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Banco do Brasil em alerta: XP corta recomendação e preço-alvo!

XP Investimentos rebaixou a recomendação das ações do Banco do Brasil para "neutro", cortou o preço-alvo de R$ 41 para R$ 32.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Na última sexta-feira (30), a XP Investimentos anunciou uma mudança significativa em sua avaliação sobre o Banco do Brasil (BBAS3). A corretora rebaixou a recomendação dos papéis da estatal de “compra” para “neutro” e promoveu uma redução expressiva no preço-alvo, que passou de R$ 41 para R$ 32. A decisão acendeu um sinal de alerta entre os investidores e analistas do mercado financeiro.

O relatório publicado pela XP trouxe um diagnóstico detalhado sobre os riscos que envolvem os resultados do banco para os próximos anos, destacando especialmente a deterioração na qualidade do crédito, o aumento do custo de crédito e a revisão do guidance da própria instituição para 2025.

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Rebaixamento da recomendação e corte no preço-alvo

O rebaixamento reflete uma série de fatores considerados negativos pela corretora. Segundo a XP, os papéis do Banco do Brasil enfrentam um cenário de maior incerteza, em que os fundamentos deixam de justificar uma recomendação de compra no curto prazo.

Além da recomendação neutra, a XP cortou o preço-alvo das ações do banco para R$ 32, o que representa um potencial limitado de valorização a partir dos níveis atuais de negociação na B3.

Revisão das projeções de lucro

A XP também revisou drasticamente as estimativas de lucro líquido para o Banco do Brasil nos próximos dois anos:

  • Lucro projetado para 2025: caiu de R$ 39 bilhões para R$ 28 bilhões (queda de 29%);
  • Lucro projetado para 2026: de R$ 41 bilhões para R$ 30 bilhões (queda de 28%).

A corretora justificou essa redução com base em informações divulgadas pelo próprio banco, que colocou diversas linhas do guidance 2025 como “em revisão”. Para os analistas da XP, essa postura da gestão da instituição financeira aumenta o grau de imprevisibilidade e desancora as projeções do mercado.

Fatores que motivaram a cautela da XP

Logo da XP Investimentos
Imagem: Reprodução / XP Investimentos

Margem Financeira Líquida em queda

A XP estima uma retração de 12% na Margem Financeira Líquida (NII), pressionada pelo aumento da inadimplência e pela necessidade de provisionamento adicional. Essa redução afeta diretamente a rentabilidade do banco, especialmente em um cenário de juros ainda elevados.

Custo de crédito mais alto

O relatório aponta para um aumento de 9% no custo de crédito, ou seja, nas despesas que o banco tem com provisões para perdas esperadas em sua carteira. Esse crescimento está relacionado ao maior risco percebido, especialmente em setores como o agronegócio, que historicamente era visto como seguro, mas hoje apresenta sinais de deterioração.

Qualidade do crédito em deterioração

Um dos pontos mais críticos destacados pela XP é o desempenho da carteira de crédito voltada ao agronegócio. Entre 2018 e 2024, essa carteira praticamente dobrou, atingindo R$ 365 bilhões no primeiro trimestre de 2025. No entanto, o índice de inadimplência acima de 90 dias nesse segmento subiu de menos de 1% para 3% nos primeiros meses deste ano.

Aumento da inadimplência no agro preocupa

A mudança de perfil da carteira agro representa uma quebra importante na narrativa de segurança desse segmento. Para a XP, esse aumento da inadimplência agrava o risco de perdas e reduz o apetite de investidores que consideravam o setor um porto seguro.

Revisão do guidance e imprevisibilidade futura

O guidance é o conjunto de projeções e metas divulgadas pelo próprio banco sobre seu desempenho futuro. Quando uma instituição coloca parte do seu guidance “em revisão”, envia ao mercado uma mensagem de incerteza. E foi exatamente isso que o Banco do Brasil fez, alimentando a percepção de risco.

A XP entende que essa decisão gera desancoragem nas expectativas e obriga os analistas a reverem seus modelos de forma conservadora, à medida que os números se tornam menos previsíveis.

Fatores políticos e econômicos influenciam avaliação

Cenário político: eleições de 2026

O relatório também menciona o impacto da proximidade das eleições de 2026, que historicamente influenciam a performance dos papéis do Banco do Brasil. Embora o mercado tenha a percepção de que as ações da estatal se valorizam no ciclo pré-eleitoral, a XP alerta que essa correlação nem sempre se traduz em retornos consistentes.

Ambiente macroeconômico desafiador

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Além das incertezas políticas, a conjuntura macroeconômica do país permanece desafiadora. A alta da inadimplência, a pressão sobre os spreads bancários e as incertezas fiscais colocam um teto para o desempenho das ações do setor financeiro, em especial das instituições públicas.

Avaliação de mercado e consenso de analistas

Apesar da postura mais cautelosa da XP, o consenso de mercado ainda aponta para um lucro de aproximadamente R$ 35 bilhões para o Banco do Brasil em 2025. No entanto, a corretora acredita que esse número tende a ser revisado para baixo nos próximos meses, à medida que os investidores incorporarem as projeções mais conservadoras da instituição.

A XP também reconhece que o valuation atual do banco pode parecer atrativo — especialmente em comparação com os pares privados —, mas defende que esse desconto reflete justamente os riscos embutidos nos fundamentos atuais.

O que significa a recomendação “neutra”?

Quando uma ação recebe a recomendação “neutra”, isso significa que, na visão da corretora, o desempenho esperado é semelhante ao do mercado como um todo. Ou seja, não há perspectiva clara de valorização acima da média.

Essa posição contrasta com a recomendação “compra”, que indica expectativa de desempenho superior, e “venda”, que sugere deterioração no preço.

Oportunidade ou alerta? O que os investidores devem considerar

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Imagem: Freepik e Canva

Pontos positivos:

  • Valuation atrativo: as ações estão sendo negociadas a múltiplos baixos, o que pode representar uma oportunidade para investidores com perfil mais arrojado.
  • Dividendos regulares: o Banco do Brasil mantém uma política de distribuição consistente de proventos, o que pode mitigar parte dos riscos.
  • Força institucional: como banco estatal, o BB possui acesso a uma base ampla de clientes e recursos de captação estáveis.

Pontos negativos:

  • Incertezas no guidance: a falta de clareza sobre as metas para 2025 aumenta o risco para o investidor.
  • Carteira agro sob pressão: a deterioração da carteira de crédito do agronegócio é um alerta para possíveis perdas futuras.
  • Volatilidade política: o histórico de interferências em estatais em ciclos eleitorais gera desconfiança no mercado.
  • Pressões de margem: queda da NII e aumento do custo de crédito comprometem a rentabilidade.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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