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Professor do Insper prevê alta do desemprego e desaceleração da economia a partir de 2027

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
economia 2027

O próximo ciclo de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá enfrentar um dos maiores desafios da economia brasileira: equilibrar as contas públicas sem comprometer o emprego, a renda e o crescimento econômico. A avaliação é do economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da Universidade de São Paulo (USP), que vê a necessidade de mudanças na política fiscal para evitar pressões inflacionárias e novas altas dos juros.

Na análise do especialista, a continuidade do crescimento das despesas públicas sem medidas para garantir a sustentabilidade fiscal pode aumentar o endividamento, dificultar investimentos e pressionar o custo do crédito. O desafio será definir como realizar esse ajuste sem provocar uma desaceleração excessiva da atividade econômica.

Ao mesmo tempo, o economista avalia que o Brasil precisa avançar em áreas estruturais, como educação, produtividade, ambiente de negócios e concorrência. Para ele, o país corre o risco de permanecer preso a um ritmo de crescimento moderado caso não consiga superar esses obstáculos.

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Ajuste fiscal pode desacelerar o mercado de trabalho

Brasil
Imagem: Shutterstock

O Brasil chegou a um período de desemprego historicamente baixo, acompanhado pelo aumento dos rendimentos em diferentes segmentos do mercado de trabalho. Entretanto, o elevado endividamento das famílias limita o poder de compra e reduz a capacidade de consumo de parte da população.

Naercio Menezes Filho considera que o ajuste fiscal deverá influenciar o desempenho do emprego nos próximos anos. A redução do ritmo de expansão dos gastos públicos pode diminuir o impulso que as despesas governamentais exercem sobre a renda e a atividade econômica.

A intensidade desse efeito dependerá das medidas adotadas. Um corte abrupto de despesas pode provocar uma contração mais forte, enquanto mudanças graduais nas regras de gastos e nos mecanismos de financiamento do Estado tendem a permitir uma adaptação menos traumática.

Na prática, uma desaceleração econômica pode afetar contratações, investimentos empresariais e oportunidades de trabalho. Famílias endividadas também podem sentir os efeitos caso o crédito continue caro e o crescimento da renda perca força.

Produtividade é um dos principais desafios do Brasil

Além das contas públicas, a baixa produtividade está entre os fatores que dificultam o crescimento sustentável da economia brasileira. O indicador mede, entre outros aspectos, a capacidade de produzir mais utilizando os mesmos recursos e horas de trabalho.

Para o economista, melhorar a educação é essencial para mudar esse cenário. Investimentos na primeira infância, no atendimento de saúde, na ampliação do acesso a creches de qualidade e na formação escolar podem elevar a qualificação dos trabalhadores ao longo do tempo.

O efeito, porém, não é imediato. A melhoria da educação exige políticas contínuas e resultados que aparecem gradualmente, à medida que novas gerações chegam ao mercado de trabalho mais bem preparadas.

Reforma tributária e concorrência podem estimular empresas

A simplificação do sistema tributário também pode contribuir para melhorar o ambiente de negócios. Com regras mais claras e menos complexidade no cumprimento das obrigações fiscais, empresas podem reduzir custos administrativos e organizar melhor suas operações.

Outro ponto destacado é a necessidade de rever benefícios tributários e subsídios que não apresentem resultados econômicos proporcionais aos recursos públicos utilizados.

Na avaliação do professor, a concorrência estimula as empresas a inovar, adotar tecnologias e melhorar seus processos. Quando negócios dependem excessivamente de incentivos governamentais, pode haver menos estímulo para buscar eficiência e desenvolver produtos competitivos.

Juros elevados dificultam investimentos e crescimento

A expansão da capacidade produtiva depende de investimentos em máquinas, equipamentos, infraestrutura e tecnologia. No entanto, os juros elevados tornam mais caro financiar projetos, especialmente para pequenas e médias empresas.

O endividamento das famílias também limita a disponibilidade de recursos para consumo e poupança. Ao mesmo tempo, a restrição fiscal reduz a margem do governo para ampliar investimentos públicos sem pressionar as contas.

Esse conjunto de fatores cria um ciclo difícil de romper: o crédito caro desestimula investimentos, a baixa formação de capital limita os ganhos de produtividade e o crescimento econômico perde força.

Para mudar essa trajetória, o país precisa combinar estabilidade fiscal, melhores condições de financiamento, educação de qualidade e maior segurança para decisões empresariais de longo prazo.

Fim da escala 6×1 pode beneficiar trabalhadores

Escala 6x1 20
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Em relação à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1, o economista demonstra uma visão mais favorável. Na sua avaliação, previsões de consequências econômicas extremamente negativas podem ser exageradas, embora as empresas precisem adaptar suas operações às novas regras.

A mudança pode proporcionar mais tempo de descanso, convivência familiar e recuperação física e mental. Esses fatores também podem contribuir para reduzir afastamentos e melhorar o desempenho profissional.

Para setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, alimentação e serviços, a implementação pode exigir reorganização de turnos, novas contratações ou mudanças nos horários de atendimento.

O resultado econômico dependerá das regras efetivamente estabelecidas, dos prazos de adaptação e das características de cada atividade. Por isso, os impactos sobre custos, preços e produtividade precisam ser avaliados conforme a aplicação concreta da medida.

Tributação dos mais ricos e futuro dos benefícios sociais

A redução da desigualdade também aparece entre os pontos centrais da análise. Menezes Filho defende maior participação dos contribuintes de renda elevada no financiamento do Estado, incluindo a discussão sobre a tributação de dividendos e rendimentos do capital.

A lógica é ampliar a arrecadação de forma mais progressiva, reduzindo diferenças na distribuição da carga tributária e criando condições para financiar políticas públicas.

Em contrapartida, o professor avalia que o país precisa rever o ritmo de expansão das transferências de renda. Na sua visão, não seria necessariamente preciso retirar benefícios existentes, mas estabelecer critérios mais consistentes para evitar que novas despesas permanentes sejam criadas sem fontes sustentáveis de financiamento.

Programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadorias têm papel importante na proteção social. Qualquer mudança, portanto, envolve consequências diretas para milhões de famílias e exige atenção à renda, à pobreza e à capacidade de financiamento do sistema.

O economista também destaca a revisão de subsídios e benefícios tributários e a discussão sobre remunerações elevadas no setor público. Embora os supersalários possam ter peso fiscal limitado em comparação com outras despesas, o combate a privilégios pode contribuir para a percepção de justiça na distribuição dos sacrifícios.

Imagem: Reprodução

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