As ações da Braskem operam em baixa na B3 nesta quarta-feira (19), pressionadas por uma nova deterioração na percepção de risco sobre a situação financeira da petroquímica. O movimento ocorre após a Fitch Ratings rebaixar a classificação de crédito da companhia para RD (inadimplência restrita) e depois de a Braskem Idesa, joint venture entre a Braskem e a mexicana Idesa, pedir proteção judicial nos Estados Unidos.
No início do pregão, as ações ordinárias da Braskem, negociadas sob o código BRKM3, chegaram a cair 1,85%, a R$ 4,25, permanecendo próximas das mínimas históricas do papel.
A combinação dos dois acontecimentos aumenta a pressão sobre a companhia justamente quando a Braskem negocia com credores uma solução para sua estrutura de dívida. A questão central para o mercado agora é saber se a empresa conseguirá reorganizar seus compromissos financeiros sem provocar impactos ainda maiores para os acionistas.
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Por que as ações da Braskem estão caindo?

A queda está relacionada principalmente ao aumento do risco de crédito da companhia.
A Fitch rebaixou a Braskem para RD depois que a empresa não realizou o pagamento de juros de determinadas obrigações financeiras dentro do período de carência. A agência também reduziu a classificação da companhia na escala nacional.
A classificação RD não significa que toda a dívida da Braskem deixou de ser paga. O termo indica uma situação de inadimplência restrita a determinadas obrigações.
Para o investidor, porém, o rebaixamento representa um sinal de deterioração financeira e aumenta a preocupação sobre a capacidade da companhia de cumprir seus compromissos nos próximos meses.
O que significa a Braskem estar em inadimplência restrita?
A expressão pode causar confusão porque não equivale automaticamente a uma recuperação judicial ou à falência.
Na classificação da Fitch, a inadimplência restrita ocorre quando uma empresa deixa de cumprir determinadas obrigações financeiras, mas a situação não representa necessariamente um calote generalizado de toda a companhia.
No caso da Braskem, o episódio acontece durante uma negociação mais ampla com credores. A empresa conseguiu uma tutela cautelar na Justiça brasileira que suspendeu temporariamente determinadas medidas de cobrança enquanto as partes tentam chegar a um acordo.
O rebaixamento, portanto, reforça a percepção de que a situação financeira da petroquímica chegou a um ponto particularmente delicado.
A Braskem entrou em recuperação judicial?
Não.
Essa é uma das principais diferenças que o investidor precisa entender.
A Braskem conseguiu uma tutela cautelar na Justiça de São Paulo para ganhar tempo nas negociações com seus credores financeiros. A medida tem caráter temporário e não corresponde, por si só, a um pedido de recuperação judicial.
A companhia busca uma solução para sua dívida que permita preservar as operações e reorganizar os compromissos financeiros.
O prazo da proteção judicial é um dos pontos que o mercado acompanha com maior atenção, já que o período de negociação se aproxima de uma etapa decisiva.
O que aconteceu com a Braskem Idesa?
A situação da Braskem Idesa adicionou uma nova camada de preocupação ao caso.
A empresa é uma joint venture formada pela Braskem e pelo grupo mexicano Idesa e possui operações no México. A companhia entrou com pedido de proteção pelo Chapter 11 nos Estados Unidos.
O mecanismo é utilizado para permitir a reorganização financeira de empresas que enfrentam dificuldades para cumprir suas dívidas. Diferentemente de uma liquidação, o Chapter 11 busca permitir que a empresa continue funcionando enquanto negocia uma reestruturação com os credores.
A Braskem Idesa pretende reduzir sua dívida sênior de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão.
Como parte do acordo, a Braskem deverá realizar um aporte de US$ 476 milhões e permanecerá como acionista majoritária da companhia.
O que é Chapter 11?
O Chapter 11 é uma modalidade de recuperação prevista pela legislação dos Estados Unidos.
Na prática, ele permite que uma companhia obtenha proteção contra determinadas ações de seus credores enquanto apresenta e negocia um plano para reorganizar suas obrigações.
Por isso, o pedido da Braskem Idesa não significa que a empresa tenha encerrado suas atividades.
A expectativa é que as operações continuem normalmente durante o processo, enquanto a estrutura financeira é reorganizada.
A Braskem pode ser afetada pelo processo nos Estados Unidos?
Sim.
A Braskem é acionista da Braskem Idesa e, portanto, possui interesse direto no sucesso da reestruturação da companhia mexicana.
O aporte de US$ 476 milhões representa uma saída relevante de recursos justamente em um momento no qual a própria Braskem enfrenta pressão financeira e negocia com seus credores.
Ao mesmo tempo, uma redução significativa da dívida da Braskem Idesa pode aliviar a situação financeira da joint venture no médio prazo.
O mercado, portanto, precisa avaliar os dois lados da operação: o custo imediato para a Braskem e o potencial benefício de uma empresa menos endividada no futuro.
Por que a situação financeira da Braskem preocupa?
A petroquímica enfrenta uma combinação de fatores negativos.
A empresa possui uma estrutura de dívida elevada, enquanto o setor petroquímico passa por um período de pressão sobre margens e demanda. A companhia também carrega impactos financeiros relacionados ao caso das minas de sal em Alagoas.
A deterioração do crédito começou a aparecer de forma mais clara nas avaliações das agências de classificação de risco.
A S&P Global Ratings já havia colocado a Braskem em classificação de inadimplência, enquanto a Fitch também vinha reduzindo suas avaliações sobre a companhia.
Agora, com a classificação RD, a pressão sobre a empresa ganha um novo capítulo.
O que pode acontecer com a dívida da Braskem?
A companhia negocia com credores alternativas para reorganizar seus compromissos.
Entre as possibilidades estão uma renegociação dos vencimentos, alterações nas condições das dívidas, venda de ativos e novos aportes de capital.
Uma solução negociada fora de um processo de recuperação judicial seria, em princípio, menos disruptiva para as operações. No entanto, as condições desse acordo serão determinantes para definir quanto da dívida será preservado, renegociado ou eventualmente convertido.
Também será necessário observar como os diferentes grupos de credores serão tratados.
O que isso significa para quem tem BRKM3?
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Para o acionista, o principal problema neste momento é a incerteza.
Uma empresa com dívida elevada, classificação de crédito deteriorada e negociações com credores pode sofrer forte volatilidade na Bolsa.
Isso não significa que BRKM3 necessariamente deixará de ser negociada ou que o acionista perderá todo o dinheiro investido. Também não significa que a Braskem esteja automaticamente perto de falir.
Por outro lado, uma eventual reestruturação pode alterar de maneira significativa a posição dos acionistas. Dependendo do acordo, podem ocorrer aportes de capital, venda de ativos ou outras medidas capazes de afetar o valor econômico das ações.
Por isso, uma cotação próxima das mínimas históricas não deve ser interpretada simplesmente como uma oportunidade porque “a ação está barata”. O preço também reflete o risco elevado associado à situação financeira da companhia.
As ações da Braskem podem continuar caindo?
Sim.
Enquanto não houver uma definição clara para a reestruturação da dívida, BRKM3 pode continuar apresentando oscilações fortes.
O comportamento das ações dependerá principalmente de quatro fatores: o acordo com os credores, a evolução da situação financeira da Braskem, o resultado da reestruturação da Braskem Idesa e a capacidade da companhia de gerar caixa.
Uma solução considerada favorável pelo mercado poderia reduzir parte da pressão sobre os papéis.
Por outro lado, dificuldades nas negociações ou a necessidade de medidas mais duras para preservar o caixa poderiam aumentar ainda mais a percepção de risco.
Qual é o próximo passo para a Braskem?
Os próximos dias serão importantes para a companhia.
A Braskem precisa avançar nas negociações com os credores enquanto sua proteção judicial continua válida. O mercado também deve acompanhar o desenvolvimento do processo da Braskem Idesa nos Estados Unidos.
A conclusão do Chapter 11 da joint venture poderá dar maior visibilidade sobre o impacto da operação para a Braskem.
No Brasil, uma eventual solução para a dívida será ainda mais relevante. O principal objetivo será descobrir se a empresa conseguirá chegar a um acordo que preserve sua operação sem necessidade de uma recuperação judicial.
O que o investidor deve acompanhar agora?

Quem acompanha BRKM3 deve prestar atenção principalmente aos comunicados oficiais da companhia e aos documentos enviados à B3 e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os pontos mais importantes são:
- evolução das negociações com os credores;
- prazo e decisões relacionadas à tutela cautelar;
- condições da reestruturação da dívida;
- eventuais aportes de capital;
- venda de ativos;
- situação da Braskem Idesa;
- novas avaliações das agências de risco;
- impacto da reestruturação sobre os acionistas.
A cotação diária, sozinha, não será suficiente para entender o futuro da companhia. O que pode definir o comportamento da ação será principalmente a estrutura financeira que surgir das negociações.
Conclusão
A queda das ações da Braskem na B3 ocorre em um momento de forte pressão financeira sobre a petroquímica. O rebaixamento da Fitch para RD aumentou a percepção de risco, enquanto o pedido de Chapter 11 da Braskem Idesa mostrou que as dificuldades também atingem uma das principais operações internacionais ligadas à companhia.
Apesar da gravidade do quadro, a Braskem não entrou em recuperação judicial no Brasil. A empresa continua negociando com credores sob uma proteção cautelar temporária.
Para os acionistas, o momento exige cautela. O futuro de BRKM3 dependerá principalmente da solução encontrada para a dívida, da capacidade de geração de caixa e dos impactos da reestruturação da Braskem Idesa. Até que esses pontos sejam esclarecidos, a ação tende a permanecer entre os papéis de maior risco da Bolsa brasileira.



