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Novas regras do Pix ampliam rastreamento de transferências e recuperação de dinheiro

Banco Central reforça a segurança do Pix com melhorias no MED, rastreamento de valores e novas ações contra fraudes.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Novas regras do Pix ampliam rastreamento de transferências e recuperação de dinheiro

O Banco Central (BC) continua ampliando as medidas de segurança do Pix para dificultar a ação de golpistas e aumentar as chances de recuperação do dinheiro enviado em operações fraudulentas. Entre as principais mudanças está o aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta utilizada para contestar transferências realizadas em casos de fraude, golpe ou crime.

As novas regras buscam enfrentar uma das principais dificuldades encontradas pelas vítimas: a rápida transferência do dinheiro para outras contas após o golpe. Em vez de os recursos permanecerem apenas na primeira conta que recebeu o Pix, criminosos costumam movimentar os valores rapidamente para dificultar bloqueios e devoluções.

O BC já vem aperfeiçoando o sistema para permitir o rastreamento de possíveis caminhos percorridos pelo dinheiro. A medida amplia a capacidade das instituições de identificar contas envolvidas na cadeia da fraude e aumenta as possibilidades de recuperação dos recursos.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Como o novo rastreamento do Pix ajuda vítimas de golpes

Um dos avanços mais importantes do MED é a possibilidade de acompanhar os recursos além da conta originalmente usada para receber o dinheiro.

Imagine, por exemplo, que uma vítima faça um Pix de R$ 5 mil para uma conta controlada por golpistas. Antes que o banco consiga analisar a contestação, o criminoso pode transferir o valor para diversas outras contas. Esse tipo de pulverização reduz a chance de encontrar saldo na primeira conta.

Com o aprimoramento do MED, as instituições financeiras podem identificar possíveis caminhos seguidos pelos recursos e compartilhar essas informações entre os participantes envolvidos. Segundo o Banco Central, a medida foi desenvolvida justamente para elevar a identificação de contas utilizadas em fraudes e melhorar a recuperação dos valores.

O que é o MED e quando ele pode ser usado

O Mecanismo Especial de Devolução é exclusivo para situações específicas. Ele pode ser acionado em casos de fraude, golpe ou crime e também em determinadas falhas operacionais relacionadas ao Pix.

O mecanismo não deve ser usado, por exemplo, para resolver desacordos comerciais, arrependimento após uma compra ou situações em que a pessoa enviou um Pix para a chave errada por falta de conferência dos dados.

A recomendação do BC é agir rapidamente. O usuário pode solicitar o MED à instituição financeira em até 80 dias após a transação, mas a velocidade da comunicação é importante porque aumenta a possibilidade de ainda haver recursos disponíveis para bloqueio e devolução.

Como pedir a devolução pelo MED

O procedimento deve ser iniciado pelo banco ou instituição financeira utilizada para realizar o Pix. As instituições participantes também devem disponibilizar canais digitais para facilitar a contestação de operações suspeitas.

Após o pedido, o caso é analisado pelas instituições envolvidas. Havendo indícios e confirmação de fraude dentro das regras do mecanismo, os valores disponíveis podem ser bloqueados e devolvidos, total ou parcialmente.

É importante destacar que o MED não garante que a vítima receberá todo o dinheiro de volta. A recuperação depende, entre outros fatores, da análise do caso e da existência de recursos nas contas alcançadas pelo procedimento.

Inteligência artificial pode reforçar a prevenção

Além das mudanças já regulamentadas no MED, o Banco Central mantém discussões sobre novos aperfeiçoamentos para a prevenção de fraudes no ecossistema do Pix.

Uma das frentes envolve o uso de informações e tecnologias capazes de ajudar instituições a identificar operações com características incomuns ou maior risco de fraude. Atualmente, as regras do Pix já permitem que transações suspeitas sejam submetidas a um tempo adicional de análise antes da autorização, conforme os critérios regulatórios e os mecanismos internos das instituições.

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Na prática, ferramentas de análise de risco podem observar padrões como comportamento incomum, movimentações fora do perfil do cliente e outros sinais de alerta. O objetivo é permitir uma avaliação adicional antes que uma transferência potencialmente fraudulenta seja concluída.

Novas medidas podem atingir instituições com falhas de segurança

O Banco Central também mantém uma agenda permanente de aprimoramento das regras de participação no Pix e de fiscalização do cumprimento das exigências do sistema.

As normas podem estabelecer obrigações relacionadas à prevenção de fraudes, à comunicação de irregularidades e à verificação da aderência das instituições às regras do Pix. Em 2026, por exemplo, uma atualização do Regulamento do Pix alterou dispositivos ligados ao MED, à participação de instituições e à verificação de conformidade com o regulamento.

Isso significa que a segurança do Pix não depende apenas de cuidados do usuário. As instituições participantes também precisam adotar controles e mecanismos para prevenir fraudes e proteger as operações.

Alertas de fraude e marcação de chaves

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Outro recurso importante é a marcação de fraude. Quando há fundada suspeita de utilização de uma chave, CPF ou CNPJ em atividades fraudulentas, essa informação pode ser compartilhada no sistema entre os participantes do Pix.

Os bancos podem utilizar esses dados em seus processos de prevenção para analisar, limitar, bloquear ou recusar transações, conforme os procedimentos e critérios aplicáveis.

O usuário também pode consultar informações sobre suas chaves Pix e instituições por meio do Registrato, serviço disponibilizado pelo Banco Central. Caso identifique uma marcação que considere indevida, deve procurar a instituição responsável pelo registro para solicitar esclarecimentos.

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