Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Abono PIS/Pasep 2026: nova regra de renda pode te tirar da lista; veja como será

O abono salarial PIS/Pasep terá novas regras em 2026, com limite de renda corrigido só pelo INPC. Veja quem perde e quem mantém o direito.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto8 min de leitura
PIS/PASEP

O abono salarial PIS/Pasep, um dos principais benefícios trabalhistas do país, passará por uma mudança estrutural a partir de 2026. A alteração, prevista no pacote fiscal aprovado em 2024, impactará diretamente a quantidade de trabalhadores aptos a receber o benefício, que historicamente funciona como um complemento de renda para milhões de brasileiros de baixa remuneração.

O principal ponto da mudança é a nova regra para o limite de renda que define quem tem direito ao abono. Até 2025, o teto era de até dois salários mínimos médios recebidos no ano-base de referência. A partir do próximo ano, esse limite deixará de acompanhar o salário mínimo e passará a ser corrigido apenas pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), indicador que tende a crescer em ritmo menor do que o salário mínimo oficial.

A medida, segundo o governo federal, é necessária para ajuste fiscal. Mas especialistas alertam para um efeito inevitável: menos trabalhadores qualificados para receber o benefício, ano após ano.

Leia Mais:

Quer casa por menos de R$ 100 mil? Leilão oferece imóveis com 85% de desconto

O que muda no abono salarial a partir de 2026

O teto do benefício deixará de acompanhar o salário mínimo

Atualmente, o trabalhador tem direito ao Abono Salarial PIS/Pasep se tiver recebido, em média, até dois salários mínimos mensais no ano-base. Foi assim, por exemplo, em 2025: receberam o benefício aqueles que ganharam até R$ 2.604 por mês em 2023, já que o salário mínimo daquele ano era de R$ 1.320.

A partir de 2026, no entanto, essa lógica muda.

Limite de renda será corrigido apenas pelo INPC

Com a nova regra, o limite de renda para o PIS/Pasep não seguirá mais os reajustes do salário mínimo. Em vez disso, será atualizado apenas pelo INPC do ano-base. Como o salário mínimo tem uma política própria de reajuste — baseada no INPC + crescimento do PIB limitado a 2,5% — a distância entre o salário mínimo e o teto do abono tende a aumentar.

Na prática, isso significa que, enquanto o salário mínimo cresce em ritmo mais acelerado, o limite de renda do abono ficará defasado, resultando em menos trabalhadores aptos ao benefício.

Impacto esperado na quantidade de beneficiários

A advogada Mayra Saitta, especialista em Direito Empresarial e Contabilidade, estima uma redução significativa já nos primeiros anos da nova regra. Segundo ela, as projeções indicam uma economia de 30% a 40% no primeiro ano de vigência e de até 50% em dois anos.

A explicação é simples: conforme o salário mínimo se distancia do teto do abono, mais pessoas ultrapassam o limite médio de renda e deixam de se enquadrar nos critérios.

A advogada Márcia Cleide Ribeiro, especialista em Direito Trabalhista, reforça que esse descompasso entre salário mínimo e teto de renda do PIS/Pasep será o principal fator de exclusão gradual dos trabalhadores de baixa renda:

“Menos trabalhadores preencherão o requisito, já que o salário mínimo continuará aumentando por outras regras, enquanto o limite do abono ficará limitado à correção do INPC. O salário mínimo sofre reajustes anuais, já o valor máximo de renda para acesso ao abono não acompanhará esse aumento.”

Em alguns anos, novo teto deve se aproximar de 1,5 salário mínimo

Com as projeções atuais, estima-se que, ao longo dos próximos anos, o limite para ter direito ao abono PIS/Pasep corresponda aproximadamente a 1,5 salário mínimo, tornando o critério de elegibilidade consideravelmente mais restritivo.

Quantos trabalhadores recebem o abono atualmente

No calendário de pagamentos do PIS/Pasep de 2025, foram identificados 26.470.177 trabalhadores com direito ao abono salarial. Até o momento, 26.317.733 já receberam o valor devido, somando R$ 30,6 bilhões, o que corresponde a uma taxa de cobertura de 99,42%.

Essa é uma das maiores coberturas já registradas para o programa, o que demonstra a eficácia do cruzamento de dados do eSocial e do sistema do Ministério do Trabalho.

Entretanto, com a nova regra, é esperado que esse número caia nos próximos anos, reduzindo tanto o total de trabalhadores beneficiados quanto o montante global pago.

Quem paga o PIS e quem paga o Pasep

PIS para trabalhadores da iniciativa privada

O Programa de Integração Social (PIS) é destinado aos trabalhadores com carteira assinada da iniciativa privada. O pagamento é realizado pela Caixa Econômica Federal.

Pasep para servidores públicos

Já o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) atende a servidores públicos. Seus pagamentos são feitos pelo Banco do Brasil.

Apesar de terem bancos pagadores diferentes, PIS e Pasep seguem a mesma regra de cálculo e os mesmos critérios de elegibilidade definidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Quanto vale o abono salarial em 2026

Valor máximo continua sendo um salário mínimo

O valor pago pelo PIS/Pasep permanece vinculado ao salário mínimo vigente no ano do pagamento, não no ano-base. Portanto, mesmo com mudanças no critério de renda, o cálculo seguirá proporcional ao tempo trabalhado.

Cálculo do abono salarial PIS/Pasep

O trabalhador recebe:

  • 1/12 do salário mínimo por mês trabalhado no ano-base
  • Valor integral (12/12) caso tenha trabalhado os 12 meses

O calendário de pagamentos de 2026 será divulgado em dezembro, seguindo o padrão dos anos anteriores.

Quem tem direito ao abono salarial PIS/Pasep

Para além do critério de renda — que mudará a partir de 2026 — os demais requisitos permanecem os mesmos.

Requisitos atuais para ter direito ao PIS/Pasep

1. Estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos

Esse prazo é contado a partir da data do primeiro emprego registrado em carteira.

2. Ter trabalhado ao menos 30 dias no ano-base

Podem ser dias consecutivos ou não. O importante é que o trabalhador tenha desempenhado atividade remunerada formal.

3. Ter recebido remuneração média dentro do teto permitido

Até 2025, esse teto é de dois salários mínimos. A partir de 2026, será atualizado apenas pelo INPC.

4. Ter os dados informados corretamente pelo empregador

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

As informações precisam estar enviadas e atualizadas no eSocial, já que é a base oficial usada pelo governo para calcular e liberar o benefício.

Como consultar se tem direito ao abono salarial

O trabalhador pode consultar sua elegibilidade ao PIS/Pasep de maneira simples pelos canais oficiais do governo.

Consulta pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital

A CTPS Digital é o método mais rápido e prático de verificar se o trabalhador tem direito ao abono. Basta acessar a seção “Benefícios” e selecionar “PIS/Pasep”.

Consulta pelo portal Gov.br

Ao acessar a conta Gov.br, é possível visualizar a situação do pagamento e conferir calendário, valores e banco pagador.

Por que o governo mudou as regras do abono salarial

A mudança faz parte do pacote de ajuste fiscal aprovado em 2024, cujo objetivo principal é reduzir despesas obrigatórias e melhorar o equilíbrio das contas públicas.

O abono salarial é um dos benefícios mais amplos do país e, portanto, representa um gasto significativo para o orçamento da União. Ao frear o crescimento do número de beneficiários, o governo busca diminuir o impacto financeiro do programa.

Economistas afirmam que, enquanto a medida reduz gastos públicos, ela também retira um importante componente de renda das famílias de baixa remuneração. Isso pode impactar o consumo e a economia local, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a proporção de trabalhadores que recebem até dois salários mínimos é mais elevada.

Como a mudança afeta o trabalhador nos próximos anos

Redução gradual de beneficiados

Com a nova regra, trabalhadores que antes recebiam valores próximos a dois salários mínimos deixarão de ter direito ao abono. Nos anos seguintes, esse grupo se expandirá, alcançando trabalhadores com renda ainda mais baixa.

Distanciamento entre teto do abono PIS/Pasep e salário mínimo

Como o reajuste do salário mínimo se mantém mais robusto, a distância entre os valores tende a crescer, aprofundando o movimento de exclusão gradual.

Necessidade de atualização anual

Trabalhadores precisarão acompanhar anualmente o teto atualizado pelo INPC para saber se cumprem o critério de renda.


Conclusão

A mudança no cálculo do abono salarial PIS/Pasep marca uma transformação profunda em um dos benefícios trabalhistas mais tradicionais do país. Ao atrelar o limite de renda apenas ao INPC, o governo reduz significativamente o número de trabalhadores aptos ao benefício ao longo dos próximos anos. Embora a medida esteja inserida no esforço de ajuste fiscal, ela implicará perda de renda para milhões de brasileiros.

Para quem deseja se manter informado e acompanhar se ainda está dentro dos critérios, é essencial consultar regularmente a Carteira de Trabalho Digital e o portal Gov.br. A divulgação do calendário de pagamentos de 2026 em dezembro será outro momento crucial para quem depende do benefício.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Com Informações de: Bora Investir

Imagem: Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados