Uma recomendação antiga entre motoristas afirma que existe um horário melhor para abastecer o carro: as primeiras horas da manhã. A justificativa parece simples. Como a gasolina estaria mais fria e densa nesse período, o consumidor supostamente levaria mais combustível pagando pelo mesmo número de litros.
A explicação possui fundamento físico, mas isso não significa que acordar às 6h para ir ao posto trará uma economia perceptível.
A gasolina realmente sofre variações de volume conforme a temperatura. Porém, nos postos brasileiros, o combustível fica armazenado em tanques subterrâneos, onde as oscilações térmicas são muito menores do que aquelas registradas no ar.
Na prática, outros cuidados têm impacto muito maior no orçamento do motorista.
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Gasolina aumenta de volume quando esquenta?

Sim. Combustíveis líquidos sofrem expansão térmica.
Quando a temperatura aumenta, o volume tende a crescer e a densidade diminui. Quando o líquido esfria, ocorre o movimento contrário.
A própria Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) utiliza parâmetros de temperatura em procedimentos técnicos envolvendo massa específica e qualidade dos combustíveis.
Isso explica de onde surgiu a recomendação de abastecer pela manhã.
Como a bomba vende combustível por volume, em litros, teoricamente um litro de gasolina mais fria pode representar uma massa ligeiramente maior do produto do que o mesmo volume em temperatura superior.
O problema está no tamanho dessa diferença no abastecimento real.
Qual seria o melhor horário para abastecer?
É comum encontrar recomendações para abastecer entre 6h e 8h da manhã, período em que a temperatura ambiente geralmente está mais baixa.
Mas não existe uma regra oficial estabelecendo esse horário como uma forma comprovadamente mais econômica de comprar combustível.
A temperatura indicada no aplicativo de clima também não representa necessariamente a temperatura da gasolina armazenada no posto.
O combustível não fica exposto diretamente ao sol.
Ele permanece em reservatórios subterrâneos que reduzem consideravelmente as variações de temperatura durante o dia.
Por isso, uma tarde de 35°C não significa que a gasolina dentro do tanque do posto esteja a 35°C.
Então abastecer pela manhã economiza?
Em condições normais, a diferença tende a ser muito pequena.
Existe fundamento científico para afirmar que a temperatura influencia densidade e volume da gasolina. O exagero está em transformar esse fenômeno em uma grande estratégia de economia doméstica.
O tanque subterrâneo funciona como uma proteção contra mudanças rápidas de temperatura.
Enquanto o ar externo pode variar bastante entre madrugada e tarde, o combustível armazenado abaixo do solo sofre alterações muito mais graduais.
Consequentemente, a diferença entre abastecer às 7h e às 15h pode ser pequena demais para produzir uma economia relevante em um tanque comum.
Temperatura do combustível importa na fiscalização
Embora tenha pouco efeito prático na escolha do horário pelo consumidor, a relação entre temperatura e densidade é importante tecnicamente.
A ANP estabelece procedimentos para controle da qualidade dos combustíveis e disponibiliza tabelas de conversão relacionadas à massa específica e temperatura.
Isso permite padronizar análises porque a densidade de um líquido pode variar conforme sua temperatura.
Para o consumidor, entretanto, esse controle técnico não deve ser confundido com a ideia de que o posto entrega muito menos gasolina durante uma tarde quente.
Vale sair mais cedo de casa só para abastecer?
Provavelmente não.
Se o motorista já costuma abastecer pela manhã, não existe problema em manter o hábito. Mas fazer um deslocamento adicional exclusivamente para conseguir uma suposta vantagem térmica pode produzir o efeito contrário.
O combustível gasto no trajeto adicional pode facilmente superar qualquer diferença proporcionada pela temperatura.
É muito mais relevante encontrar um estabelecimento confiável e comparar o preço por litro.
Uma diferença de alguns centavos entre dois postos pode representar uma economia muito maior do que a pequena alteração física provocada pela temperatura do combustível armazenado.
Escolher o posto mais barato sempre compensa?
Preço importa, mas não deveria ser o único critério.
Uma oferta muito abaixo dos valores encontrados na região merece atenção.
A ANP fiscaliza a qualidade e a quantidade dos combustíveis comercializados no Brasil, e o consumidor também pode adotar alguns cuidados durante o abastecimento.
Antes de começar, confira se a bomba está zerada.
Ao terminar, verifique se quantidade, preço por litro e total cobrado correspondem ao abastecimento realizado.
Também é recomendável solicitar a nota fiscal.
Consumidor pode pedir teste da bomba
Quando houver suspeita sobre a quantidade entregue, o consumidor pode solicitar ao posto a realização do teste de volume.
Os estabelecimentos devem possuir medida-padrão de 20 litros verificada pelo Inmetro para esse tipo de conferência.
O teste permite avaliar se o volume indicado pela bomba corresponde ao combustível efetivamente entregue.
Esse cuidado pode ser muito mais importante para o bolso do que escolher entre abastecer pela manhã ou à tarde.
Como saber se a gasolina está dentro do padrão?
O consumidor também pode pedir testes relacionados à qualidade do combustível.
Nos postos, alguns procedimentos podem ser realizados mediante solicitação, conforme as regras aplicáveis.
Se persistir a suspeita de irregularidade, é possível denunciar o estabelecimento aos órgãos responsáveis.
A ANP mantém canais destinados ao recebimento de denúncias e reclamações sobre o mercado de combustíveis.
Pneus descalibrados aumentam o consumo
Para quem realmente pretende economizar gasolina, a manutenção do veículo oferece resultados muito mais relevantes.
Pneus com pressão abaixo da recomendada aumentam a resistência ao rolamento.
O motor precisa gastar mais energia para movimentar o automóvel, elevando o consumo.
A calibragem deve seguir a pressão indicada pelo fabricante do veículo, normalmente disponível no manual ou em etiqueta instalada no próprio automóvel.
Também é importante lembrar que a pressão recomendada pode variar conforme carga e número de passageiros.
Forma de dirigir interfere diretamente no gasto
A maneira como o motorista utiliza acelerador e freio também influencia o consumo.
Acelerações fortes seguidas de frenagens frequentes desperdiçam energia.
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Uma condução mais previsível, mantendo velocidade relativamente constante e antecipando reduções, tende a favorecer a eficiência.
Isso é especialmente relevante no trânsito urbano, onde arrancadas sucessivas podem aumentar significativamente o consumo.
Excesso de peso também custa combustível

Carregar objetos desnecessários permanentemente no porta-malas aumenta o peso que o motor precisa movimentar.
Individualmente, o efeito pode parecer pequeno, mas ele ocorre durante todos os quilômetros percorridos.
Bagageiros externos também merecem atenção.
Além do peso, determinados acessórios alteram a aerodinâmica e aumentam a resistência ao ar, principalmente em velocidades rodoviárias.
Ar-condicionado ou janela aberta: qual gasta mais?
Não existe uma resposta única para qualquer situação.
O ar-condicionado exige energia do veículo e pode elevar o consumo, especialmente em determinadas condições urbanas.
Por outro lado, dirigir em velocidade elevada com as janelas abertas aumenta a resistência aerodinâmica.
Assim, simplesmente desligar o ar-condicionado e abrir todas as janelas não garante automaticamente menor consumo em qualquer velocidade.
Manutenção preventiva ajuda a evitar desperdício
Problemas mecânicos também podem aumentar o consumo sem que o motorista perceba imediatamente.
Filtros, velas, sistema de injeção, alinhamento e outros componentes precisam permanecer dentro das condições especificadas pelo fabricante.
Quando o veículo começa a fazer menos quilômetros por litro sem mudança aparente no percurso ou na forma de dirigir, uma avaliação mecânica pode ser necessária.
Acompanhar o consumo regularmente é uma forma simples de identificar alterações.
Como calcular o consumo do carro?
O motorista pode fazer uma conta básica.
Primeiro, abasteça o tanque e zere o hodômetro parcial. No abastecimento seguinte, anote quantos quilômetros foram percorridos e quantos litros entraram.
Depois, divida a distância pela quantidade abastecida.
Se o veículo percorreu 450 quilômetros e foram necessários 45 litros para completar novamente o tanque:
450 ÷ 45 = 10 km/l
Repetir a medição permite criar uma média mais confiável e identificar aumentos inesperados no consumo.
Afinal, abastecer cedo vale a pena?
A gasolina realmente apresenta mudanças de densidade e volume conforme a temperatura. Portanto, a ideia que deu origem ao conselho não é completamente inventada.
O problema é transformar um fenômeno físico real em uma promessa significativa de economia.
Como o combustível dos postos permanece armazenado em tanques subterrâneos, sua temperatura tende a variar muito menos do que a temperatura do ambiente externo.
Assim, não há motivo para reorganizar a rotina apenas para abastecer entre 6h e 8h esperando uma grande economia.
Para gastar menos, medidas mais eficientes incluem comparar preços em postos confiáveis, manter os pneus corretamente calibrados, dirigir de maneira suave, acompanhar o consumo e realizar a manutenção preventiva.
Em outras palavras, o horário pode até produzir uma diferença física pequena, mas são os hábitos do motorista e as condições do veículo que têm potencial muito maior de reduzir a conta do combustível.



