O mercado financeiro brasileiro teve uma sessão de forte valorização dos ativos de risco nesta terça-feira (8). O dólar caiu para R$ 5,08, enquanto o Ibovespa subiu 1,20%, alcançando o maior nível desde maio. Ao mesmo tempo, o petróleo avançou diante do aumento das tensões no Oriente Médio.
O movimento ocorreu em um cenário de maior entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira e de atenção dos investidores aos acontecimentos internacionais. A B3 também iniciou nesta terça-feira a vigência de uma nova carteira do Ibovespa, agora composta por 76 ativos de 74 empresas.
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Dólar fecha abaixo de R$ 5,10
O dólar à vista terminou o pregão cotado a R$ 5,089, uma queda de 0,79%. Foi o menor fechamento da moeda norte-americana desde 7 de agosto, quando havia encerrado o dia em R$ 5,084.
Durante a sessão, o câmbio oscilou entre R$ 5,0713 e R$ 5,1289. Com o resultado, o dólar passou a acumular queda de 7,28% em 2026 e recuo de 1,82% em setembro. Em agosto, porém, a moeda havia registrado valorização de 2,16%.
A queda do dólar ocorre apesar do ambiente internacional de cautela provocado pelo conflito no Oriente Médio. Para o mercado brasileiro, fatores domésticos e o fluxo de recursos estrangeiros também ajudam a explicar a valorização do real.
Uma moeda americana mais barata pode aliviar, por exemplo, os custos de produtos importados e de alguns insumos cotados em dólar. Por outro lado, empresas brasileiras exportadoras podem sentir efeitos menos favoráveis sobre suas receitas convertidas para reais.
Ibovespa sobe 1,2% e retorna aos maiores níveis do ano
O Ibovespa fechou aos 187.366,84 pontos, alta de 1,20%. O indicador chegou a 189.487,70 pontos durante o pregão e atingiu mínima de 185.207,66 pontos.
Com o avanço, o principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão no maior nível desde 4 de maio. O volume financeiro negociado na B3 alcançou R$ 29,76 bilhões.
A valorização também ocorreu em um momento de atenção ao fluxo estrangeiro. Segundo dados citados pela B3, os investidores internacionais acumulavam entrada líquida de aproximadamente R$ 3,9 bilhões nos três primeiros pregões de setembro.
Esse movimento é relevante porque o capital estrangeiro tem peso importante na liquidez do mercado acionário brasileiro. Quando investidores internacionais aumentam suas posições em ações locais, a demanda pode contribuir para a valorização dos principais índices.
Petrobras ganha força com petróleo mais caro
Entre os destaques do pregão estiveram as ações da Petrobras, que acompanharam a valorização do petróleo no mercado internacional.
As ações preferenciais da companhia, PETR4, subiram 2,08%, enquanto os papéis ordinários, PETR3, avançaram 2,36%. Como a Petrobras possui participação relevante na composição do Ibovespa, movimentos expressivos nos papéis da empresa podem influenciar o desempenho do índice.
O comportamento mostra como acontecimentos externos podem afetar diretamente empresas brasileiras. Uma alta significativa do petróleo tende a beneficiar companhias produtoras da commodity, embora também possa aumentar preocupações com inflação e custos de energia.
Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio
O petróleo foi um dos principais pontos de atenção dos mercados globais. O barril do Brent subiu 0,9%, para US$ 97,92, enquanto o WTI avançou 1,7%, para US$ 93,03.
O Brent terminou no maior nível desde 23 de julho, enquanto o WTI alcançou o maior fechamento desde junho. A alta ocorreu diante de novos episódios de tensão na região e de ataques contra instalações relacionadas ao setor de energia na Arábia Saudita.
O Estreito de Ormuz permanece como uma das principais preocupações dos investidores. A passagem é estratégica para o comércio mundial de petróleo e qualquer interrupção relevante no transporte pode provocar uma reação nos preços internacionais.
O problema não fica restrito às empresas petrolíferas. Petróleo mais caro pode aumentar os custos de combustíveis, transporte e produção em diversos setores. Se esse movimento persistir, pode pressionar a inflação e influenciar as decisões dos bancos centrais sobre os juros.
Por que petróleo em alta não derrubou a bolsa brasileira?

A reação positiva do Ibovespa mostra que diferentes forças estavam atuando simultaneamente no mercado.
De um lado, a escalada geopolítica aumentou o preço do petróleo e beneficiou ações ligadas à commodity. De outro, a entrada de capital estrangeiro e a valorização de diferentes ativos domésticos ajudaram a sustentar o índice.
Além disso, os investidores avaliam constantemente se uma alta do petróleo será temporária ou se poderá provocar uma deterioração mais prolongada das perspectivas para inflação e crescimento econômico.
Por isso, uma sessão de alta da bolsa não significa necessariamente que o mercado tenha deixado de considerar os riscos geopolíticos. O movimento reflete o equilíbrio entre expectativas positivas e negativas naquele momento.
Nova carteira do Ibovespa entra em vigor
Outro fator relevante nesta terça-feira foi o início da vigência da nova composição do Ibovespa B3, principal indicador do mercado acionário brasileiro.
A carteira válida de 8 de setembro a 31 de dezembro reúne 76 papéis de 74 empresas. A ação TEND3, da Tenda, entrou no índice, enquanto RECV3, da PetroReconcavo, e SLCE3, da SLC Agrícola, deixaram a composição.
A mudança periódica da carteira é importante para investidores que acompanham ETFs e fundos que utilizam o Ibovespa como referência, já que alterações nos pesos e nos componentes podem provocar ajustes nas posições desses veículos.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
