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Após crise, Americanas aposta em nova estratégia para crescer

Americanas aposta em “loja dentro da loja” para crescer após crise. Entenda estratégia, resultados e impacto no varejo.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Americanas

Após enfrentar uma das maiores crises corporativas do Brasil, a Americanas avança em sua estratégia de recuperação com um novo formato de varejo: o modelo “store in store”, ou “loja dentro da loja”.

A iniciativa, batizada de Projeto Galeria, surge como uma resposta direta aos desafios enfrentados desde o escândalo contábil revelado em 2023, que levou a companhia à recuperação judicial e a um profundo processo de reestruturação.

Agora, a varejista aposta na ocupação inteligente de seus espaços físicos para gerar receita, atrair novas marcas e reposicionar sua imagem no mercado.

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O que é o modelo store in store e por que ele importa

Como funciona na prática

O conceito de “store in store” consiste em permitir que outras marcas operem espaços exclusivos dentro das lojas da Americanas.

Na prática, o consumidor entra em uma unidade da rede e encontra, além dos produtos tradicionais, áreas dedicadas a parceiros — com identidade própria e sortimento diferenciado.

Dois objetivos principais

Segundo a direção da empresa, o modelo atende a dois pilares estratégicos:

  • Rentabilizar o metro quadrado: transformar espaços ociosos em fonte de receita
  • Modernizar o mix de produtos: atrair marcas atuais e alinhadas ao comportamento do consumidor

Esse movimento acompanha uma tendência global no varejo físico, onde experiência e curadoria se tornam tão importantes quanto preço.

Parcerias já confirmadas e expansão em 2026

Marcas com perfis diferentes

Entre os primeiros parceiros do Projeto Galeria estão:

  • WePink, forte nas redes sociais
  • Panini, conhecida por álbuns colecionáveis
  • Agibank, focado em inclusão financeira

A diversidade das marcas mostra que a estratégia não se limita a um único segmento, mas busca complementar a jornada do cliente dentro da loja.

Expansão gradual

A escolha das lojas onde o modelo será implementado ocorre caso a caso, considerando:

  • Perfil do público local
  • Fluxo de clientes
  • Potencial de consumo

A expectativa é ampliar o número de parcerias ao longo de 2026.

Modelo financeiro: múltiplas fontes de receita

O formato também traz inovação no aspecto financeiro.

A Americanas pode:

  • Cobrar aluguel fixo pelo espaço
  • Estabelecer um valor mínimo garantido
  • Participar do faturamento do parceiro

Esse modelo híbrido permite flexibilidade e aumenta as chances de retorno financeiro, mesmo em cenários de vendas mais fracas.

Resultados recentes indicam recuperação

Apesar do impacto da crise, os números mais recentes mostram sinais de melhora:

  • Crescimento de 7,8% nas vendas em mesmas lojas
  • Alta de 13% na receita por metro quadrado
  • Lucro de R$ 98 milhões em 2025, revertendo prejuízo anterior
  • Caixa de R$ 2,5 bilhões, acima da dívida bruta

Além disso, as ações da empresa (AMER3) acumulam valorização ao longo do ano, embora ainda estejam longe dos níveis anteriores ao escândalo.

Redução de lojas e foco em eficiência

Enxugamento da operação

Como parte da reestruturação, a Americanas fechou cerca de 300 lojas, reduzindo sua rede de quase 1.800 para aproximadamente 1.470 unidades.

A estratégia foi eliminar pontos com baixa performance e concentrar esforços em lojas mais rentáveis.

Novo foco estratégico

Com isso, a empresa passa a priorizar:

  • Eficiência operacional
  • Melhor uso dos espaços
  • Experiência do consumidor

Store in store também é estratégia de reputação

Importação de credibilidade

Especialistas apontam que o modelo vai além da geração de receita.

Ao trazer marcas com boa imagem, a Americanas consegue:

  • Dividir percepção com parceiros
  • Atrair novos públicos
  • Rejuvenescer sua marca

Esse efeito é comum em varejistas internacionais que adotam o mesmo formato.

Desafio: experiência do cliente

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Por outro lado, há um ponto crítico: o consumidor não diferencia claramente quem é responsável pelo serviço.

Ou seja, qualquer falha de um parceiro pode impactar diretamente a imagem da Americanas.

Por isso, a curadoria de marcas e o controle de qualidade são fatores decisivos para o sucesso do projeto.

Obstáculos operacionais e regulatórios

Limitações em shoppings

Um dos desafios do modelo está nos contratos de locação em shopping centers.

Muitos contratos exigem autorização prévia para sublocação de espaços, o que pode:

  • Limitar a expansão do projeto
  • Exigir negociações adicionais

Complexidade operacional

Além disso, integrar diferentes marcas dentro de uma mesma loja exige:

  • Padronização de atendimento
  • Controle logístico
  • Gestão de espaço eficiente

Contexto: da crise bilionária à reconstrução

O Projeto Galeria surge após um período crítico na história da empresa.

Em 2023, a Americanas revelou inconsistências contábeis que resultaram em um rombo estimado em mais de R$ 25 bilhões, levando à recuperação judicial.

Desde então, a companhia:

  • Vendeu ativos, como Imaginarium e Puket
  • Reestruturou sua operação
  • Ajustou sua rede de lojas

Agora, busca retomar a confiança do mercado e dos consumidores.

O que esperar do futuro da Americanas

A expectativa da empresa é sair da recuperação judicial ainda em 2026, após decisão da Justiça.

Com isso, pretende:

  • Retomar cobertura de analistas financeiros
  • Atrair investidores
  • Consolidar a nova estratégia de varejo

O sucesso do modelo “store in store” pode ser decisivo para essa virada.

Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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