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Petrobras perde 23% e bancos brasileiros recuam quase 30% na pré-abertura de Nova York

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A reação do mercado financeiro internacional ao resultado das eleições presidenciais brasileiras de 2026 colocou ações de grandes empresas nacionais sob pressão na pré-abertura da Bolsa de Nova York. Petrobras, Bradesco, Itaú Unibanco, Braskem e Ambev estavam entre as companhias que registravam quedas expressivas, segundo as cotações apresentadas na referência.

O movimento também atingiu o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras. Às 8h21, o ETF recuava 25,58%, sendo negociado a US$ 31,68. As variações indicavam uma mudança brusca nas expectativas de investidores estrangeiros após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As oscilações, porém, precisam ser interpretadas com cautela. Cotações registradas antes da abertura oficial do mercado podem apresentar menor liquidez e maior volatilidade. Além disso, a reação dos investidores depende de fatores que vão além do resultado eleitoral, como juros, câmbio, perspectivas fiscais e condições da economia internacional.

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Quais ações brasileiras registraram as maiores quedas?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Os dados da pré-abertura de Wall Street mostravam perdas relevantes em diferentes setores da economia brasileira. Bancos, empresas de energia, indústria petroquímica e consumo apareciam entre os segmentos afetados.

Petrobras, Bradesco e Itaú lideram as perdas

A Petrobras registrava queda de 25,59% às 8h21, com os papéis negociados a US$ 19,99. O desempenho colocava a companhia entre os destaques negativos do pregão antes da abertura do mercado americano.

No setor financeiro, o Bradesco recuava 29,98%, para US$ 2,85, por volta das 8h13. O Itaú Unibanco apresentava baixa de 28,13%, com cotação de US$ 6,95.

Outras instituições também operavam no vermelho. O Nubank caía 22,57%, enquanto o Santander Brasil registrava desvalorização de 11,71%, conforme os números divulgados na referência.

A Braskem apresentava uma das maiores quedas entre as empresas citadas, com recuo de 31,76% e papéis negociados a US$ 1,16. Já a Ambev perdia 16,06%.

Essas variações representam as cotações informadas naquele momento específico, e não necessariamente os preços de fechamento ou o desempenho consolidado da sessão.

Por que o resultado eleitoral afetou a Bolsa americana?

A queda das ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos foi associada à revisão das expectativas dos investidores sobre a política econômica do próximo mandato presidencial. Parte do mercado demonstrava preferência por um cenário de maior controle das despesas públicas, reformas econômicas e possibilidade de redução dos juros no Brasil.

Após o primeiro turno, o desempenho positivo da Bolsa brasileira havia refletido, entre outros fatores, expectativas de mudanças na condução econômica. Segundo a referência, o Ibovespa avançou 7,7% em 5 de outubro, ultrapassando pela primeira vez a marca de 200 mil pontos.

Com o resultado definitivo da eleição, investidores passaram a reavaliar suas posições. Essa mudança pode provocar vendas de ativos brasileiros, especialmente quando há dúvidas sobre a trajetória da dívida pública, as metas fiscais e a condução da política monetária.

Isso não significa, entretanto, que a queda de cada empresa tenha sido causada exclusivamente pela eleição. Preços de ações também respondem a resultados financeiros, perspectivas de lucro, preços internacionais de commodities e condições gerais de liquidez.

O que são ADRs e como funcionam?

Os ADRs, sigla em inglês para American Depositary Receipts, são certificados negociados nos Estados Unidos que representam ações de empresas estrangeiras. Eles permitem que investidores americanos tenham exposição a companhias brasileiras sem precisar negociar diretamente na B3.

Quando os ADRs caem, o movimento pode indicar uma revisão das expectativas sobre as empresas ou sobre o risco associado ao Brasil. Entretanto, a variação desses certificados não deve ser comparada automaticamente à das ações negociadas no mercado brasileiro sem considerar a taxa de câmbio e a proporção de representação de cada recibo.

O EWZ, por sua vez, é um fundo negociado em bolsa que busca acompanhar o desempenho de ações brasileiras. Por reunir diferentes companhias, sua cotação oferece uma referência sobre o comportamento de parte do mercado acionário nacional no exterior.

Juros e contas públicas entram no radar dos investidores

A política fiscal é um dos fatores que podem influenciar a percepção de risco do mercado. Quando investidores avaliam que o governo terá dificuldades para equilibrar receitas e despesas, podem exigir retornos maiores para financiar a dívida pública brasileira.

Esse cenário pode pressionar o câmbio, elevar o custo de captação das empresas e dificultar uma redução mais rápida da taxa básica de juros. Na referência, a Selic estava em 13,75% ao ano, e as projeções mencionadas indicavam incertezas sobre a possibilidade de queda durante o próximo mandato.

A taxa Selic influencia o custo do crédito, o financiamento das empresas e a atratividade relativa de investimentos de renda fixa. Juros elevados também podem reduzir o consumo e os investimentos produtivos, afetando principalmente setores mais sensíveis ao financiamento.

A trajetória futura, contudo, dependerá das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), da inflação, das expectativas econômicas e das condições fiscais. Não é possível determinar antecipadamente como essas variáveis evoluirão apenas com base no resultado eleitoral.

Como a queda das ações pode afetar o investidor brasileiro?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Para quem investe diretamente na B3, uma desvalorização dos ADRs pode servir como sinal de maior volatilidade na abertura do mercado brasileiro. Ainda assim, não garante que as ações locais apresentarão uma queda de mesma magnitude.

O investidor precisa considerar que os mercados operam em horários diferentes e que as cotações no exterior podem refletir variações cambiais, liquidez reduzida e movimentos especulativos.

Também é importante distinguir uma reação imediata de uma mudança nos fundamentos de uma empresa. Uma companhia pode sofrer pressão no curto prazo e continuar apresentando resultados operacionais sólidos. Da mesma forma, uma queda acentuada pode refletir riscos econômicos que merecem análise mais profunda.

Antes de tomar decisões, vale acompanhar comunicados das empresas, resultados financeiros, indicadores divulgados pelo Banco Central e informações oficiais sobre as metas fiscais. Vender ou comprar ativos apenas com base em oscilações momentâneas pode aumentar o risco de decisões precipitadas.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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