O adicional de periculosidade é um direito garantido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para profissionais que atuam sob condições perigosas. Ele visa compensar financeiramente aqueles que se expõem a riscos constantes no exercício da sua profissão.
Adicional de periculosidade: descubra quem tem direito e quanto pode receber a mais no salário
Descubra quem tem direito ao adicional de periculosidade, como é feito o cálculo e quais profissões recebem. Veja todos os detalhes aqui!!!
Mais do que um valor extra, trata-se de uma medida de proteção e reconhecimento da importância de preservar a saúde e a segurança no trabalho. O benefício pode representar até 30% a mais no salário, dependendo da atividade exercida.

LEIA MAIS:
- Aposentadoria do INSS: saiba como comprovar periculosidade
- Quais profissões dão direito aos adicionais de insalubridade e periculosidade?
- Como o adicional de periculosidade funciona? E quais atividades dão direito?
O que é o adicional de periculosidade?
O adicional de periculosidade é uma compensação obrigatória, prevista por lei, para trabalhadores que atuam em atividades que envolvem riscos à integridade física. Esses riscos devem ser constantes e não eventuais, sendo necessário comprovar sua existência por meio de laudo técnico elaborado por um profissional habilitado.
O benefício é pago mensalmente e sua base de cálculo é o salário-base do trabalhador, sem incluir adicionais como horas extras ou comissões. Ele não substitui o uso de EPIs ou outras medidas de segurança, que seguem sendo obrigatórias para o empregador.
O que caracteriza a periculosidade?
Risco contínuo e iminente
Para que uma atividade seja considerada perigosa, é necessário que o trabalhador esteja continuamente exposto a situações de risco real. Isso inclui:
- Contato com produtos inflamáveis ou explosivos
- Exposição à alta tensão elétrica
- Utilização profissional de motocicletas
- Atuação em áreas com risco de violência
Profissões com maior incidência
Algumas profissões são frequentemente enquadradas como perigosas, entre elas:
- Eletricistas
- Frentistas de postos de combustíveis
- Vigilantes armados
- Motoboys e entregadores
O que diz a legislação sobre o tema?
Fundamento legal: Artigo 193 da CLT
O artigo 193 da CLT define que o adicional de periculosidade é devido aos trabalhadores expostos a:
- Inflamáveis e explosivos
- Energia elétrica
- Atividades de segurança pessoal ou patrimonial
- Motocicletas, conforme regulamentação específica
Obrigatoriedade de laudo técnico
A caracterização da atividade como perigosa depende de uma perícia técnica, realizada por um engenheiro de segurança ou médico do trabalho. Sem esse documento, não há respaldo legal para o pagamento do adicional.
Quem tem direito ao adicional de periculosidade?
Profissionais elegíveis
O direito se aplica a trabalhadores da iniciativa privada e, em alguns casos, a servidores públicos. Os principais grupos contemplados incluem:
Eletricistas
Trabalhadores que atuam em redes energizadas ou equipamentos de alta tensão.
Frentistas e operadores de inflamáveis
Profissionais que lidam diretamente com combustíveis e produtos químicos perigosos.
Motociclistas profissionais
Quem utiliza a motocicleta para trabalhar, como entregadores, tem direito ao adicional desde 2014, com base na Portaria 1.565 do MTE.
Vigilantes armados
Em função do risco constante de confronto e violência, esses profissionais têm o direito reconhecido pela Justiça do Trabalho.
Como é feito o cálculo do adicional?
Percentual fixo sobre o salário-base
A legislação determina que o valor do adicional corresponde a 30% sobre o salário-base. Isso significa que benefícios, bônus e gratificações não entram na conta.
Exemplo prático:
- Salário-base: R$ 2.000,00
- Adicional (30%): R$ 600,00
- Total com adicional: R$ 2.600,00
Observações importantes:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- O valor deve ser pago enquanto persistir o risco.
- Não pode ser substituído por folgas ou bonificações.
- A alteração de função deve ser formalizada para cessar o pagamento.
A importância do contracheque
O trabalhador deve sempre verificar o contracheque para garantir que o valor está sendo pago corretamente. Caso contrário, deve procurar o RH da empresa ou o sindicato da categoria.
Em caso de inadimplência, o colaborador pode acionar a Justiça do Trabalho para reivindicar o direito e até exigir valores retroativos com juros e correção.
Periculosidade garante aposentadoria especial?
Sim, em alguns casos
Profissionais que exercem atividades perigosas por períodos prolongados podem ter direito à aposentadoria especial pelo INSS. Essa categoria prevê o tempo de contribuição reduzido:
- 15 anos: risco extremo
- 20 anos: risco moderado
- 25 anos: risco leve
Documentos exigidos:
- Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP)
- Laudos técnicos
- Comprovantes do adicional
É recomendável consultar um especialista em Direito Previdenciário para garantir a concessão correta do benefício e evitar indeferimentos.
O adicional de periculosidade substitui o de insalubridade?
Não. São direitos diferentes.
O adicional de periculosidade e o adicional de insalubridade não são acumuláveis. O trabalhador tem direito a um ou outro, dependendo das características da função exercida.
Enquanto a periculosidade está ligada ao risco iminente de acidentes, a insalubridade se refere à exposição contínua a agentes nocivos à saúde, como ruídos intensos, produtos químicos ou agentes biológicos.
O adicional de periculosidade é uma conquista importante para o trabalhador brasileiro que atua sob risco constante. Garantido pela legislação trabalhista, ele valoriza financeiramente atividades que exigem coragem, preparo técnico e muitas vezes envolvem ameaça real à vida.

Saber quem tem direito, como é feito o cálculo e quais documentos são necessários é fundamental para garantir que esse benefício seja corretamente concedido. O acompanhamento do contracheque e o suporte jurídico, quando necessário, também são aliados valiosos nesse processo.
Em tempos em que a segurança no trabalho ganha cada vez mais relevância, a correta aplicação do adicional de periculosidade é um passo essencial para proteger, reconhecer e valorizar quem arrisca a própria integridade para cumprir sua função.
Pode ser do seu interesse:
