A Orleans Viagens e Turismo, empresa com sede em São Bernardo do Campo (SP), está no centro das investigações da Polícia Federal sobre fraudes em descontos indevidos no INSS. No entanto, além de sua ligação com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), a agência também mantém estreitas relações contratuais com o Exército Brasileiro.
Agência envolvida em investigação do INSS tem ligação com o Exército
Agência investigada por fraude no INSS tem 13 contratos com o Exército desde 2019, somando mais de R$ 3,3 milhões.
Entre 2019 e 2024, a empresa firmou 13 contratos com o Exército, após licitações conduzidas pelo Ministério da Defesa. O valor total ultrapassa R$ 3,3 milhões — cinco desses acordos ainda estão vigentes.
Contratos firmados com o Exército levantam novos questionamentos

13 contratos em cinco anos com recursos públicos
Os contratos entre a Orleans e o Exército tiveram início em fevereiro de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e continuaram no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com dados do Portal da Transparência, os serviços prestados envolvem agenciamento de viagens, incluindo aquisição de passagens aéreas e rodoviárias para militares.
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O maior contrato firmado pela Orleans Viagens tem um valor de R$ 2,2 milhões. Apesar de estar sendo investigada por movimentações financeiras suspeitas, alguns desses contratos continuam em vigor.
Investigação da PF revela movimentações financeiras incompatíveis
O inquérito conduzido pela Polícia Federal apura repasses de R$ 5,2 milhões feitos pela Contag à Orleans Viagens. A entidade, por sua vez, é investigada por aplicar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo a PF, não há justificativa legal ou contratual para o valor transferido.
No período de 2018 a 2025, a Orleans Viagens adquiriu 16 salas comerciais localizadas em São Bernardo do Campo e um apartamento em Diadema. A empresa também incluiu em seu patrimônio 12 veículos de alto luxo.
A discrepância entre o faturamento declarado pela empresa e o patrimônio acumulado gerou suspeitas por parte dos investigadores. A Polícia Federal levanta a hipótese de que a Orleans Viagens tenha sido utilizada como intermediária para movimentar valores em favor de terceiros, ocultando a origem ilícita desses recursos.
Orleans também atuou junto ao Ministério da Educação
Além do Exército, a Orleans Viagens venceu licitações junto ao Ministério da Educação. Foram ao menos três contratos firmados, um deles ainda em vigor no valor de R$ 610 mil.
Embora os processos licitatórios tenham seguido ritos legais, os investigadores observam um padrão de atuação que inclui órgãos públicos estratégicos e valores vultosos.
O que diz a Orleans Viagens e Turismo
Em comunicado enviado à imprensa, a Orleans Viagens e Turismo destacou sua experiência de mais de uma década no mercado de turismo, atendendo tanto pessoas físicas quanto empresas privadas e entidades públicas.
A empresa ressaltou que todos os contratos realizados foram cumpridos integralmente, com o envio adequado de faturas, relatórios e a devida prestação de contas. A Orleans afirmou que todos os serviços prestados seguiram rigorosamente o que foi estabelecido nos contratos, com total transparência em todas as etapas.
Exército e Ministério da Defesa ainda não se pronunciaram
Até o momento, nem o Exército Brasileiro nem o Ministério da Defesa comentaram as informações sobre a continuidade de contratos com a Orleans Viagens, mesmo após o início das investigações.
Especialistas em direito administrativo afirmam que, mesmo com suspeitas, uma empresa só pode ser impedida de contratar com a administração pública após condenação judicial ou aplicação de sanção formal por parte dos órgãos de controle.
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Contexto mais amplo: o escândalo das fraudes no INSS

A Polícia Federal deflagrou, em abril de 2024, uma operação para desarticular um esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios do INSS. A suspeita é que aposentados e pensionistas estivessem sendo cobrados por filiações ou serviços não solicitados, com os valores sendo repassados para entidades como a Contag.
A investigação já identificou gastos de mais de R$ 35 milhões com a aquisição de 47 imóveis por investigados. Parte do dinheiro, segundo a PF, teria circulado por empresas como a Orleans Viagens.
FAQ
O que diz a Polícia Federal sobre a empresa?
A PF afirma que a empresa recebeu valores “exorbitantes” e sem justificativa da Contag, suspeitando de lavagem de dinheiro e intermediação de recursos desviados do INSS.
A empresa pode continuar firmando contratos com o governo?
Sim, até que haja condenação judicial ou sanção administrativa, a empresa pode legalmente participar de licitações públicas.
Considerações finais
O futuro da Orleans Viagens e Turismo, bem como das empresas ligadas a ela, dependerá da conclusão das investigações e das possíveis implicações legais, que podem incluir desde a suspensão de contratos até o bloqueio de bens. O episódio, portanto, é um alerta para a necessidade de reforçar a transparência nas contratações governamentais e garantir que a legalidade seja respeitada em todos os níveis.
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