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Alta da Selic: o que muda nos juros do seu financiamento?

Alta da Selic já impacta financiamentos imobiliários. Entenda como os juros mais altos afetam o bolso de quem quer comprar imóvel no Brasil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Selic

Como você deve ter acompanhado no noticiário ou mesmo sentido no seu dia a dia (ou claro, um pouco de cada), vivemos hoje um período de juros altos – no Brasil e no mundo. No cenário doméstico, a taxa Selic segue elevada, com perspectivas de chegar a 15% ao ano, segundo projeções do mercado. Mas o que isso representa para quem busca financiar um imóvel?

Nesta análise, mostramos como a alta da Selic já começa a se refletir nas taxas de financiamento imobiliário, qual a defasagem entre o aumento da taxa básica de juros e o repasse para o consumidor e, principalmente, quanto isso pesa no bolso dos brasileiros.

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A Selic em alta e seus desdobramentos

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Imagem: Freepik e Canva

O que é a Selic e por que ela está subindo?

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Ela é utilizada como referência para diversas operações financeiras, inclusive os financiamentos imobiliários.

A elevação da Selic é uma resposta à inflação, que voltou a preocupar economistas e autoridades monetárias desde meados de 2024. Com os preços ainda sob pressão e o cenário fiscal em incerteza, o Banco Central vem adotando uma política monetária mais restritiva, elevando os juros com o objetivo de conter o consumo e reduzir a inflação.

Entenda a defasagem da política monetária

Mesmo com a Selic em trajetória de alta, seus efeitos na economia não são imediatos. Existe um intervalo entre a mudança da taxa básica e o impacto direto sobre os juros pagos pelos consumidores. Esse intervalo é chamado de defasagem da política monetária.

No Brasil, essa defasagem varia entre 3 e 12 meses. No caso específico do financiamento imobiliário, os efeitos de alterações na Selic tendem a ser sentidos cerca de 6 meses após as mudanças. Isso significa que uma elevação na taxa Selic feita hoje só terá impacto mais evidente nas taxas de financiamento imobiliário dentro de meio ano.

Juros altos já são sentidos no crédito imobiliário

Quando o aumento começou a afetar o mercado

A elevação da Selic começou em julho de 2024 e, como era esperado, os efeitos começaram a surgir nos contratos de financiamento imobiliário a partir de novembro do mesmo ano. A partir de então, as instituições financeiras passaram a ajustar suas ofertas de crédito habitacional.

Embora o impacto seja menos acentuado que em outras modalidades de crédito, como cheque especial ou cartão de crédito, o financiamento imobiliário também responde às mudanças na Selic. Isso acontece de forma mais lenta e em menor magnitude, mas ainda assim relevante para o consumidor.

Quanto a Selic impacta o financiamento imobiliário?

Estudos indicam que uma variação de 1 ponto percentual na Selic gera uma alteração de cerca de 0,43 ponto percentual nos juros do crédito imobiliário, no intervalo de seis meses.

Ou seja, mesmo que o aumento na Selic pareça pequeno, seu reflexo no longo prazo pode pesar bastante no custo total do financiamento de um imóvel.

A conta no bolso de quem financia

Selic
Imagem: SaiArLawKa2/Shutterstock.com

Simulação de impacto com base em dados reais

Para ilustrar quanto a alta dos juros afeta o financiamento, realizamos uma simulação com base nas taxas médias praticadas em 2024 e 2025. Consideramos um financiamento de R$500 mil, com prazo de 30 anos, usando a tabela SAC (Sistema de Amortização Constante), que é o modelo mais comum no Brasil.

Taxa de financiamentoJuros total ao longo do período
9,42% ao anoR$ 611.637,96
10,90% ao anoR$ 703.313,61

Com um aumento de 1,48 ponto percentual nas taxas de financiamento, o valor total pago em juros sobe cerca de R$91.675,65 em um único contrato. Isso significa quase 20% a mais em encargos financeiros, apenas pela elevação da taxa.

Comparativo com outras modalidades de crédito

Enquanto o crédito imobiliário reage de forma mais branda à Selic, outros tipos de crédito reagem com intensidade muito maior. Por exemplo, o cheque especial pode registrar variações de até 4 vezes o aumento da Selic ao longo de um ano, segundo o Banco Central. Isso mostra o quanto o crédito imobiliário é mais estável, mas não imune à política de juros.

Tendência para os próximos meses

Selic pode se manter alta até 2026

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A expectativa de que a Selic alcance 15% ao ano até o fim de 2025 reforça a tendência de que os financiamentos imobiliários fiquem mais caros até meados de 2026. Como o efeito da Selic demora cerca de 6 meses para ser sentido plenamente nessa modalidade, o aperto no crédito imobiliário tende a se intensificar nos próximos trimestres.

Efeito sobre o mercado de imóveis

Com financiamentos mais caros, o poder de compra do consumidor diminui. Isso pode levar a um desaquecimento no mercado imobiliário, com menor número de financiamentos aprovados e possível queda nos preços dos imóveis em algumas regiões. Por outro lado, pode haver um incentivo à renegociação de contratos e busca por modalidades com taxas mais competitivas, como o crédito com garantia de imóvel ou financiamento atrelado à poupança.

Estratégias para enfrentar o cenário de juros altos

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Imagem: Freepik e Canva

Avalie o melhor momento para financiar

Diante do atual cenário, é prudente que o consumidor avalie cuidadosamente antes de assumir um financiamento de longo prazo. Se possível, adiar a compra até que a Selic comece a recuar pode representar uma economia significativa.

Faça simulações e compare bancos

Outra estratégia é realizar simulações com diferentes instituições financeiras. Pequenas variações nas taxas podem representar milhares de reais ao longo de um contrato de 30 anos. Utilize simuladores online e, se necessário, conte com a ajuda de um especialista.

Considere dar uma entrada maior

Dar um valor de entrada mais elevado reduz o montante financiado e, consequentemente, o total de juros pagos. Sempre que possível, acumular um valor maior para entrada pode tornar o financiamento mais viável mesmo em tempos de juros altos.

Conclusão

A alta da Selic já começa a se refletir nos financiamentos imobiliários. Embora o impacto seja gradual, ele é real e perceptível no bolso de quem precisa comprar um imóvel a prazo. A expectativa de que a taxa básica de juros continue elevada ao longo de 2025 reforça a necessidade de cautela, planejamento financeiro e atenção às condições de crédito.

Diante desse cenário, o consumidor deve redobrar os cuidados na hora de tomar decisões de financiamento e buscar formas de mitigar o impacto dos juros altos em sua vida financeira.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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