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Will Bank foi afetado com a situação do Banco Master? Entenda

Após liquidação do Banco Master, Will Bank segue operando normalmente sob regime especial. Clientes não precisam acionar o FGC, diz BC.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
cartao de credito Will Bank

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central na terça-feira (18), causou apreensão entre os mais de 10 milhões de clientes do Will Bank, instituição digital vinculada ao conglomerado Master. No entanto, segundo informações oficiais, o Will Bank segue operando normalmente e não foi incluído na liquidação, o que tranquiliza seus usuários e o mercado financeiro.

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Entenda a relação entre Will Bank e Banco Master

Apesar de pertencer ao mesmo conglomerado financeiro, o Will Bank está formalmente registrado sob a licença do Banco Master Múltiplo — entidade que, diferentemente do Banco Master S.A. e da Master Corretora, não foi liquidada. Em vez disso, o Master Múltiplo foi colocado pelo Banco Central sob o chamado Regime de Administração Especial Temporária (Raet).

Esse mecanismo visa preservar a continuidade das operações bancárias, evitando prejuízos a correntistas e investidores enquanto a instituição passa por uma reestruturação. Na prática, isso significa que os serviços do Will Bank, como contas, cartões e linhas de crédito, permanecem disponíveis e operando com normalidade.

O que é o Regime de Administração Especial Temporária (Raet)

O Raet é uma ferramenta usada pelo Banco Central em situações em que há necessidade de preservar as atividades de uma instituição financeira em dificuldades, sem a adoção imediata da liquidação extrajudicial. É uma espécie de “intervenção branda”, voltada à reorganização administrativa e financeira, geralmente com foco em uma possível venda da instituição ou saneamento de suas operações.

Ao adotar o Raet, o BC sinaliza que ainda vê condições para salvar a instituição sem descontinuar seus serviços, o que evita a ativação automática do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

FGC não foi acionado

Outro ponto que gerou dúvidas entre os clientes do Will Bank foi a possibilidade de terem que acionar o Fundo Garantidor de Créditos. No entanto, como o Will Bank segue operando e não foi incluído na liquidação extrajudicial do conglomerado Master, o FGC — que cobre perdas de até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra de bancos — não foi acionado.

O FGC só entra em ação quando há efetivamente a liquidação de uma instituição autorizada pelo Banco Central. Como o Will Bank ainda está em pleno funcionamento, não há qualquer indicativo de perda de valores depositados ou travamento de contas até o momento.

Falhas de acesso geram pânico entre usuários

Coincidentemente, no mesmo dia em que a liquidação do Banco Master foi anunciada, o Will Bank enfrentou instabilidades técnicas em sua plataforma. Diversos usuários relataram problemas para acessar suas contas, gerar boletos ou fazer movimentações básicas.

No entanto, os problemas não tinham relação direta com a liquidação em si. A falha global foi atribuída a uma pane no serviço da Cloudflare, empresa responsável pela infraestrutura de rede de diversos serviços digitais ao redor do mundo. O incidente afetou não apenas o Will Bank, mas também outras grandes plataformas.

Mesmo assim, o momento delicado aumentou a preocupação dos clientes, que associaram os dois eventos.

Venda do Will Bank é considerada urgente

De acordo com informações do jornal O Globo, o Will Bank já estava em processo de negociação com novos investidores antes mesmo da liquidação do Banco Master. O objetivo era justamente separar a instituição digital das demais operações do conglomerado, preservando sua base de clientes e continuidade de serviços.

O fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala Capital, estaria entre os interessados mais avançados na aquisição do Will Bank, com apoio estratégico da Mastercard — bandeira de cartões associada à fintech. O banco digital possui cerca de R$ 7 bilhões em passivos e movimenta aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes, o que representa um ativo importante dentro do setor.

A venda do Will Bank é vista como uma saída viável para impedir que os problemas financeiros do grupo Master contaminem a operação da fintech, que cresceu exponencialmente nos últimos anos.

Mastercard tem papel decisivo

A Mastercard, bandeira de cartões utilizada pelo Will Bank, também tem interesse direto na continuidade da operação. Caso o banco digital fosse liquidado, haveria um impacto relevante nas operações da bandeira, afetando milhões de transações e clientes.

Fontes próximas à negociação afirmam que a Mastercard atua como facilitadora do processo de venda, ajudando na estruturação do novo controle acionário e evitando a deterioração do valor da fintech no mercado.

Prisão de Daniel Vorcaro agrava a crise

Outro fator que aprofundou a crise do conglomerado foi a prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O empresário foi detido pela Polícia Federal como parte da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e irregularidades em instituições financeiras.

A prisão ocorreu um dia após o anúncio de que o Grupo Fictor havia adquirido o controle do banco — fato que agora está sob investigação. O envolvimento de Vorcaro em práticas supostamente fraudulentas levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial de parte do grupo, por falta de condições mínimas para recuperação.

Entenda a liquidação extrajudicial do Banco Master

A liquidação extrajudicial é o processo extremo aplicado pelo Banco Central quando uma instituição financeira apresenta insolvência ou graves problemas operacionais. Nesse regime, todas as atividades da instituição são suspensas, os bens dos controladores e administradores são bloqueados e as dívidas vencem antecipadamente.

No caso do Banco Master S.A. e da Master Corretora, a liquidação se deu por “comprometimento patrimonial irreversível” e pela ausência de perspectiva de reversão da situação. Com isso, o grupo foi retirado do Sistema Financeiro Nacional.

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Já o Banco Master Múltiplo, onde está registrada a operação do Will Bank, foi poupado da liquidação direta justamente por ter uma estrutura financeira separada e potencial de recuperação — o que levou à aplicação do Raet.

Clientes devem manter atenção, mas sem pânico

Embora o cenário geral seja delicado, a situação do Will Bank ainda inspira certa tranquilidade, de acordo com os comunicados oficiais. O banco digital segue autorizado pelo Banco Central, e a manutenção de suas operações no regime especial temporário permite que os clientes continuem usando seus serviços normalmente.

Ainda assim, especialistas recomendam cautela. Clientes com valores superiores ao limite do FGC, por exemplo, podem considerar uma diversificação em outras instituições para mitigar riscos.

Além disso, é fundamental acompanhar os desdobramentos da negociação de venda e a postura do Banco Central em relação à continuidade do regime especial. Em caso de mudanças abruptas — como a suspensão do RAET ou o insucesso das negociações — o cenário pode se agravar rapidamente.

O que fazer se você é cliente do Will Bank

Enquanto o Will Bank segue operando, os usuários não precisam tomar nenhuma medida emergencial. No entanto, algumas ações preventivas podem ser consideradas:

  • Acompanhar as notícias em veículos confiáveis;
  • Consultar regularmente o app do banco para verificar saldo, extratos e avisos oficiais;
  • Evitar movimentações arriscadas, como aplicações muito elevadas ou empréstimos de longo prazo até que a venda seja concluída;
  • Considerar a diversificação de recursos financeiros em outras instituições sólidas;
  • Guardar comprovantes de todas as transações recentes, caso haja necessidade futura de comprovação junto ao FGC.

Perspectivas para o futuro do Will Bank

O desfecho do processo de venda será determinante para a estabilidade futura do Will Bank. Caso o Mubadala ou outro investidor concretize a aquisição com apoio da Mastercard, a fintech poderá se reposicionar no mercado com uma estrutura mais sólida e independente do grupo que originou a crise.

Caso contrário, o banco pode enfrentar um cenário mais difícil, com risco de perda de clientes, aumento de inadimplência e até eventual intervenção mais severa por parte do Banco Central.

Até lá, o regime especial temporário funciona como uma ponte: mantém a operação viva enquanto a instituição tenta atravessar um momento crítico. A capacidade do Will Bank de superar esse desafio dependerá da velocidade das negociações e da confiança do mercado.

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Imagem: divulgação Will Bank.

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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