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Monetizar no YouTube ficará mais difícil em 2027; plataforma dobra exigências

YouTube vai exigir 8 mil horas ou 20 milhões de views em Shorts para novos canais monetizarem a partir de fevereiro de 2027.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··11 min de leitura
Monetizar no YouTube ficará mais difícil em 2027; plataforma dobra exigências

Ganhar dinheiro com anúncios no YouTube ficará mais difícil para novos criadores. A plataforma anunciou uma das maiores alterações do YouTube Partner Program (YPP) dos últimos anos, dobrando as principais metas necessárias para ter acesso ao compartilhamento de receita de publicidade e do YouTube Premium.

A mudança começa em 1º de fevereiro de 2027. A partir dessa data, novos canais precisarão continuar tendo pelo menos 1.000 inscritos, mas terão de alcançar 8.000 horas qualificadas de exibição nos últimos 365 dias ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts em 90 dias.

Atualmente, a exigência para essa modalidade de monetização é de 4.000 horas públicas válidas de vídeos longos nos últimos 12 meses ou 10 milhões de visualizações públicas válidas de Shorts nos últimos 90 dias, além dos mesmos 1.000 inscritos.

Na prática, o YouTube está dobrando a quantidade de audiência necessária nas duas principais rotas para que novos criadores tenham acesso à receita publicitária.

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O que muda na monetização do YouTube em 2027?

youtube lite
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A alteração atinge principalmente os canais que ainda não alcançaram a faixa do YPP que permite participar da receita de anúncios e do YouTube Premium.

Veja a comparação:

CritérioRegra atualA partir de 1º/2/2027
Inscritos1.0001.000
Horas qualificadas4.000 em 365 dias8.000 em 365 dias
Ou visualizações de Shorts10 milhões em 90 dias20 milhões em 90 dias

O número mínimo de inscritos, portanto, permanece igual.

O que dobra é a exigência de consumo do conteúdo.

Um canal que atualmente consegue 1.000 inscritos e 4.500 horas válidas, por exemplo, atingiria a meta atual baseada em vídeos longos. Depois da mudança, esse mesmo desempenho não será suficiente para um novo candidato ao compartilhamento de receita publicitária.

Quando as novas regras começam?

Um ponto importante é que a mudança não entra em vigor imediatamente em agosto de 2026.

O YouTube informou que os novos limites começam a valer em 1º de fevereiro de 2027.

Isso cria uma janela importante para canais que estão atualmente próximos dos requisitos.

Quem produz conteúdo e está chegando às 4.000 horas ou aos 10 milhões de visualizações de Shorts deve acompanhar atentamente sua situação no YouTube Studio e as regras de elegibilidade durante o período de transição.

Quem já está monetizado vai precisar atingir 8 mil horas?

Não para simplesmente continuar no YPP.

O YouTube informou que os canais que já fazem parte do programa não terão sua participação automaticamente afetada pela elevação da barreira de entrada destinada aos novos criadores.

Essa distinção é essencial.

As 8.000 horas e 20 milhões de visualizações de Shorts são novos limites de entrada para a faixa de compartilhamento de receita, e não uma determinação de que todos os canais já monetizados tenham de refazer o processo de ingresso.

Entretanto, haverá mudanças específicas para a monetização dos Shorts.

Shorts terão outra exigência importante

Criadores que dependem do Feed dos Shorts também precisarão prestar atenção a uma nova regra.

A partir de fevereiro de 2027, para receber mensalmente participação no chamado Shorts Creator Pool, o canal deverá manter 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos 90 dias anteriores.

Se o desempenho ficar abaixo desse patamar, isso não significa automaticamente a expulsão do canal do YPP.

O criador poderá continuar recebendo receitas de outras modalidades para as quais permaneça elegível, incluindo vídeos longos.

Caso volte a alcançar a meta exigida para os Shorts, poderá novamente se qualificar para a respectiva participação na receita.

YouTube continuará permitindo monetização mais cedo de outras formas

A notícia pode dar a impressão de que todo criador precisará alcançar 8.000 horas antes de ganhar qualquer dinheiro dentro do ecossistema do YouTube.

Não é exatamente assim.

O YPP possui uma modalidade ampliada que oferece acesso antecipado a determinados recursos de monetização, especialmente financiamento pelos fãs e Shopping.

Atualmente, criadores em países elegíveis podem entrar nessa modalidade ao atingir 500 inscritos, ter três uploads públicos válidos nos últimos 90 dias e alcançar 3.000 horas públicas válidas de exibição em 12 meses ou 3 milhões de visualizações públicas válidas de Shorts em 90 dias.

O YouTube informou que os requisitos relacionados ao financiamento pelos fãs e determinados recursos de Shopping não serão afetados pela nova elevação da barreira para anúncios.

Isso significa que existem dois níveis diferentes?

Na prática, é importante diferenciar o acesso antecipado a determinados recursos do YPP da faixa que libera participação na receita de anúncios.

Um canal menor pode atingir os requisitos iniciais e utilizar ferramentas elegíveis de financiamento por fãs antes de alcançar a meta mais elevada necessária para a publicidade.

Atualmente, por exemplo, a plataforma diferencia os requisitos para acesso antecipado daqueles necessários para ganhar participação em anúncios e receita do Premium.

A partir de 2027, essa distância ficará ainda maior.

Isso pode estimular criadores menores a diversificarem suas fontes de receita antes de alcançarem volume suficiente para publicidade.

Por que 8 mil horas representam uma diferença tão grande?

Dobrar de 4.000 para 8.000 horas pode parecer apenas uma mudança numérica, mas o impacto para canais pequenos é significativo.

O limite representa 480 mil minutos assistidos durante um período de 365 dias.

Se um canal obtiver, em média, dez minutos assistidos por visualização em seus vídeos longos, seriam necessárias aproximadamente 48 mil visualizações com essa duração média para alcançar 8.000 horas.

Se a média cair para cinco minutos, o volume necessário dobra para cerca de 96 mil visualizações.

É apenas um exemplo matemático, já que o desempenho real varia bastante conforme duração dos vídeos, retenção e comportamento da audiência.

O ponto é que conquistar inscritos não será suficiente. O YouTube também exigirá uma quantidade considerável de tempo efetivamente consumido.

Nem toda hora assistida entra na conta

Outro detalhe que pode confundir novos criadores é que nem toda visualização contribui para o requisito.

Pelas regras atuais, contam para a meta as horas válidas obtidas por vídeos longos definidos como públicos.

Não entram na contagem horas provenientes de vídeos privados, não listados ou excluídos, campanhas publicitárias e determinadas transmissões. As horas obtidas assistindo Shorts pelo Feed dos Shorts também não são somadas à meta de horas dos vídeos longos.

Portanto, publicar dezenas de Shorts pode aumentar a audiência de um canal sem necessariamente aproximá-lo das 8.000 horas exigidas pela rota de vídeos longos.

Rota dos Shorts ficará ainda mais difícil

Para criadores que apostam exclusivamente em vídeos curtos, a escala exigida será enorme.

Serão 20 milhões de visualizações qualificadas em apenas 90 dias para a nova barreira de entrada baseada em Shorts.

Isso corresponde a uma média superior a 222 mil visualizações por dia durante 90 dias.

Naturalmente, não é necessário atingir exatamente essa quantidade diariamente. Um único conteúdo viral pode gerar milhões de visualizações e alterar completamente o resultado.

Mesmo assim, o número mostra o tamanho do desafio para canais iniciantes.

O que são visualizações qualificadas de Shorts?

O YouTube também diferencia uma visualização comum registrada nas estatísticas de uma visualização considerada válida para determinados requisitos do YPP.

Nas regras atuais, entram para a elegibilidade visualizações públicas válidas e engajadas de Shorts publicados como públicos e exibidos no Feed dos Shorts.

Visualizações de Shorts privados, não listados, excluídos e provenientes de campanhas publicitárias, entre outras exclusões previstas pela plataforma, não entram nessa contagem.

Por isso, criadores devem acompanhar o indicador de elegibilidade apresentado pelo próprio YouTube Studio em vez de simplesmente somar todas as visualizações exibidas no canal.

Canais inativos também precisam ter cuidado

(Imagem: T. Schneider / Shutterstock.com)

O YouTube também mantém mecanismos para evitar que canais completamente abandonados permaneçam indefinidamente dentro do programa.

As novas políticas estabelecem critérios relacionados à atividade do canal, enquanto a plataforma também pode remover a monetização de canais que permaneçam inativos por períodos prolongados.

Isso reforça uma mudança de foco: não basta atingir determinado patamar uma única vez e depois abandonar completamente a produção.

A plataforma quer manter no ecossistema de monetização canais que continuem produzindo ou atraindo audiência.

Mudança não significa que pequenos canais deixarão de ganhar dinheiro

Apesar do aumento expressivo dos requisitos publicitários, pequenos criadores continuarão tendo outras possibilidades.

Além das ferramentas de financiamento por fãs disponibilizadas pelo próprio YouTube, canais podem trabalhar com patrocínios, produtos, serviços e outras fontes de receita compatíveis com as regras da plataforma.

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O próprio YouTube vem ampliando ferramentas ligadas a Shopping e parcerias comerciais.

A estratégia parece indicar que a empresa pretende diferenciar cada vez mais as formas de remuneração, em vez de colocar toda a monetização de criadores exclusivamente nos anúncios tradicionais.

Premium Lite também entra na estratégia

O anúncio das mudanças veio acompanhado de novidades relacionadas ao Premium Lite e a outras formas de geração de receita.

O YouTube pretende ampliar o alcance do Premium Lite, sua modalidade de assinatura mais barata, para os mercados onde o YouTube Premium está disponível. A expansão também está ligada à estratégia de aumentar oportunidades de receita para criadores.

A empresa afirma ainda que pretende continuar ampliando os pagamentos realizados aos produtores de conteúdo.

Isso mostra que o aumento da barreira de entrada ocorre ao mesmo tempo em que a plataforma tenta expandir outras formas de remuneração.

O YouTube está tentando barrar canais pequenos?

A nova regra certamente tornará a entrada mais difícil, mas não é possível concluir apenas pelo aumento dos requisitos que o objetivo seja simplesmente excluir pequenos canais.

Os limites do YPP também funcionam como uma etapa antes da análise de monetização.

O próprio YouTube explica que atingir os números exigidos não representa aprovação automática: depois da candidatura, o canal passa por uma análise para verificar se atende às políticas e diretrizes da plataforma.

A mudança aumenta a quantidade de audiência que o canal precisa demonstrar antes de chegar a essa etapa.

Para criadores iniciantes, entretanto, o efeito prático é claro: o caminho até a receita publicitária ficará significativamente mais longo.

Vídeos longos ou Shorts: qual caminho ficará mais viável?

Não existe uma resposta válida para todos os canais.

Os Shorts têm potencial de distribuição rápida e podem alcançar grandes volumes de visualizações, mas a nova exigência de 20 milhões em 90 dias representa uma barreira muito elevada.

Vídeos longos exigirão 8.000 horas em um ano, mas possuem uma janela maior para acumular audiência.

Um canal de conteúdo educativo, análises, tutoriais ou entretenimento com vídeos mais extensos pode encontrar maior previsibilidade na construção das horas assistidas.

Já canais especializados em conteúdo viral de curta duração podem continuar priorizando Shorts.

Uma terceira possibilidade é combinar os formatos.

Shorts podem funcionar como ferramenta de descoberta, enquanto vídeos longos desenvolvem uma relação mais profunda com a audiência e acumulam tempo de exibição.

Quem está começando agora deve mudar a estratégia?

O anúncio torna ainda mais importante acompanhar métricas além do número de inscritos.

Um canal pode conquistar milhares de inscritos por causa de um vídeo viral e, ainda assim, apresentar pouco tempo de exibição recorrente.

Retenção, frequência de retorno dos espectadores e quantidade de pessoas que migram de um vídeo para outro ganham importância.

Para quem pretende construir a rota das horas assistidas, conteúdos capazes de manter o público acompanhando o canal tendem a ser especialmente relevantes.

No caso dos Shorts, consistência e escala passam a pesar ainda mais.

Regra atual continua valendo até a mudança

Até a entrada em vigor dos novos limites, as páginas oficiais de ajuda do YouTube continuam apresentando como requisitos para participação na receita publicitária 1.000 inscritos e 4.000 horas públicas válidas nos últimos 365 dias ou 10 milhões de visualizações públicas válidas de Shorts em 90 dias.

A mudança anunciada eleva esses números para 8.000 horas ou 20 milhões de visualizações de Shorts para novos criadores a partir de 1º de fevereiro de 2027.

Portanto, quem está próximo da meta atual tem um motivo adicional para acompanhar seu progresso nos próximos meses.

Monetizar no YouTube ficará mais difícil em 2027

A atualização representa uma mudança importante para a economia dos criadores.

O número mínimo de inscritos permanece em 1.000, mas o YouTube dobrará os dois principais indicadores de audiência utilizados para liberar a participação na receita de anúncios e do Premium para novos candidatos.

A partir de fevereiro de 2027, serão necessárias 8.000 horas qualificadas em 365 dias ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts em 90 dias.

Quem já está no YPP não precisa alcançar novamente essa nova barreira simplesmente para permanecer no programa, embora existam novas condições específicas relacionadas à receita dos Shorts.

Para quem ainda está construindo um canal, a principal mudança é estratégica: atingir 1.000 inscritos continuará importante, mas transformar esses inscritos em audiência recorrente e tempo efetivamente assistido será ainda mais decisivo para conseguir ganhar dinheiro com anúncios no YouTube.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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