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Funcionamento do WhatsApp pode ser interrompido; entenda a situação

Parlamento russo indica possível banimento do WhatsApp. Governo de Putin pressiona app a seguir leis locais ou sair do país, segundo a agência Reuters.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Whatsapp

O WhatsApp, mensageiro mais utilizado na Rússia, está na mira de autoridades do país e pode ser obrigado a encerrar suas atividades em breve.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (18) por parlamentares do comitê russo de Tecnologia da Informação, que sugeriram que o aplicativo da Meta Platforms está na iminência de sofrer sanções no território russo.

A escalada nas tensões ocorre após declarações públicas do deputado Anton Gorelkin, vice-presidente do comitê de TI da câmara baixa do parlamento russo (Duma Estatal), que afirmou que o WhatsApp poderia enfrentar restrições por ser um produto “feito em países não amigáveis” à Rússia.

As falas indicam uma diretriz do governo do presidente Vladimir Putin para substituir mensageiros estrangeiros por alternativas nacionais, mais alinhadas aos interesses estatais.

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Meta já está classificada como “organização extremista”

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Imagem: alisaa – freepik

WhatsApp resiste, mas está sob risco

A possível saída do WhatsApp da Rússia faz parte de um movimento mais amplo contra a Meta, empresa controladora do WhatsApp, Facebook e Instagram. Desde 2022, a Meta é oficialmente classificada pela justiça russa como uma “organização extremista”, o que resultou no bloqueio permanente de suas principais redes sociais no país.

Apesar disso, o WhatsApp até então vinha escapando de sanções mais duras, por ser considerado um aplicativo de mensagens privadas e não voltado à disseminação pública de conteúdo — justificativa usada pelas autoridades para não incluí-lo na proibição. Agora, isso pode estar prestes a mudar.


Porta-voz do Kremlin cobra adequação à lei russa

Peskov: “App precisa cumprir as obrigações legais”

Em declaração à agência russa TASS, o porta-voz oficial do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o WhatsApp deverá se adequar à legislação nacional caso deseje manter sua operação no país.

“O aplicativo é, de fato, o mensageiro mais popular na Rússia, mas isso não o exime de seguir com suas obrigações sob a lei russa”, disse Peskov.

A declaração é um alerta direto à Meta. A Rússia exige que empresas estrangeiras de tecnologia armazenem dados de usuários russos em servidores localizados no país e compartilhem informações com agências de segurança, sob pena de bloqueio.


Mensageiro estatal Max é aposta do governo russo

Alternativa nacional ao WhatsApp e Telegram

Como parte da estratégia para consolidar seu ecossistema digital soberano, o governo russo anunciou o desenvolvimento de um novo mensageiro estatal, batizado de Max, que será vinculado a serviços públicos e substituirá progressivamente apps estrangeiros no país.

A criação do Max, autorizada diretamente por Putin, tem como objetivo oferecer uma alternativa de comunicação segura, estatal e monitorada, ocupando o espaço deixado por aplicativos como o WhatsApp, caso venha a ser bloqueado.

O parlamentar Anton Gorelkin destacou o Max como a “solução ideal para serviços de mensagens e integração com plataformas do governo”, o que pode acelerar a migração de usuários, principalmente no setor público.


Histórico de banimentos e controle de apps na Rússia

Telegram já foi proibido no país

A Rússia tem um histórico relevante de conflitos com plataformas de comunicação digital, mesmo quando se trata de empresas com origem russa. O caso mais emblemático é o do Telegram, fundado pelos irmãos Pavel e Nikolai Durov, que teve seu uso proibido em 2018.

O banimento ocorreu após a empresa se recusar a fornecer dados e históricos de mensagens à agência de segurança russa (FSB). O aplicativo foi novamente autorizado no país apenas em 2020, após pressões públicas e dificuldades técnicas de bloqueio.

Embora o Telegram tenha sido criado por russos, a empresa está atualmente sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e atua de forma independente do governo russo.


O que motivaria o bloqueio do WhatsApp?

Motivos apontados por autoridades russas

Entre os fatores que pressionam pelo banimento do WhatsApp, destacam-se:

  • Ligação com a Meta, empresa classificada como extremista na Rússia;
  • Suposta vulnerabilidade à espionagem internacional, por ser sediado nos Estados Unidos;
  • Falta de conformidade com as leis russas sobre controle de dados e censura de conteúdo;
  • Crescente uso por grupos da oposição e críticos do governo;
  • Interesse do Kremlin em incentivar mensageiros estatais ou neutros.

Especialistas observam que a decisão também está ligada à estratégia geopolítica da Rússia, de afastar influências tecnológicas ocidentais e reforçar sua soberania digital.


O que dizem especialistas e analistas de tecnologia

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Imagem: Canva

Bloqueio pode causar impacto, mas usuários tendem a migrar

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Analistas apontam que, embora o WhatsApp seja amplamente utilizado na Rússia, os usuários tendem a se adaptar rapidamente, como já aconteceu em outras ocasiões. A eventual proibição do app pode provocar migração para alternativas como o Telegram, Signal ou mensageiros locais.

A preocupação maior é com o controle da informação e vigilância. Com o avanço de apps estatais como o Max, a privacidade e o sigilo de comunicações podem ficar comprometidos.

“Essa política é mais sobre controle do que sobre segurança. O bloqueio do WhatsApp é simbólico: significa o fim da última janela aberta entre os russos e o Ocidente via redes sociais”, afirmou um analista internacional ouvido pela Reuters.


Meta ainda não se pronunciou oficialmente

Empresa pode optar por encerrar atividades voluntariamente

Até o momento, a Meta não emitiu nenhum comunicado oficial em resposta às declarações do parlamento russo. No entanto, diante da classificação como organização extremista e da pressão crescente, é possível que a empresa decida encerrar as operações do WhatsApp no país por conta própria.

Essa medida não seria inédita. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, várias empresas de tecnologia ocidentais — como Apple, Google, Netflix e Microsoft — reduziram ou suspenderam atividades na Rússia por motivos legais, éticos ou operacionais.


Impactos para os usuários russos

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Imagem: Canva – Edição: Seu Crédito Digital

Milhões devem ser afetados

Segundo dados recentes, o WhatsApp é utilizado por mais de 60 milhões de usuários na Rússia, representando a maior base ativa entre os mensageiros. A possível retirada da plataforma pode:

  • Interromper comunicações pessoais e empresariais;
  • Redirecionar usuários para plataformas alternativas;
  • Gerar dúvidas sobre segurança, privacidade e vigilância;
  • Impactar pequenas empresas que utilizam o WhatsApp Business.

Em contrapartida, o governo russo aposta que o novo app estatal Max e o Telegram conseguirão absorver essa base de usuários.


Considerações finais

O possível banimento do WhatsApp na Rússia representa mais um capítulo da crescente ruptura digital entre Moscou e o Ocidente. As tensões em torno da conformidade com leis locais, da soberania de dados e da classificação da Meta como organização extremista podem culminar no bloqueio da última grande plataforma da empresa ainda ativa no país.

A criação do mensageiro estatal Max demonstra a intenção do governo de controlar integralmente os fluxos de comunicação digital, sob o pretexto da segurança nacional. Para os usuários russos, a mudança pode significar menos liberdade, maior vigilância e limitação nas opções de comunicação.

Resta saber se a Meta tomará alguma atitude preventiva ou se o WhatsApp, de fato, será desconectado de milhões de usuários russos nas próximas semanas.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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