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Anatel posiciona Starlink em último lugar em disputa por frequências no Brasil

Anatel coloca a Starlink no fim da lista de prioridade para coordenação de satélites não-geoestacionários. Saiba mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
placa da Anatel

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou uma nova versão da Lista de Prioridade de Coordenação entre sistemas de satélites não-geoestacionários (NGSO) que operam no Brasil. A grande novidade do documento, divulgado no Diário Oficial da União em 14 de abril, é o rebaixamento da prioridade da Starlink, a constelação de satélites de banda larga da SpaceX, fundada por Elon Musk.

A nova ordem de precedência tem como objetivo organizar o uso das frequências e evitar interferências prejudiciais entre sistemas satelitais, principalmente nas faixas Ku e Ka, que são utilizadas para serviços de internet de alta velocidade.

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Imagem: Reprodução/Anatel

O que significa a prioridade de coordenação entre satélites?

A prioridade de coordenação estabelece quais sistemas de satélites têm precedência em caso de conflito de frequências. Isso é fundamental para evitar interferências entre sinais de diferentes constelações, especialmente em um ambiente cada vez mais disputado e congestionado no espaço.

Na prática, quanto maior a prioridade de uma operadora, mais direitos ela tem de exigir que outras evitem interferência em suas frequências autorizadas. Ao ser colocada em último lugar na nova lista da Anatel, a Starlink passa a ter a obrigação de evitar causar interferências e não terá direito à proteção de seus sinais em caso de sobreposição com sistemas mais bem posicionados.

Como ficou a nova lista da Anatel?

A lista apresenta a classificação das constelações com base no nível de prioridade que elas possuem nas subfaixas de frequência solicitadas para operação no Brasil. Veja abaixo o ranking:

PosiçãoSistema de SatélitesNível de prioridade média nas subfaixas
O3BPrioridade 1 em 7 subfaixas
KeplerPrioridade 1 em 2 subfaixas
Kuiper (Amazon)Prioridades 1 e 2 em 2 subfaixas, 3 em 1
OneWebPrioridade 2 em 7 subfaixas
Telesat LightspeedPrioridades 3 e 4 em 3 subfaixas
StarlinkPrioridade 3 e 4 em 2 subfaixas, 5 em 3

A tabela mostra que a Starlink ficou na última colocação, com níveis de prioridade mais baixos em todas as faixas em que atua, o que representa uma grande mudança em relação à posição privilegiada que a empresa já ocupou no passado.

Por que a Starlink foi rebaixada?

Segundo a Anatel, a decisão tem origem em uma nova solicitação apresentada pela SpaceX para operar mais 4.500 satélites de nova geração, totalizando 11.908 satélites sobre o território brasileiro.

Essa solicitação foi tratada como um novo pedido de exploração de satélite estrangeiro, o que exigiu a reavaliação das condições de coordenação. Com isso, a Starlink passou a ser considerada como um novo sistema, e perdeu a prioridade anteriormente concedida, sendo colocada no fim da fila.

O que muda para a Starlink no Brasil?

starlink
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

A decisão tem impactos diretos na operação da Starlink em solo brasileiro. A empresa agora:

  • Não pode causar interferência em constelações com prioridade superior;
  • Não poderá reclamar proteção de seus sinais em faixas onde não detém prioridade;
  • Deverá adaptar seus sistemas para evitar conflitos com operadores que têm precedência;
  • Está sujeita às novas regras de proteção a satélites geoestacionários em operação sobre o Brasil.

Na prática, isso pode limitar o desempenho e a confiabilidade dos serviços da Starlink, caso ocorram disputas por espectro com outras operadoras.

Proteção a satélites geoestacionários

O novo Ato da Anatel também lista os satélites geoestacionários brasileiros e estrangeiros que devem ser protegidos de interferências causadas por constelações NGSO, como a da Starlink.

Esses satélites operam em posições orbitais críticas para o Brasil e prestam serviços relevantes de comunicação, televisão e internet. Entre eles estão:

  • Amazonas-3
  • Eutelsat 65WA
  • Star One D2
  • SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas)

A Starlink está proibida de causar interferência nos sinais emitidos ou recebidos por esses satélites nas faixas de:

  • 18,8 GHz a 19,7 GHz (enlace de descida)
  • 28,6 GHz a 29,5 GHz (enlace de subida)

Quais atos anteriores foram impactados?

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O Ato recém-publicado altera seis atos anteriores da Anatel que tratavam de autorizações de operação e coordenação espectral. Entre os sistemas afetados estão:

  • OneWeb
  • Kuiper (Amazon)
  • Kepler
  • Telesat Lightspeed

Todos esses operadores agora devem seguir a nova Lista de Prioridade de Coordenação, inclusive com as regras atualizadas de proteção a satélites geoestacionários.

O que está em jogo com o aumento de constelações?

Nos últimos anos, o setor de satélites passou por uma revolução com a chegada de mega constelações. Empresas como SpaceX, Amazon, OneWeb e Telesat disputam espaço e espectro em órbita baixa para oferecer internet banda larga global, especialmente para áreas remotas.

Com a explosão do número de satélites não-geoestacionários, crescem os desafios para:

  • Gerenciar o espectro de radiofrequência;
  • Evitar interferências prejudiciais;
  • Manter a segurança orbital;
  • Garantir a convivência pacífica entre diferentes sistemas.

O que diz a Starlink?

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Até o momento, a SpaceX não se pronunciou oficialmente sobre o rebaixamento imposto pela Anatel. No entanto, analistas do setor apontam que a empresa deve buscar ajustes técnicos e negociações diplomáticas para manter sua presença estratégica no mercado brasileiro.

A Starlink já conta com milhares de usuários ativos no Brasil, especialmente em áreas rurais e regiões da Amazônia, onde a cobertura terrestre é limitada ou inexistente.

Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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