O cenário da aviação civil no Rio de Janeiro prepara-se para uma nova fase de ajustes operacionais. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, confirmou recentemente que o Aeroporto Santos Dumont (SDU), localizado no coração da capital fluminense, terá seu teto anual de passageiros ampliado a partir de 2026. A medida marca o fim de um ciclo de dois anos de restrições severas, implementadas com o objetivo de reequilibrar o sistema aeroportuário do estado e revitalizar o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão (GIG).
Santos Dumont 2026: mais voos e novidades para passageiros
Ministro anuncia aumento no limite de passageiros do Aeroporto Santos Dumont para 2026 no Rio.
De acordo com o anúncio oficial, o limite atual, que é de 6,5 milhões de passageiros por ano, será elevado gradualmente. A projeção do Governo Federal é que o terminal central possa receber cerca de 8 milhões de viajantes já em 2026. Este incremento de até 1,5 milhão de passageiros representa um movimento estratégico para acomodar o crescimento da demanda turística e econômica do Rio de Janeiro, que tem apresentado índices de recuperação superiores à média nacional nos últimos meses.
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O histórico das restrições e a política de reequilíbrio
A decisão de limitar a capacidade do Santos Dumont foi tomada em 2023, após um longo período de esvaziamento do Galeão. Na época, o excesso de voos domésticos concentrados no aeroporto central prejudicava a conectividade internacional do Rio de Janeiro, uma vez que o Galeão perdia a “alimentação” de passageiros necessária para sustentar rotas de longo curso. A estratégia de restrição, pactuada entre o Governo Federal, o governo estadual e a prefeitura, visava forçar o retorno das grandes companhias aéreas ao terminal da Ilha do Governador.
Segundo especialistas do setor, a política foi bem-sucedida em seu propósito inicial. O Galeão registrou um aumento expressivo na movimentação de cargas e passageiros internacionais em 2024 e 2025. Contudo, o ministro Silvio Costa Filho argumenta que o crescimento da economia brasileira e o fortalecimento do turismo no Rio permitem agora uma convivência mais harmônica entre os dois ativos. Para o ministro, é necessário dar atenção a ambos os terminais, comparando-os a “dois filhos” que precisam de cuidados equilibrados.
Detalhes da ampliação gradual até 2028
O plano de expansão anunciado não se limita apenas ao ano de 2026. O cronograma estabelecido, que conta com o respaldo de discussões junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), prevê uma escalada contínua na capacidade do Santos Dumont. Após atingir a marca de 8 milhões de passageiros em 2026, a expectativa é que o teto suba para 9 milhões em 2027, chegando a 10 milhões em 2028, quando a limitação artificial de passageiros poderá ser totalmente retirada.
Essa transição está sendo desenhada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e deve ser incorporada nos novos modelos de gestão do aeroporto. O governo defende que o aumento controlado não prejudicará o Galeão, pois o mercado aeroportuário carioca como um todo está em expansão. A ideia é que o Santos Dumont absorva o excesso de demanda doméstica de alta frequência, enquanto o Galeão se consolida como o grande hub internacional e de conexões logísticas do Sudeste.
Embate político e as críticas da prefeitura do Rio
Apesar do otimismo do Ministério de Portos e Aeroportos, a medida não é consensual. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, manifestou-se de forma veemente contra a ampliação da capacidade do Santos Dumont. Para o chefe do executivo municipal, qualquer flexibilização nas regras atuais coloca em risco a recuperação do Galeão, que ele considera vital para a economia fluminense. Paes chegou a mencionar a existência de “forças ocultas” que estariam pressionando a Anac por mudanças sem a devida transparência.
A prefeitura defende que o sucesso do Galeão depende da manutenção da rigidez no Santos Dumont, garantindo que o aeroporto internacional continue atrativo para as companhias. Entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e a FecomercioRJ também expressaram cautela, ressaltando que a infraestrutura urbana e o sistema de transporte da cidade foram planejados nos últimos dois anos contando com a atual distribuição de voos.
Impactos esperados na economia e no turismo
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O setor de turismo, por outro lado, enxerga oportunidades com a maior oferta de assentos no aeroporto central. O Santos Dumont é preferido por viajantes de negócios devido à sua proximidade com o centro financeiro e a zona sul da cidade. Com a ampliação para 8 milhões de passageiros em 2026, espera-se uma redução no preço médio das passagens para trechos populares, como a ponte aérea Rio-São Paulo, e o retorno de voos diretos para capitais do Nordeste que haviam sido suspensos ou reduzidos.
Para o comércio local, especialmente o setor de serviços e hotelaria, a maior movimentação no aeroporto central pode significar um incremento imediato no faturamento. No entanto, o desafio será gerenciar o impacto no trânsito das regiões adjacentes ao aeroporto, que já sofre com gargalos em horários de pico. O governo federal assegura que os investimentos em tecnologia e gestão de pátio permitirão que o aumento do fluxo ocorra de maneira organizada e segura.
O papel da Infraero e as concessões futuras
Outro ponto relevante neste cenário é o futuro administrativo do Santos Dumont. Atualmente sob gestão da Infraero, o aeroporto é um dos ativos mais valiosos da estatal. A revisão do teto de passageiros em 2026 ocorre em um momento em que o governo discute novos modelos de investimento para a rede Infraero, focando na aviação regional. A valorização do Santos Dumont através do aumento de sua capacidade operacional torna o ativo ainda mais estratégico em possíveis parcerias público-privadas ou futuras rodadas de concessão.
A Anac reiterou que todas as decisões estão sendo tomadas com base em critérios técnicos e que se colocou à disposição da prefeitura do Rio para apresentar os dados que sustentam a viabilidade da ampliação. O órgão regulador enfatiza que o objetivo final é garantir a melhor experiência para o passageiro e a eficiência máxima do sistema de transporte aéreo nacional, respeitando as vocações de cada terminal.
Com o calendário de 2026 já definido e as metas de passageiros traçadas, o Rio de Janeiro se prepara para um ano de intensos debates e transformações em sua malha aérea. O equilíbrio entre o crescimento do Santos Dumont e a sustentabilidade do Galeão continuará sendo o centro das atenções de gestores públicos, empresários e usuários do transporte aéreo no Brasil.
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