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Morgan Stanley vê potencial de alta de quase 100% para empresa brasileira

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
morgan stanley

O mercado de ações brasileiro ainda pode oferecer oportunidades de valorização, mesmo após a forte alta registrada no período posterior ao primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Uma análise do Morgan Stanley aponta que os papéis nacionais podem avançar aproximadamente 50% em dólar, enquanto algumas empresas apresentam potencial ainda maior em um cenário otimista.

Entre os destaques estão o Nubank (ROXO34), com possibilidade de valorização de até 99%, e a Axia Energia (AXIA3), cujo potencial estimado chega a 92%. Os números representam projeções condicionais do banco de investimentos, e não garantias de retorno para quem compra essas ações.

A avaliação considera o comportamento recente da Bolsa, as perspectivas para os resultados corporativos e a possibilidade de mudanças no ambiente econômico brasileiro. Para o investidor, a análise ajuda a identificar setores observados pelo mercado internacional, mas também exige atenção aos riscos envolvidos.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Um dos indicadores destacados no relatório é a proporção de ações que passaram a negociar acima de suas médias móveis de 200 dias após o primeiro turno eleitoral. Segundo a análise, aproximadamente 75% dos componentes do Ibovespa ultrapassaram essa referência.

A média móvel de 200 dias é um indicador utilizado na análise técnica para acompanhar a tendência dos preços ao longo de um período extenso. Quando uma parcela expressiva das ações fica acima dessa linha, o movimento pode indicar fortalecimento da tendência de alta e maior participação de diferentes empresas na valorização.

Isso não significa, porém, que todas as ações continuarão subindo. O indicador descreve o comportamento passado dos preços e não prevê, isoladamente, o desempenho futuro.

Mudanças políticas e expectativas econômicas

As eleições presidenciais podem influenciar o mercado financeiro porque os investidores tentam antecipar os efeitos de possíveis mudanças na política fiscal, na regulação e na condução da economia.

Um cenário percebido como mais favorável às empresas pode estimular a entrada de capital estrangeiro, aumentar a procura por ações brasileiras e contribuir para a valorização dos ativos. O movimento contrário também é possível caso as expectativas se deteriorem.

A perspectiva de alta em dólar merece atenção especial. Para investidores internacionais, o retorno depende tanto da variação das ações quanto do comportamento do real frente à moeda americana. Assim, uma valorização expressiva em reais pode resultar em ganho menor quando convertida para dólares, ou vice-versa.

Nubank e Axia Energia lideram as projeções otimistas

Nubank (ROXO34)

O Nubank aparece entre os destaques do relatório, com potencial de valorização de até 99% no cenário mais favorável projetado pelo Morgan Stanley.

A instituição financeira digital atua em um mercado no qual a expansão da base de clientes, a oferta de novos produtos e a eficiência operacional podem influenciar os resultados. A capacidade de ampliar receitas sem aumentar os custos na mesma proporção também é um fator relevante para a avaliação da empresa.

Por outro lado, o desempenho do Nubank depende de variáveis como inadimplência, custo de captação, concorrência e condições de crédito. Além disso, ROXO34 é um BDR negociado no Brasil, cujo preço também pode ser influenciado pela cotação da ação correspondente no exterior e pela variação cambial.

Axia Energia (AXIA3)

A Axia Energia, anteriormente conhecida como Eletrobras, aparece com potencial de alta de até 92% no cenário otimista citado pelo banco.

O setor elétrico costuma atrair investidores interessados em empresas com receitas recorrentes, embora os resultados variem conforme a estrutura dos contratos, os preços da energia, os investimentos necessários e as condições regulatórias.

No caso da Axia, a avaliação também pode refletir expectativas sobre eficiência operacional, gestão de ativos e geração de caixa. Ainda assim, mudanças nas regras do setor, custos financeiros e necessidades de investimento podem afetar a rentabilidade.

Quais outras ações brasileiras estão no radar

Além das duas empresas, o Morgan Stanley identifica oportunidades em diferentes segmentos da economia brasileira. Entre os papéis citados estão Banco do Brasil (BBAS3), Raia Drogasil (RADL3), Smart Fit (SMFT3), Copasa (CSMG3), Bradesco (BBDC4), Localiza (RENT3) e Rede D’Or (RDOR3).

A diversidade de setores permite observar diferentes fontes potenciais de crescimento. Bancos dependem, entre outros fatores, da qualidade do crédito e das margens financeiras. Empresas de saúde e academias podem se beneficiar da expansão da demanda por seus serviços, enquanto companhias de locação de veículos estão expostas ao custo de financiamento, à depreciação dos automóveis e à atividade econômica.

A presença desses nomes na análise não significa que todos tenham a mesma relação entre risco e retorno. Cada empresa apresenta fundamentos, endividamento, perspectivas de crescimento e sensibilidade aos juros próprios.

Como está distribuída a carteira do Morgan Stanley

O portfólio modelo apresentado pelo banco inclui participações relevantes em grandes companhias brasileiras. A Petrobras (PETR4) representa 18,7% da carteira, seguida pela Vale (VALE3), com 10,9%, e pelo Itaú Unibanco (ITUB4), com 10,6%.

Entre as demais posições estão Axia Energia, com 8,5%; B3 (B3SA3), com 6,7%; BTG Pactual (BPAC11), com 6%; Sabesp (SBSP3), com 5,8%; e Embraer (EMBJ3), com 5,7%.

A composição reúne setores como petróleo, mineração, serviços financeiros, energia elétrica, saneamento e indústria aeronáutica. Essa distribuição oferece exposição a diferentes atividades econômicas, mas não elimina os riscos de concentração em ações brasileiras nem a influência de fatores macroeconômicos comuns.

O relatório também utiliza múltiplos de preço sobre lucro projetados para 2028 e 2029. Em termos práticos, essa metodologia compara o preço de mercado das ações com estimativas de lucro futuro, buscando avaliar se os papéis parecem baratos ou caros diante dos resultados esperados.

Como essas projeções dependem de premissas, revisões de lucros e mudanças no cenário econômico podem alterar significativamente as avaliações.

(Foto: Michael Nagle/Bloomberg)

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