mostrou que 72% dos investidores com menos de 44 anos não acreditam que um portfólio apenas em ações e títulos produza retornos acima da média. A Geração Z começa a investir cada vez mais cedo — por volta dos 19 anos, contra 25 anos dos Millennials.

Heranças bilionárias impulsionam alocações alternativas

Estima-se que mais de US$ 100 trilhões sejam transferidos para as gerações mais novas nas próximas décadas nos EUA. Essa herança maciça alimenta a vontade de explorar ativos menos convencionais e mais alinhados com seus interesses.

Climáticas, crise e tecnologia

A pandemia, eventos econômicos e urgências como as mudanças climáticas fortaleceram o ceticismo das gerações Y e Z em relação ao sistema financeiro tradicional. Ao mesmo tempo, essas pessoas nasceram e vivem na era da tecnologia, criando afinidade com inovação e aprendizado autônomo via redes sociais.

Onde os jovens estão investindo?

investidores jovens na Nu invest
Imagem: Motortion Films / Shutterstock.com

Criptomoedas e ativos digitais

Criptoativos são o principal destaque: 94% dos Millennials e 91% da Geração Z demonstram interesse por criptomoedas, NFTs e demais instrumentos digitais. Plataformas como Binance, Coinbase e ETFs de spot cripto popularizaram o acesso.

Private equity e venture capital

O sonho de investir em unicórnios pré-IPO movimenta rumores e plataformas como Forge Global, que reduziu o investimento mínimo para US$ 5.000 — o que fez suas inscrições diárias triplicarem .

Imóveis e crowdfunding

Com imóveis tradicionais caros, surgiram adaptações como fractioned real estate e crowdfunding. Plataformas permitem investir valores pequenos em negócios e propriedades, reduzindo barreiras .

Collectibles e cultura

Modas como sneakers raros, carros clássicos, arte e outros itens colecionáveis se tornaram investimentos para cerca de 94% dos Millennials e Z. Valorizam-se tanto pela escassez quanto pela identificação cultural.

ESG e impacto

Temas de impacto ambiental, social e de governança ganharam relevância: 73% dos Millennial e Z com patrimônio >US$3 mi investem em ativos sustentáveis.

Como o mercado financeiro está se adaptando

Reformulação de produtos

Bancos privados e fintechs vêm oferecendo alternativas: o Bank of America dobrou clientes em ativos alternativos desde 2020 e adiciona 50 novos fundos por ano .

Blackstone e Apollo lançam ETFs e fundos semilíquidos abertos ao público, antes exclusivos de grandes instituições .

Consultoria híbrida entre digital e humano

Consultores oferecem serviços personalizados, combinando produtos alternativos e tradicionais, utilizando fintechs, robôs advisor e conteúdo de redes sociais — uma tendência apontada por April Rudin na Forbes .

Riscos e críticas sobre alocações alternativas

Taxas elevadas e baixa liquidez

Produtos alternativos costumam vir com taxas altas, menor transparência e pouca liquidez, o que pode prejudicar o investidor caso precise resgatar rápido.

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Sinais de alerta das instituições

A Moody’s alertou para riscos de liquidez sistêmica se produtos privados se popularizarem entre o varejo ; o JPMorgan recomenda cautela com private equity e crédito privado ; e estudos acadêmicos questionam a eficiência desses investimentos .

Pitfalls do hype e FOMO

Social media e cultura do “enriquecer rápido” nascem do FOMO — o medo de perder grandes oportunidades. Isso pode levar a decisões precipitadas.

Balanço prático para investidores

Ethereum
Imagem: Creativan / shutterstock

O que traz o futuro

A alocação de alternativos entre jovens já chega a 31 % segundo pesquisas do BofA e CAIS, enquanto para investidores mais velhos é apenas 6 %.

Mistura entre engajamento e longo prazo

Estratégias híbridas fazem sucesso: combinam investimento de impacto e especulação; sugerem 2–5% para cripto e 10–20% em alternativos, equilibrando inovação e patrimônio .

Necessidade de educação financeira

Pesquisa mostra que jovens recorrem menos a consultores tradicionais, mas 90% dos “ricos jovens” consultam alguém — humano ou robô.

Conclusão: uma nova onda de investimentos

Investimento/LCI
Imagem: Canva

As gerações Millennials e Z estão redefinindo Wall Street ao desafiar convenções e introduzir ativos alternativos — tecnologias, ideias e ativos antes inacessíveis — no portfólio pessoal.

Fintechs, bancos e gestoras respondem oferecendo produtos antes restritos. Embora atrativos, esses ativos apresentam riscos: taxas, liquidez e sustentabilidade devem ser analisados.

Com potencial de ganhos e impacto social, os jovens mostram que investir também pode ser expressão de valores. A era dos alternativos já começou e Wall Street está evoluindo para acompanhar.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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