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Balanços pressionam TIM e Vivo, que têm as maiores perdas do Ibovespa

Ações de TIM e Vivo recuam após balanços do 2º trimestre. Mercado avalia lucros, margens, caixa e cenário competitivo das operadoras.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
Balanços pressionam TIM e Vivo, que têm as maiores perdas do Ibovespa

As ações de duas das maiores empresas de telecomunicações do Brasil, TIM e Telefônica Brasil, dona da Vivo, registraram fortes quedas na bolsa após a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. O movimento chamou atenção porque ocorreu em um dia de desempenho positivo para o mercado acionário brasileiro, indicando que a reação negativa esteve ligada principalmente à interpretação dos investidores sobre os balanços apresentados.

Os papéis da Vivo (VIVT3) encerraram o pregão com queda de 6%, enquanto as ações da TIM (TIMS3) recuaram 5,8%. Apesar dos resultados mostrarem crescimento de lucro e geração operacional relevante, analistas avaliaram que os números não trouxeram novos elementos capazes de impulsionar uma reavaliação positiva das companhias.

O episódio reforça uma característica comum do mercado de capitais: uma empresa pode apresentar crescimento financeiro e, ainda assim, ter suas ações pressionadas quando os investidores esperavam resultados melhores ou enxergam riscos futuros.

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Imagem: Divulgação/Vivo

Resultados da TIM mostram crescimento, mas sem grandes surpresas

A TIM apresentou lucro líquido normalizado de R$ 1,04 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 6,2% na comparação anual.

O Ebitda normalizado, indicador utilizado pelo mercado para avaliar o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 3,59 bilhões, crescimento de 7% em relação ao mesmo período anterior.

Apesar dos números positivos, a avaliação predominante entre as casas de análise foi de que o trimestre ficou dentro do esperado, sem novidades que justificassem uma valorização imediata do papel.

O BTG Pactual, que mantém recomendação de compra para a ação, classificou o resultado como um trimestre sem grandes surpresas. A análise destacou que o Ebitda ficou levemente acima das projeções, enquanto a receita veio um pouco abaixo das expectativas.

Já o Itaú BBA avaliou o desempenho como amplamente alinhado às previsões, mas chamou atenção para alguns pontos de preocupação, principalmente relacionados ao ritmo do negócio móvel e à evolução das margens.

Desaceleração do segmento móvel preocupa investidores

Um dos principais fatores observados pelos analistas foi a desaceleração do crescimento da receita de serviços móveis da TIM.

O avanço anual foi de 4,6% no segundo trimestre, abaixo dos 5,6% registrados no primeiro trimestre.

O mercado acompanha esse indicador porque a telefonia móvel continua sendo uma das principais fontes de receita das operadoras. Uma redução no ritmo de crescimento pode indicar maior dificuldade para conquistar novos clientes ou elevar o consumo dos atuais usuários.

Outro ponto analisado foi o desempenho do pós-pago tradicional, que perdeu velocidade no período.

A receita média por usuário, conhecida como ARPU, também apresentou crescimento mais limitado, indicando que a expansão de faturamento por cliente enfrenta desafios em um mercado com alta concorrência.

Inadimplência e fibra entram no radar dos analistas

A TIM também apresentou aumento nas despesas relacionadas à inadimplência, que cresceram 38,1% na comparação anual.

Segundo análises de mercado, parte desse avanço esteve relacionada a um efeito pontual envolvendo um cliente do segmento corporativo e atacado.

Mesmo assim, o indicador passou a ser acompanhado com maior atenção, principalmente porque empresas de telecomunicações dependem de uma base ampla de clientes e precisam equilibrar crescimento comercial com qualidade da receita.

A operação de fibra óptica, considerada um dos motores de expansão da companhia, também apresentou desaceleração.

O crescimento foi de 9,5%, contra 11,4% no trimestre anterior.

Embora continue representando uma área estratégica, a redução do ritmo indica que o segmento pode enfrentar uma fase de crescimento mais moderado.

Analistas apontam possível oportunidade após queda das ações

A forte desvalorização recente abriu uma discussão entre investidores sobre o preço atual das ações da TIM.

O BTG Pactual avaliou que a queda acumulada desde o pico do ano tornou os papéis mais atrativos, especialmente considerando o potencial de pagamento de dividendos.

Segundo a análise do banco, a companhia poderia entregar retorno em dividendos equivalente a cerca de 10,5% do valor da ação em 2026, além de uma geração de caixa livre próxima de 12%.

Para os analistas, esses fatores podem compensar parte das preocupações relacionadas ao ambiente competitivo.

No entanto, o mercado continua avaliando os riscos de uma possível intensificação da disputa entre as grandes operadoras brasileiras.

Presidente da TIM atribui queda ao medo de maior competição

O presidente da TIM, Alberto Griselli, afirmou que a reação negativa da bolsa não estaria diretamente relacionada ao desempenho financeiro apresentado no trimestre.

Segundo o executivo, o movimento reflete principalmente uma mudança na percepção dos investidores sobre o cenário competitivo do setor.

A avaliação da empresa é que o mercado passou a considerar a possibilidade de uma nova fase de maior disputa comercial entre as operadoras.

Nos últimos anos, o setor vinha sendo marcado por uma estratégia de maior disciplina, com foco em qualidade dos serviços, expansão do 5G e melhoria da experiência do consumidor.

Para Griselli, a preocupação atual dos investidores está relacionada ao receio de que esse equilíbrio seja alterado por campanhas comerciais mais agressivas.

Vivo entrega receita forte, mas decepciona em lucro e geração de caixa

No caso da Telefônica Brasil, dona da Vivo, o balanço apresentou uma combinação de indicadores positivos e pontos de atenção.

A empresa registrou lucro líquido de R$ 1,57 bilhão, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Ebitda alcançou R$ 6,58 bilhões, avanço de 10,9%.

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A receita líquida total chegou a R$ 15,76 bilhões, alta de 7,6%, superando algumas projeções do mercado.

O desempenho da receita de serviços móveis também chamou atenção positivamente. O crescimento foi de 6,6%, considerado o melhor resultado entre as principais operadoras brasileiras.

Segundo análises de bancos, a Vivo foi a única grande empresa do setor que não apresentou desaceleração nesse indicador durante o trimestre.

Lucro abaixo das expectativas pesa na avaliação da Vivo

Apesar do crescimento operacional, investidores demonstraram preocupação com alguns números abaixo do esperado.

O Itaú BBA avaliou que a receita de serviços móveis foi forte, mas o lucro líquido ficou aquém das projeções.

O Ebitda superou levemente as estimativas, porém parte desse resultado foi influenciada por receitas extraordinárias relacionadas à venda de ativos da antiga concessão de telefonia fixa.

Sem esse efeito, a margem operacional teria ficado abaixo das expectativas dos analistas.

Outro ponto negativo foi a pressão causada por maiores despesas de depreciação, amortização e uma carga tributária superior ao previsto.

Fluxo de caixa da Vivo diminui no trimestre

Um dos principais pontos de atenção para investidores foi a redução da geração de caixa livre da Vivo.

O indicador caiu 10,7% no trimestre, ficando em R$ 2,66 bilhões.

A queda ocorreu mesmo com o crescimento do lucro, principalmente devido ao aumento no pagamento de impostos e menor contribuição do capital de giro.

Os impostos pagos avançaram 44,4% no período, pressionando a capacidade de geração de caixa.

Além disso, os investimentos da companhia, conhecidos como capex, chegaram a R$ 2,59 bilhões, valor 6% acima das projeções de algumas instituições financeiras.

Setor de telecomunicações enfrenta novo desafio competitivo

TIM
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A reação negativa às ações de TIM e Vivo mostra que o mercado está menos preocupado apenas com crescimento de receita e lucro, e mais atento à sustentabilidade dos resultados.

O setor brasileiro de telecomunicações passou por importantes mudanças nos últimos anos, incluindo a expansão do 5G, consolidação de ativos e aumento da busca por serviços digitais.

Agora, investidores avaliam se as empresas conseguirão manter margens elevadas em um ambiente com maior disputa por clientes.

A competição pode trazer benefícios para consumidores, com mais ofertas e melhores serviços, mas representa um desafio para as companhias preservarem rentabilidade.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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