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A crise na economia é culpa do ‘fique em casa’ citado por Bolsonaro?

Embora a redução da circulação tenha tido impactos sobre a economia, ela não justifica a inflação crescente, retomada lenta e pobreza em alta

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins3 min de leitura
Auxílio emergencial vai volta?

Na noite da última sexta-feira (21) Jair Bolsonaro (PL) voltou a culpar as medidas de restrição à circulação adotadas na pandemia da Covid-19 por problemas econômicos do Brasil. Assim, ao falar sobre o aumento da inflação e da pobreza, o atual presidente afirmou que a culpa é do “fique em casa”.

Contudo, de acordo com economistas ouvidos pelo jornal Nexo, embora a redução da circulação tenha tido impactos sobre a economia, ela não justifica problemas como inflação crescente, retomada lenta e pobreza em alta.

Aumento da pobreza

Assim, economistas rejeitam o argumento de que o aumento da pobreza esteja relacionado com as políticas restritivas impostas por governos locais para combater a pandemia.

De acordo com Rafael Ribeiro, professor de economia do Cedeplar-UFMG (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais), na virada de 2020 para 2021 a pobreza voltou a aumentar com força em nosso país. O motivo é que, a partir de 1° de janeiro, o Auxílio Emergencial foi encerrado. E, por mais que tenha sido retomado em abril, contemplava menos pessoas e pagava valores mais baixos.

Dessa forma, Ribeiro atribuiu o crescimento da pobreza à atuação do próprio governo federal. “A pobreza aumentou [em 2021], mas não precisaria ter aumentado. Se desde o ano passado [2020] já tivesse sido previsto um auxílio para este ano [2021], sem descontinuidade do auxílio emergencial, as pessoas não precisariam ter entrado na pobreza”, afirmou ao Nexo.

Além disso, o economista completa: “Isso não tem a ver com o ‘fique em casa’. Isso tem a ver com o mal planejamento do orçamento público [federal] para a pandemia”.

Paralisação nas atividades

De acordo com Virene Matesco, professora de economia da FGV-Rio (Fundação Getúlio Vargas), não há contraposição entre a saúde e a economia. “Se você não salvar vidas, não tem economia. Não existe funcionamento da economia sem pessoas. O ‘fique em casa’ significa proteger as pessoas. E não existe CNPJ sem CPF”, afirmou a economista ao Nexo.

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Ademais, Matesco afirmou que muitos locais adotaram medidas de restrição na pandemia, porém elas não foram implementadas em todo o Brasil.

De acordo com Virene, “a pior coisa que fizemos foi o chamado lockdown parcial, porque ele não corta a contaminação” e, ao mesmo tempo, traz prejuízos financeiros. Dessa forma, para a professora, isso aconteceu por falta de uma coordenação nacional desde o início da pandemia, que deveria ter sido conduzida por Bolsonaro.

Imagem: Doucefleur / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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