Após enfrentar uma das maiores crises corporativas do Brasil, a Americanas avança em sua estratégia de recuperação com um novo formato de varejo: o modelo “store in store”, ou “loja dentro da loja”.
Após crise, Americanas aposta em nova estratégia para crescer
Americanas aposta em “loja dentro da loja” para crescer após crise. Entenda estratégia, resultados e impacto no varejo.
A iniciativa, batizada de Projeto Galeria, surge como uma resposta direta aos desafios enfrentados desde o escândalo contábil revelado em 2023, que levou a companhia à recuperação judicial e a um profundo processo de reestruturação.
Agora, a varejista aposta na ocupação inteligente de seus espaços físicos para gerar receita, atrair novas marcas e reposicionar sua imagem no mercado.
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O que é o modelo store in store e por que ele importa
Como funciona na prática
O conceito de “store in store” consiste em permitir que outras marcas operem espaços exclusivos dentro das lojas da Americanas.
Na prática, o consumidor entra em uma unidade da rede e encontra, além dos produtos tradicionais, áreas dedicadas a parceiros — com identidade própria e sortimento diferenciado.
Dois objetivos principais
Segundo a direção da empresa, o modelo atende a dois pilares estratégicos:
- Rentabilizar o metro quadrado: transformar espaços ociosos em fonte de receita
- Modernizar o mix de produtos: atrair marcas atuais e alinhadas ao comportamento do consumidor
Esse movimento acompanha uma tendência global no varejo físico, onde experiência e curadoria se tornam tão importantes quanto preço.
Parcerias já confirmadas e expansão em 2026
Marcas com perfis diferentes
Entre os primeiros parceiros do Projeto Galeria estão:
- WePink, forte nas redes sociais
- Panini, conhecida por álbuns colecionáveis
- Agibank, focado em inclusão financeira
A diversidade das marcas mostra que a estratégia não se limita a um único segmento, mas busca complementar a jornada do cliente dentro da loja.
Expansão gradual
A escolha das lojas onde o modelo será implementado ocorre caso a caso, considerando:
- Perfil do público local
- Fluxo de clientes
- Potencial de consumo
A expectativa é ampliar o número de parcerias ao longo de 2026.
Modelo financeiro: múltiplas fontes de receita
O formato também traz inovação no aspecto financeiro.
A Americanas pode:
- Cobrar aluguel fixo pelo espaço
- Estabelecer um valor mínimo garantido
- Participar do faturamento do parceiro
Esse modelo híbrido permite flexibilidade e aumenta as chances de retorno financeiro, mesmo em cenários de vendas mais fracas.
Resultados recentes indicam recuperação
Apesar do impacto da crise, os números mais recentes mostram sinais de melhora:
- Crescimento de 7,8% nas vendas em mesmas lojas
- Alta de 13% na receita por metro quadrado
- Lucro de R$ 98 milhões em 2025, revertendo prejuízo anterior
- Caixa de R$ 2,5 bilhões, acima da dívida bruta
Além disso, as ações da empresa (AMER3) acumulam valorização ao longo do ano, embora ainda estejam longe dos níveis anteriores ao escândalo.
Redução de lojas e foco em eficiência
Enxugamento da operação
Como parte da reestruturação, a Americanas fechou cerca de 300 lojas, reduzindo sua rede de quase 1.800 para aproximadamente 1.470 unidades.
A estratégia foi eliminar pontos com baixa performance e concentrar esforços em lojas mais rentáveis.
Novo foco estratégico
Com isso, a empresa passa a priorizar:
- Eficiência operacional
- Melhor uso dos espaços
- Experiência do consumidor
Store in store também é estratégia de reputação
Importação de credibilidade
Especialistas apontam que o modelo vai além da geração de receita.
Ao trazer marcas com boa imagem, a Americanas consegue:
- Dividir percepção com parceiros
- Atrair novos públicos
- Rejuvenescer sua marca
Esse efeito é comum em varejistas internacionais que adotam o mesmo formato.
Desafio: experiência do cliente
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Por outro lado, há um ponto crítico: o consumidor não diferencia claramente quem é responsável pelo serviço.
Ou seja, qualquer falha de um parceiro pode impactar diretamente a imagem da Americanas.
Por isso, a curadoria de marcas e o controle de qualidade são fatores decisivos para o sucesso do projeto.
Obstáculos operacionais e regulatórios
Limitações em shoppings
Um dos desafios do modelo está nos contratos de locação em shopping centers.
Muitos contratos exigem autorização prévia para sublocação de espaços, o que pode:
- Limitar a expansão do projeto
- Exigir negociações adicionais
Complexidade operacional
Além disso, integrar diferentes marcas dentro de uma mesma loja exige:
- Padronização de atendimento
- Controle logístico
- Gestão de espaço eficiente
Contexto: da crise bilionária à reconstrução
O Projeto Galeria surge após um período crítico na história da empresa.
Em 2023, a Americanas revelou inconsistências contábeis que resultaram em um rombo estimado em mais de R$ 25 bilhões, levando à recuperação judicial.
Desde então, a companhia:
- Vendeu ativos, como Imaginarium e Puket
- Reestruturou sua operação
- Ajustou sua rede de lojas
Agora, busca retomar a confiança do mercado e dos consumidores.
O que esperar do futuro da Americanas
A expectativa da empresa é sair da recuperação judicial ainda em 2026, após decisão da Justiça.
Com isso, pretende:
- Retomar cobertura de analistas financeiros
- Atrair investidores
- Consolidar a nova estratégia de varejo
O sucesso do modelo “store in store” pode ser decisivo para essa virada.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com
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