WhatsApp adota chatbot com IA para agilizar vendas

A transformação digital no atendimento ao cliente acaba de dar um passo ousado. A Smartbis, plataforma brasileira de fidelização com atuação em toda a América Latina, decidiu abolir sua equipe de vendas humana e delegar toda a operação comercial a um chatbot com inteligência artificial (IA), operando exclusivamente pelo WhatsApp. A estratégia marca um novo capítulo no uso da tecnologia para otimizar processos comerciais, ampliar alcance e reduzir custos.

Desenvolvido internamente, o sistema batizado de Whatsplaid GPT utiliza tecnologia baseada na OpenAI, adaptada para atender clientes de programas de fidelidade, cashback, clubes de benefícios e marketing de indicação. A decisão foi motivada por um problema recorrente: cerca de 80% dos cancelamentos eram causados por expectativas mal geridas durante interações com vendedores humanos.

Segundo a empresa, a automação já mostra resultados expressivos, como redução no índice de cancelamentos e maior engajamento com funcionalidades estratégicas da plataforma.

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Resultados após três meses de chatbot

Uma mulher segurando uma xícara, enquanto olha para a tela do celualr. Em sobreposição a imagem o ícone de chatbot com um balão.
Imagem: TippaPatt/shutterstock.com

A Smartbis mediu os efeitos da mudança ao longo do segundo trimestre de 2025. Em apenas três meses, o número de cancelamentos caiu, ao mesmo tempo em que houve um aumento de 15% nos chamados técnicos e de 10% nas reclamações públicas. Embora tenha registrado evasão de 2% entre usuários que preferiam o atendimento humano, uma pesquisa interna mostrou que cerca de 40% dos clientes nem perceberam que estavam falando com um agente automatizado.

Para a empresa, isso demonstra que a transição para o modelo 100% digital foi bem conduzida e praticamente imperceptível para a maioria dos usuários.

A automação também é reforçada pelo sistema WPP Marketing, que gerencia campanhas automatizadas para relacionamento com clientes, segmentação inteligente e integração com plataformas como Google Ads.

Um movimento global rumo à automação

A tendência observada na Smartbis está em linha com dados globais. Segundo o relatório The State of AI – How organizations are rewiring to capture value (McKinsey, 2025), mais de 70% das empresas já aplicam inteligência artificial generativa em pelo menos uma área de negócios. As áreas de marketing, vendas e atendimento ao cliente concentram boa parte dessa adoção.

A consultoria SuperAGI estima que a automação de contact centers pode economizar até US$ 80 bilhões em custos operacionais no mundo até 2026. Mas especialistas alertam para limites.

Christina Inge, professora da Harvard Extension School e autora de Marketing Analytics: A Comprehensive Guide, pondera:

“A IA melhora a personalização, mas não substitui a empatia em contextos que exigem compreensão emocional ou tomada de decisão complexa.”

Por isso, muitas organizações têm adotado modelos híbridos, combinando eficiência tecnológica com a sensibilidade do atendimento humano em casos mais delicados.

Crescimento internacional acelerado

A aposta da Smartbis em IA também abriu portas para sua expansão internacional. A plataforma passou a atender clientes em países como Portugal, Espanha, Itália, Angola e Moçambique, oferecendo suporte em múltiplos idiomas e operação 24 horas, sem sobrecarregar equipes internas.

Internamente, a empresa redesenhou sua oferta para acompanhar a nova fase. Funcionalidades pouco utilizadas foram descontinuadas, e os serviços mais valorizados — como cartões digitais de fidelidade, recompensas e cashback — ganharam mais destaque.

Segundo levantamento da própria empresa, mais de 60% das avaliações recentes mencionam a facilidade de uso como ponto positivo, reflexo direto do novo modelo operacional.

Eficiência e empatia no centro do debate

Para Eduardo Thomas, fundador da Smartbis, a automação marca um divisor de águas para a empresa:

“A transição para o atendimento automatizado marcou um novo momento na empresa, principalmente por possibilitar escala e controle na jornada do cliente com loyalty marketing”, disse em nota.

Ele reconhece, no entanto, que a tecnologia não dispensa a necessidade de monitoramento estratégico para garantir que a experiência do consumidor continue relevante, personalizada e empática.

De fato, a adoção integral de IA em processos comerciais levanta debates sobre o futuro do relacionamento com clientes. O desafio para as organizações, daqui em diante, será encontrar o ponto de equilíbrio entre eficiência operacional e conexão humana.

Caminho sem volta para o digital?

O caso da Smartbis ilustra um movimento irreversível: a automação como eixo central das estratégias de crescimento e atendimento ao consumidor. No entanto, a experiência do cliente — especialmente em segmentos onde confiança e emoção pesam — ainda exige cuidado, mesmo diante das maiores promessas da inteligência artificial.

À medida que outras empresas acompanham a tendência, caberá aos gestores definirem até onde a máquina pode ir sem comprometer a essência da relação com os clientes.