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Starlink pede autorização para usar satélites mais avançados no Brasil

Starlink pede aval da Anatel para novos satélites Gen 2, que prometem mais velocidade e menos congestionamento no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O futuro da internet via satélite da Starlink no Brasil está, neste momento, nas mãos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A empresa controlada por Elon Musk protocolou, há cerca de dez dias, um pedido formal para atualizar a tecnologia dos satélites que atendem mais de 600 mil clientes brasileiros, substituindo gradualmente os equipamentos atuais pela chamada segunda geração (Gen 2).

A solicitação abriu uma análise técnica detalhada dentro da agência reguladora, principalmente porque envolve o uso de novas faixas de frequência ainda pouco exploradas no país, o que pode trazer ganhos significativos de desempenho — mas também exige cautela regulatória.

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O que a Starlink pediu à Anatel

No pedido encaminhado à Anatel, a Starlink argumenta que os satélites Gen 2 utilizam um conjunto mais amplo de bandas de frequência, permitindo maior capacidade de transmissão de dados entre o espaço e os roteadores instalados em solo.

Na prática, isso tende a resultar em:

  • Maior velocidade de download (downlink)
  • Maior velocidade de upload (uplink)
  • Redução de congestionamentos em horários de pico
  • Melhor desempenho em regiões com muitos usuários simultâneos

A empresa já obteve autorização da Federal Communications Commission (FCC), órgão regulador dos Estados Unidos, e agora busca o aval do regulador brasileiro para operar com o novo padrão tecnológico.

Quais frequências os satélites Gen 2 pretendem usar

Segundo a documentação apresentada à Anatel, a Starlink pretende operar com as seguintes faixas:

Bandas de uplink e downlink informadas

  • Banda Ku (uplink): de 14.000 a 14.500 MHz
  • Banda Ka (uplink e downlink): de 17.800 a 30.000 MHz
  • Banda V (uplink e downlink): de 37.500 a 52.400 MHz
  • Banda W (uplink): de 71.000 a 76.000 MHz

O ponto mais sensível da análise regulatória está justamente na banda W, que ainda não é utilizada no Brasil para esse tipo de aplicação. Isso exige estudos aprofundados sobre possíveis interferências, compatibilidade com serviços futuros e alinhamento com padrões internacionais.

Por que a banda W preocupa a Anatel

A Anatel tem a responsabilidade de organizar e fiscalizar o uso do espectro radioelétrico, um recurso limitado e estratégico. Sempre que uma empresa solicita o uso de uma nova faixa, especialmente em frequências mais altas, a agência precisa avaliar:

  • Riscos de interferência com outros serviços
  • Possíveis impactos em aplicações futuras
  • Harmonização com normas internacionais
  • Benefícios reais para o consumidor

É por esse motivo que técnicos da agência estão “debruçados” sobre o pedido da Starlink, segundo fontes do setor. Embora a tecnologia seja promissora, a liberação exige segurança jurídica e técnica.

O impacto esperado para os usuários brasileiros

Na visão da Starlink, a adoção dos satélites Gen 2 permitirá suportar um volume muito maior de tráfego simultâneo, o que é essencial em um país continental como o Brasil, onde a demanda cresce rapidamente.

Apesar disso, o documento enviado à Anatel não fixa velocidades mínimas ou máximas para os novos satélites. Ainda assim, dados recentes dão uma dimensão do avanço.

Evolução da velocidade da Starlink no Brasil

No ano passado, a velocidade média de download no país:

  • Subiu de cerca de 90 Mb/s para 140 Mb/s, segundo medições de mercado
  • Superou, em muitas localidades, conexões móveis e até serviços fixos tradicionais

Com mais capacidade e menos congestionamento, a expectativa é que o desempenho se torne mais estável, especialmente em regiões com muitos usuários conectados ao mesmo tempo.

Por que a Starlink cresce tanto fora dos grandes centros

A Starlink se consolidou no Brasil principalmente em áreas onde a infraestrutura tradicional não chega ou é instável. Entre os principais mercados estão:

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  • Zonas rurais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste
  • Comunidades afastadas da Amazônia Legal
  • Regiões do Norte sem acesso à fibra óptica
  • Propriedades agrícolas, fazendas e áreas de mineração

Nesses locais, a internet via satélite muitas vezes representa a única alternativa viável de conexão de alta velocidade, impulsionando educação a distância, telemedicina e atividades produtivas.

Sustentabilidade espacial entra no debate regulatório

Além do desempenho, a Starlink também apresentou à Anatel argumentos relacionados à sustentabilidade espacial, um tema cada vez mais relevante no setor.

Segundo documentos públicos da empresa:

  • Os satélites Gen 2 operam em altitudes abaixo de 600 km
  • Caso percam capacidade de manobra, sofrem reentrada atmosférica em até cinco anos
  • O hardware é projetado para se vaporizar completamente, reduzindo o risco de destroços atingirem o solo

Essas medidas seguem recomendações internacionais de mitigação de lixo espacial, discutidas em fóruns ligados à ONU e a agências reguladoras globais.

O que pode mudar se a Anatel aprovar o pedido

Caso a Anatel dê sinal verde à atualização tecnológica, o mercado brasileiro de telecomunicações pode sentir impactos relevantes, como:

  • Consolidação da Starlink como principal opção em áreas remotas
  • Maior pressão competitiva sobre operadoras regionais
  • Avanço da inclusão digital em regiões isoladas
  • Estímulo a novos investimentos em conectividade rural

Por outro lado, uma eventual exigência de ajustes ou limitações pode atrasar a implementação plena da nova geração de satélites no país.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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