Diante das incertezas do mercado financeiro, muitos investidores brasileiros buscam alternativas capazes de gerar renda previsível e reduzir a volatilidade da carteira. Nesse cenário, as ações pagadoras de dividendos ganham destaque como uma estratégia de longo prazo. Empresas com histórico consistente de distribuição de lucros tendem a atrair investidores interessados em renda passiva e estabilidade.
Carteira de março traz 7 ações focadas em dividendos
Veja as ações pagadoras de dividendos mais indicadas por bancos e corretoras e descubra quais podem gerar renda recorrente.
Nos últimos 12 meses, o IDIV, índice da B3 que acompanha o desempenho médio das empresas que mais distribuem dividendos, registrou valorização de 49,12%, superando diversos indicadores tradicionais do mercado. O resultado reforça o interesse por companhias com geração de caixa robusta e políticas claras de remuneração ao acionista.
Levantamento feito com base em carteiras recomendadas por bancos e corretoras brasileiras aponta sete ações com forte potencial de dividendos para março. As indicações refletem análises de instituições como XP, BTG Pactual, Santander, Itaú BBA, Ágora Investimentos e outras casas do mercado.
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O que são ações pagadoras de dividendos
Ações de dividendos são papéis de empresas que distribuem parte de seus lucros aos acionistas. No Brasil, a legislação determina que companhias abertas listadas na bolsa devem distribuir uma parcela mínima do lucro líquido, conforme previsto em seu estatuto social.
Esses pagamentos podem ocorrer de duas formas principais:
Dividendos
São parcelas do lucro distribuídas diretamente aos acionistas. No Brasil, os dividendos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que aumenta sua atratividade.
Juros sobre capital próprio (JCP)
Outra forma de remuneração ao investidor, os juros sobre capital próprio têm tributação de 15% na fonte. Mesmo assim, continuam sendo amplamente utilizados pelas empresas.
Dividend yield
O principal indicador utilizado pelos investidores é o dividend yield (DY), que mede o retorno anual em dividendos em relação ao preço da ação.
Exemplo prático:
Se uma ação custa R$ 100 e paga R$ 10 em dividendos ao longo do ano, seu dividend yield é de 10%.
Ranking das ações de dividendos mais indicadas
Com base nas recomendações de corretoras e bancos brasileiros, estas foram as empresas mais indicadas para investidores focados em dividendos.
| Ação | Recomendações | Dividend yield em 12 meses |
|---|---|---|
| Petrobras (PETR4) | 7 | 9,07% |
| Axia Energia (AXIA3) | 6 | 11,88% |
| Allos (ALOS3) | 5 | 11,88% |
| Telefônica Brasil (VIVT3) | 4 | 4,52% |
| BB Seguridade (BBSE3) | 4 | 11,98% |
| Cury (CURY3) | 4 | 20,69% |
| Copel (CPLE3) | 4 | 13,72% |
As recomendações consideram fatores como geração de caixa, estabilidade dos lucros, endividamento e política de distribuição de proventos.
Petrobras continua líder em dividendos
A Petrobras permanece como a empresa mais citada nas carteiras recomendadas para investidores interessados em dividendos.
Segundo analistas da Terra Investimentos, a estatal apresenta baixo custo de extração de petróleo, o que permite margens elevadas e forte geração de caixa. Esse cenário sustenta a distribuição de dividendos relevantes aos acionistas.
Outro ponto destacado é o valuation considerado atrativo por parte do mercado. Mesmo após períodos de volatilidade ligados ao preço do petróleo e decisões políticas, a companhia continua sendo vista como uma das principais pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.
Além disso, a Petrobras possui histórico recente de distribuições bilionárias, o que reforça sua reputação entre investidores que buscam renda.
Axia Energia ganha espaço nas carteiras
A Axia Energia aparece como uma das novidades entre as ações indicadas para dividendos.
A empresa passou a integrar a carteira recomendada da XP Investimentos com base em uma tese que combina:
- potencial de valorização
- valuations considerados atrativos
- fluxo crescente de capital estrangeiro
O setor elétrico costuma ser tradicionalmente associado a dividendos elevados, já que empresas de geração e transmissão possuem receitas relativamente previsíveis.
Allos aposta em dividendos mensais
A Allos tem atraído a atenção do mercado após anunciar uma política de remuneração ao acionista que prevê pagamentos mensais de dividendos.
Segundo análise da Ágora Investimentos, a empresa deve pagar entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação por mês, o que representa retorno anual próximo de 11%.
A política é considerada sustentável até 2028, sustentada por:
- cerca de R$ 2,1 bilhões em reservas de lucro
- alavancagem financeira controlada
- fluxo de caixa recorrente
Esse modelo de pagamentos frequentes costuma atrair investidores que buscam renda constante.
Telefônica Brasil mantém perfil defensivo
A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, continua sendo vista como uma empresa sólida dentro do mercado de telecomunicações.
Analistas do Santander destacam que a companhia deve continuar apresentando resultados consistentes em 2026, com potencial de revisão positiva no lucro por ação e no volume de dividendos.
Outro fator importante é o perfil defensivo do setor. Serviços de telecomunicações costumam manter demanda estável mesmo em cenários econômicos desafiadores.
BB Seguridade se beneficia de juros elevados
A BB Seguridade aparece com frequência nas carteiras de dividendos por seu modelo de negócios altamente lucrativo.
O ambiente de taxas de juros elevadas no Brasil, impulsionado pela política monetária do Banco Central, favorece os resultados da companhia.
Segundo analistas, o cenário contribui para:
- aumento das receitas financeiras
- maior rentabilidade das reservas
- geração consistente de caixa
Como resultado, a empresa mantém uma política sólida de distribuição de dividendos, o que reforça seu apelo para investidores focados em renda.
Cury apresenta dividend yield elevado
Entre as empresas da lista, a construtora Cury apresenta um dos maiores dividend yields.
Segundo o Santander, a companhia apresenta fundamentos sólidos, com destaque para:
- crescimento consistente dos lucros
- retorno sobre patrimônio líquido elevado
- forte atuação no segmento de habitação popular
A expectativa é que o ROE alcance cerca de 80% em 2026, refletindo a eficiência do modelo de negócios da empresa.
Além disso, o valuation ainda é considerado atrativo por parte dos analistas.
Copel mantém foco em geração de valor
A Copel também aparece entre as ações mais recomendadas para dividendos após sua privatização.
Analistas do BTG Pactual destacam que a empresa vem cumprindo suas metas estratégicas e passou a adotar uma política clara de distribuição de dividendos.
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Outro fator positivo é o cenário de preços mais elevados de energia elétrica, que pode favorecer os resultados da companhia no médio prazo.
Empresas do setor elétrico costumam ser vistas como boas pagadoras de dividendos devido à previsibilidade de receitas e à maturidade do setor.
Por que investidores buscam ações de dividendos
A estratégia de investir em empresas pagadoras de dividendos tem ganhado força no Brasil por diversos motivos.
Renda passiva
Dividendos podem gerar fluxo de renda recorrente para o investidor, especialmente em estratégias de longo prazo.
Proteção contra volatilidade
Empresas que distribuem dividendos costumam ter modelos de negócios mais maduros e estáveis.
Reinvestimento de lucros
Investidores podem reinvestir os dividendos recebidos, aumentando o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
Isenção de imposto
No Brasil, dividendos distribuídos por empresas são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Como escolher boas ações de dividendos
Investidores iniciantes devem observar alguns critérios antes de investir em empresas pagadoras de dividendos.
Histórico de pagamentos
Empresas com histórico consistente de distribuição tendem a oferecer maior previsibilidade.
Geração de caixa
Dividendos dependem diretamente da capacidade da empresa de gerar lucro e caixa.
Endividamento
Companhias com alto nível de dívida podem ter dificuldade em manter pagamentos elevados.
Sustentabilidade dos dividendos
Dividend yields muito altos podem indicar riscos ou pagamentos pontuais.
Conclusão
As ações pagadoras de dividendos continuam sendo uma alternativa atrativa para investidores que buscam renda recorrente e maior previsibilidade na carteira. O desempenho recente do IDIV reforça o interesse do mercado por empresas com forte geração de caixa e políticas consistentes de distribuição de lucros.
Entre as companhias mais indicadas por bancos e corretoras estão Petrobras, Axia Energia, Allos, Telefônica Brasil, BB Seguridade, Cury e Copel. Cada uma delas apresenta características específicas que podem atender diferentes perfis de investidores.
Apesar do potencial de renda, especialistas reforçam que a escolha de ações deve considerar análise fundamentalista, diversificação e horizonte de investimento de longo prazo.
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