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Americanas sai da recuperação judicial após quase 3 anos; entenda o que muda

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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A Justiça do Rio de Janeiro decretou, na segunda-feira (19 de outubro de 2026), o encerramento da recuperação judicial do Grupo Americanas. A decisão da 4ª Vara Empresarial da capital considerou que a companhia cumpriu as obrigações previstas no plano de reestruturação dentro do período acompanhado judicialmente. Ainda cabe recurso.

A medida encerra uma etapa importante da crise que atingiu a varejista em janeiro de 2023, quando a divulgação de inconsistências contábeis estimadas em R$ 20 bilhões abalou a confiança do mercado. Na ocasião, a empresa informou possuir dívidas de aproximadamente R$ 43 bilhões, o que levou à abertura do processo para reorganizar seus compromissos financeiros.

O fim da recuperação judicial, porém, não significa que todos os problemas da Americanas estejam resolvidos. Obrigações previstas no plano continuam exigíveis, e eventuais descumprimentos ainda podem ser questionados pelos credores na Justiça.

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O encerramento foi autorizado após a avaliação do cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores e homologado judicialmente em fevereiro de 2024. A administração judicial e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentaram manifestações favoráveis à conclusão do processo.

A Americanas havia solicitado o encerramento em março de 2026, argumentando que cumprira os compromissos exigidos durante o período previsto após a homologação do plano.

A decisão foi proferida pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Com o encerramento, deverá ser retirada dos registros oficiais a expressão “em recuperação judicial” das denominações das empresas abrangidas pela decisão.

O que aconteceu desde 2023?

A crise começou com a identificação de inconsistências contábeis que desencadearam questionamentos sobre os demonstrativos financeiros da companhia. A dimensão do problema levou a empresa a recorrer à recuperação judicial para negociar dívidas e estabelecer condições de pagamento aos credores.

O plano foi aprovado em assembleia em dezembro de 2023 e homologado pela Justiça em fevereiro de 2024. A partir daí, a empresa passou a executar as medidas de reestruturação previstas, sob acompanhamento judicial.

A conclusão anunciada em outubro de 2026 representa o encerramento dessa supervisão específica, mas não apaga os efeitos financeiros e reputacionais da crise nem encerra automaticamente outras disputas relacionadas ao caso.

O que muda para a Americanas após o encerramento?

Com o fim da recuperação judicial, a Americanas deixa de estar submetida ao regime de acompanhamento judicial próprio desse processo. A mudança representa um marco institucional para a companhia, que poderá concentrar seus esforços na continuidade das operações e na execução de sua estratégia empresarial.

Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que o encerramento inaugura uma nova etapa de seus negócios. A companhia também agradeceu a funcionários, fornecedores, clientes e parceiros pela confiança durante o período de reestruturação.

A decisão, entretanto, não equivale a uma declaração de que a saúde financeira da varejista foi totalmente restabelecida. A recuperação sustentável depende de fatores como geração de caixa, controle de despesas, desempenho das vendas e capacidade de cumprir compromissos financeiros.

Credores ainda podem cobrar obrigações da Americanas?

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Images/LightRocket via Gett

Sim. O encerramento da recuperação judicial não elimina os direitos dos credores em relação às obrigações previstas no plano.

Na sentença, o magistrado esclareceu que um credor que considere ter sido prejudicado pelo descumprimento de alguma obrigação pode pedir a execução específica do compromisso ou, conforme o caso e os requisitos legais, requerer a falência da empresa. A decisão também está sujeita a recurso.

Na prática, isso significa que fornecedores, investidores e demais credores precisam observar as condições estabelecidas para seus respectivos créditos. Caso identifiquem pagamentos não realizados ou outras obrigações descumpridas, poderão buscar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis.

Além disso, o encerramento da recuperação judicial não impede a continuidade de investigações e processos independentes relacionados às irregularidades contábeis. São procedimentos com objetos e finalidades diferentes.

(Divulgação)

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