A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou uma nova versão da Lista de Prioridade de Coordenação entre sistemas de satélites não-geoestacionários (NGSO) que operam no Brasil. A grande novidade do documento, divulgado no Diário Oficial da União em 14 de abril, é o rebaixamento da prioridade da Starlink, a constelação de satélites de banda larga da SpaceX, fundada por Elon Musk.
Anatel posiciona Starlink em último lugar em disputa por frequências no Brasil
Anatel coloca a Starlink no fim da lista de prioridade para coordenação de satélites não-geoestacionários. Saiba mais!
A nova ordem de precedência tem como objetivo organizar o uso das frequências e evitar interferências prejudiciais entre sistemas satelitais, principalmente nas faixas Ku e Ka, que são utilizadas para serviços de internet de alta velocidade.
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O que significa a prioridade de coordenação entre satélites?
A prioridade de coordenação estabelece quais sistemas de satélites têm precedência em caso de conflito de frequências. Isso é fundamental para evitar interferências entre sinais de diferentes constelações, especialmente em um ambiente cada vez mais disputado e congestionado no espaço.
Na prática, quanto maior a prioridade de uma operadora, mais direitos ela tem de exigir que outras evitem interferência em suas frequências autorizadas. Ao ser colocada em último lugar na nova lista da Anatel, a Starlink passa a ter a obrigação de evitar causar interferências e não terá direito à proteção de seus sinais em caso de sobreposição com sistemas mais bem posicionados.
Como ficou a nova lista da Anatel?
A lista apresenta a classificação das constelações com base no nível de prioridade que elas possuem nas subfaixas de frequência solicitadas para operação no Brasil. Veja abaixo o ranking:
| Posição | Sistema de Satélites | Nível de prioridade média nas subfaixas |
|---|---|---|
| 1º | O3B | Prioridade 1 em 7 subfaixas |
| 2º | Kepler | Prioridade 1 em 2 subfaixas |
| 2º | Kuiper (Amazon) | Prioridades 1 e 2 em 2 subfaixas, 3 em 1 |
| 3º | OneWeb | Prioridade 2 em 7 subfaixas |
| 4º | Telesat Lightspeed | Prioridades 3 e 4 em 3 subfaixas |
| 5º | Starlink | Prioridade 3 e 4 em 2 subfaixas, 5 em 3 |
A tabela mostra que a Starlink ficou na última colocação, com níveis de prioridade mais baixos em todas as faixas em que atua, o que representa uma grande mudança em relação à posição privilegiada que a empresa já ocupou no passado.
Por que a Starlink foi rebaixada?
Segundo a Anatel, a decisão tem origem em uma nova solicitação apresentada pela SpaceX para operar mais 4.500 satélites de nova geração, totalizando 11.908 satélites sobre o território brasileiro.
Essa solicitação foi tratada como um novo pedido de exploração de satélite estrangeiro, o que exigiu a reavaliação das condições de coordenação. Com isso, a Starlink passou a ser considerada como um novo sistema, e perdeu a prioridade anteriormente concedida, sendo colocada no fim da fila.
O que muda para a Starlink no Brasil?

A decisão tem impactos diretos na operação da Starlink em solo brasileiro. A empresa agora:
- Não pode causar interferência em constelações com prioridade superior;
- Não poderá reclamar proteção de seus sinais em faixas onde não detém prioridade;
- Deverá adaptar seus sistemas para evitar conflitos com operadores que têm precedência;
- Está sujeita às novas regras de proteção a satélites geoestacionários em operação sobre o Brasil.
Na prática, isso pode limitar o desempenho e a confiabilidade dos serviços da Starlink, caso ocorram disputas por espectro com outras operadoras.
Proteção a satélites geoestacionários
O novo Ato da Anatel também lista os satélites geoestacionários brasileiros e estrangeiros que devem ser protegidos de interferências causadas por constelações NGSO, como a da Starlink.
Esses satélites operam em posições orbitais críticas para o Brasil e prestam serviços relevantes de comunicação, televisão e internet. Entre eles estão:
- Amazonas-3
- Eutelsat 65WA
- Star One D2
- SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas)
A Starlink está proibida de causar interferência nos sinais emitidos ou recebidos por esses satélites nas faixas de:
- 18,8 GHz a 19,7 GHz (enlace de descida)
- 28,6 GHz a 29,5 GHz (enlace de subida)
Quais atos anteriores foram impactados?
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O Ato recém-publicado altera seis atos anteriores da Anatel que tratavam de autorizações de operação e coordenação espectral. Entre os sistemas afetados estão:
- OneWeb
- Kuiper (Amazon)
- Kepler
- Telesat Lightspeed
Todos esses operadores agora devem seguir a nova Lista de Prioridade de Coordenação, inclusive com as regras atualizadas de proteção a satélites geoestacionários.
O que está em jogo com o aumento de constelações?
Nos últimos anos, o setor de satélites passou por uma revolução com a chegada de mega constelações. Empresas como SpaceX, Amazon, OneWeb e Telesat disputam espaço e espectro em órbita baixa para oferecer internet banda larga global, especialmente para áreas remotas.
Com a explosão do número de satélites não-geoestacionários, crescem os desafios para:
- Gerenciar o espectro de radiofrequência;
- Evitar interferências prejudiciais;
- Manter a segurança orbital;
- Garantir a convivência pacífica entre diferentes sistemas.
O que diz a Starlink?

Até o momento, a SpaceX não se pronunciou oficialmente sobre o rebaixamento imposto pela Anatel. No entanto, analistas do setor apontam que a empresa deve buscar ajustes técnicos e negociações diplomáticas para manter sua presença estratégica no mercado brasileiro.
A Starlink já conta com milhares de usuários ativos no Brasil, especialmente em áreas rurais e regiões da Amazônia, onde a cobertura terrestre é limitada ou inexistente.
Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock.com
