O lendário investidor norte-americano Warren Buffett, por meio de sua empresa Berkshire Hathaway, vendeu toda a sua participação no Nubank, fintech brasileira que se tornou um dos maiores bancos digitais do mundo.
Buffett zera posição no Nubank após ganhos de 46% desde o IPO
Warren Buffett vende toda sua participação no Nubank, totalizando US$ 527 milhões. Movimento levanta debates do setor financeiro.
O movimento foi revelado no mais recente formulário 13F do quarto trimestre, enviado à SEC (a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) e analisado por especialistas de mercado.
Segundo o documento, Buffett e sua equipe liquidaram as 40,2 milhões de ações da Nu Holdings (ticker: NU), que representavam um valor estimado em US$ 527,8 milhões — cerca de R$ 3 bilhões.
A decisão, embora não acompanhada de uma justificativa pública direta, já movimenta analistas, investidores e o mercado financeiro global.
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O histórico da aposta de Buffett no Nubank

Investimento ousado em tecnologia financeira
A entrada de Buffett no Nubank ocorreu em junho de 2021, quando a Berkshire Hathaway anunciou um aporte de US$ 500 milhões na fintech.
O movimento foi considerado incomum na época, dado o perfil historicamente conservador do investidor, que costuma privilegiar empresas com modelos tradicionais, fluxo de caixa estável e longa trajetória no mercado.
No caso do Nubank, a aposta foi vista como um raro gesto de confiança nas novas tecnologias do setor bancário e na expansão da digitalização financeira na América Latina.
Crescimento da fintech após o IPO
Poucos meses depois, em dezembro de 2021, o Nubank realizou seu IPO na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), atingindo uma avaliação superior a US$ 40 bilhões.
A empresa ganhou projeção internacional e se consolidou como a maior fintech da América Latina, com milhões de clientes e forte presença no Brasil, México e Colômbia.
A valorização inicial das ações reforçou a narrativa de que Buffett havia feito um investimento acertado. No entanto, a partir de meados de 2022, o cenário começou a mudar.
Queda nas ações e pressão do mercado
Volatilidade do setor tech e bancário
O contexto macroeconômico global — marcado por alta da inflação, elevação dos juros nos Estados Unidos e enrijecimento das políticas monetárias — afetou drasticamente o desempenho de empresas de tecnologia e, por consequência, das fintechs.
As ações da Nu Holdings passaram a enfrentar uma sequência de quedas, atingindo mínimas históricas em 2023. Embora tenham apresentado recuperação em 2024, os papéis ainda oscilam diante da pressão regulatória no Brasil, concorrência com grandes bancos e aumento na inadimplência entre os clientes.
A venda como movimento estratégico
O formulário 13F, que reporta as movimentações da carteira da Berkshire Hathaway, mostra que a venda do Nubank não é isolada, mas parte de uma reestruturação mais ampla.
Apesar da saída do banco digital, o setor financeiro continua sendo o mais representativo da carteira da Berkshire, respondendo por quase 40% dos ativos — com grandes apostas em empresas como Bank of America, American Express e Citigroup.
O que representa a saída de Buffett do Nubank
Um sinal para o mercado?
A venda integral das ações levanta questionamentos. Para muitos analistas, Buffett pode estar sinalizando cautela com modelos de negócio ainda em consolidação, sobretudo em mercados emergentes.
“Buffett não costuma sair de uma posição sem fortes razões. Mesmo que não sejam divulgadas publicamente, há uma mensagem clara: os fundamentos do Nubank podem não ter se provado sólidos o suficiente para manter a confiança da Berkshire”, afirma Lucas Correia, analista da BlueTree Capital.
Impacto na imagem da fintech
O Nubank, apesar de continuar crescendo em base de clientes e diversificação de produtos (como seguros, investimentos e crédito pessoal), ainda não atingiu níveis de rentabilidade compatíveis com os bancos tradicionais.
A saída de um investidor do calibre de Warren Buffett pode impactar a imagem do banco digital junto ao mercado institucional e a potenciais investidores internacionais, mesmo que a empresa siga reportando crescimento em suas métricas operacionais.
Perspectivas futuras para o Nubank
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Continuidade do modelo de expansão
O Nubank tem apostado em expansão territorial e em novas soluções financeiras para manter seu crescimento. O foco em inclusão bancária, educação financeira digital e facilidade de uso ainda é o principal diferencial da empresa frente à concorrência tradicional.
Em 2024, o banco digital lançou uma plataforma de open finance, entrou no segmento de crédito imobiliário e anunciou parcerias estratégicas com redes varejistas. Internamente, a empresa também tem investido em inteligência artificial para aprimorar sua análise de crédito e prevenir fraudes.
A aposta em rentabilidade
Um dos maiores desafios para o Nubank é converter sua ampla base de clientes em lucratividade sustentável. A empresa já apresentou primeiros lucros trimestrais, mas analistas ainda aguardam sinais consistentes de que o modelo de negócios pode gerar resultados sólidos em ciclos econômicos adversos.
“Não basta crescer em usuários. O mercado quer ver margem, eficiência e previsibilidade. O Nubank já deu alguns passos, mas o caminho ainda é longo”, avalia Marina Rezende, economista da Apex Partners.
Buffett mantém foco no setor financeiro, mas em empresas sólidas

Aposta contínua em bancos tradicionais
Enquanto se desfaz do Nubank, Buffett continua reforçando posições em gigantes da velha guarda bancária. O Bank of America, por exemplo, representa mais de US$ 34 bilhões da carteira da Berkshire. O mesmo vale para a American Express, que continua sendo uma das queridinhas do investidor.
Essa tendência indica que Buffett ainda acredita no setor financeiro, mas prefere empresas com histórico comprovado, múltiplos estáveis e modelo de negócios robusto diante de crises.
Diversificação internacional
É importante lembrar que o formulário 13F não reporta investimentos internacionais. No entanto, a Berkshire Hathaway anunciou anteriormente a compra de 5% de participação em cinco grandes empresas comerciais japonesas — Itochu, Marubeni, Mitsubishi, Mitsui e Sumitomo — em agosto de 2020.
Esses investimentos mostram uma diversificação geográfica e estratégica, fugindo do padrão exclusivo de empresas norte-americanas.
Considerações finais
A saída de Warren Buffett do Nubank é mais do que uma simples movimentação de carteira. É um recado para o mercado de que, embora fintechs continuem sendo uma aposta de futuro, elas ainda precisam provar sua resiliência e rentabilidade em ciclos de maior pressão econômica.
Enquanto isso, o Nubank segue seu caminho de inovação, crescimento de base e expansão regional. Resta saber se a empresa conseguirá amadurecer seu modelo de negócios ao ponto de reconquistar não apenas o mercado, mas também investidores como Buffett, que apostam não só em inovação, mas em estabilidade a longo prazo.
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