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Ação da WEG cai apesar de balanço e projeções modestas: saiba o motivo

Ações da Weg (WEGE3) caem 8% após balanço do 2º trimestre decepcionar mercado. Veja os resultados, análises e perspectivas para a companhia.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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A Weg (WEGE3) voltou a decepcionar o mercado na divulgação dos resultados trimestrais. Apesar de registrar lucro e crescimento de receita, a fabricante de motores elétricos e equipamentos industriais não conseguiu atender às expectativas dos analistas. Como reflexo imediato, os papéis da companhia encerraram o pregão desta terça-feira (22) com queda de 8,01%, cotados a R$ 38,01, liderando as perdas do Ibovespa.

O desempenho negativo reflete não apenas os números abaixo do consenso, mas também preocupações estruturais com o crescimento da companhia nos próximos trimestres.

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Números do 2º trimestre: lucro e receita abaixo do esperado

Weg
Imagem: JomNicha/Shutterstock

Lucro líquido cresceu, mas decepcionou

No segundo trimestre de 2025, a Weg reportou lucro líquido de R$ 1,592 bilhão, o que representa um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, o mercado esperava um resultado mais robusto: a projeção da LSEG era de R$ 1,76 bilhão, o que revela uma frustração de aproximadamente 10%.

Receita líquida e Ebitda abaixo do consenso

A receita líquida somou R$ 10,21 bilhões, crescimento de 10,1% sobre o 2T24. Ainda assim, o resultado ficou bem abaixo dos R$ 11,16 bilhões estimados pelo mercado. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 2,26 bilhões — alta de 6,5%, mas inferior aos R$ 2,49 bilhões projetados pelos analistas.

Margem Ebitda surpreende positivamente

Um dos poucos pontos positivos foi a margem Ebitda, que ficou em 22,1%, levemente acima do esperado pelo Goldman Sachs (21,7%) e do consenso Bloomberg (21,8%).

Avaliações das principais instituições financeiras

XP Investimentos: alerta para desaceleração do crescimento orgânico

Para a XP Investimentos, o maior sinal de alerta está na desaceleração do crescimento orgânico da companhia. As vendas orgânicas, desconsiderando efeitos cambiais, cresceram apenas 1% na comparação anual, muito abaixo dos 5% a 7% observados em trimestres anteriores.

“Vemos a desaceleração do crescimento orgânico como a principal preocupação em relação aos resultados”, destacou a corretora.

Goldman Sachs: resultados abaixo do esperado em todas as frentes

O Goldman Sachs foi direto: Weg entregou resultados aquém do esperado em receita, Ebitda e lucro líquido. Para o banco, essa combinação deve impactar negativamente as ações no curto prazo, pressionando também as projeções de lucro do mercado.

O banco também vê impacto nas entregas de projetos de ciclo longo — especialmente na divisão de motores elétricos — por conta dos juros altos no Brasil e da instabilidade econômica global.

Itaú BBA: margens não foram suficientes

Apesar de já prever um trimestre fraco, o Itaú BBA também se surpreendeu negativamente com os números da Weg, que ficaram cerca de 6% abaixo do esperado tanto em receita quanto em Ebitda. O banco cita a desaceleração da atividade econômica e menos projetos solares como fatores cruciais.

O relatório destaca, contudo, que a alíquota do Imposto de Renda foi menor do que o previsto, o que impediu que o lucro líquido ficasse ainda mais abaixo do esperado.

JPMorgan: margens melhores, mas receitas fracas

O JPMorgan reconheceu que a Weg apresentou margens melhores que as projeções, mas a receita decepcionou. Em especial, o crescimento de apenas 1% das receitas domésticas frustrou expectativas de 13%.

Pontos positivos destacados pelo JPMorgan

  • Receita externa de US$ 1,07 bilhão (+8% ano a ano)
  • Margem bruta de 33,7%
  • Margem Ebitda de 22,1%
  • Alíquota efetiva de imposto de 16,6%

Mas o banco reforça: a combinação de receita abaixo do esperado e crescimento fraco aumenta as incertezas para o 2S25 e 2026.

Impacto da tarifa dos EUA e exposição à América do Norte

Weg
Imagem: pch.vector – Freepik

A Weg não comentou diretamente os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No entanto, a América do Norte respondeu por 48% da receita de exportação da companhia no trimestre.

O temor do mercado é que as tarifas, que entram em vigor em 1º de agosto, afetem a competitividade dos produtos da Weg naquele mercado, prejudicando ainda mais o crescimento nos próximos trimestres.

Ações caem 8% no dia e acumulam perda de 20% no ano

Com a reação negativa ao balanço, as ações da Weg (WEGE3) caíram 8% na sessão e acumulam uma desvalorização de cerca de 20% em 2025. Em comparação, o Ibovespa registra alta de 11% no mesmo período.

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Essa performance reforça o pessimismo dos investidores com o momento atual da empresa.

Recomendações dos analistas

JPMorgan: recomendação de compra

Apesar do resultado fraco, o JPMorgan mantém recomendação overweight para os papéis, o que indica visão positiva no longo prazo. A avaliação considera que as margens estão em trajetória de melhora e que o valuation está atrativo, negociando a 14,4 vezes EV/Ebitda para 2026.

Itaú BBA: também recomenda compra

O Itaú BBA tem recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 65. O banco reconhece as dificuldades de curto prazo, mas enxerga oportunidades para quem busca valor no longo prazo, principalmente se a ação continuar depreciada.

Goldman Sachs: visão negativa

Em contrapartida, o Goldman Sachs mantém recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 44,60 — ainda com potencial de valorização de 8% em relação ao fechamento anterior. O banco acredita que a desaceleração do crescimento e o ambiente tarifário e macroeconômico adverso devem continuar pressionando os papéis.

O que esperar da teleconferência de resultados

Weg
Imagem: Wirestock_creators – Freepik

A Weg realizará teleconferência com analistas e investidores na quinta-feira (24), às 11h. A expectativa é que a companhia esclareça três pontos centrais:

  1. Impacto das tarifas americanas nas exportações e rentabilidade;
  2. Pipeline de projetos solares para o segundo semestre;
  3. Perspectivas de crescimento diante da incerteza global.

A resposta da empresa a esses questionamentos poderá influenciar significativamente a confiança do mercado nos próximos meses.

Conclusão: desempenho fraco e incertezas no radar

O segundo trimestre de 2025 confirma o cenário de desaceleração para a Weg. Embora tenha apresentado evolução nas margens, o crescimento pífio das receitas e os resultados abaixo do consenso sugerem que o ciclo de crescimento acelerado da companhia pode estar perdendo força.

O mercado agora observa com atenção a postura da empresa diante das tarifas norte-americanas, a recuperação dos projetos solares e a adaptação ao novo ambiente macroeconômico. Até lá, os papéis da Weg devem continuar sob pressão.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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