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Conta de luz vai pesar ainda mais: Aneel diz que aumentos não vão parar

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que as tarifas de energia elétrica continuarão subindo. Saiba os motivos!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Aneel aprova empréstimo bilionário ao setor elétrico

O custo da energia elétrica no Brasil tende a continuar em alta nos próximos anos. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou nesta quarta-feira (15) que não há perspectiva de redução nas tarifas enquanto os subsídios que pesam sobre o setor não forem reavaliados.

Durante sessão da comissão mista que analisa a MP 1.304/2025 — que propõe a modernização das regras do setor elétrico —, o dirigente ressaltou que a estrutura atual de incentivos gera distorções que comprometem a sustentabilidade econômica do sistema.

Tarifas sob pressão

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Imagem: weerameth / Freepik

Leia mais: Aneel lança guia para instalação de sistemas de baterias residenciais e comerciais

De acordo com Feitosa, os subsídios embutidos nas tarifas são o principal fator de pressão sobre o preço da energia elétrica. Entre eles, estão benefícios concedidos a consumidores com sistemas de geração solar própria e incentivos à expansão de fontes renováveis em regiões específicas, financiados pela CDE.

O peso dos subsídios na tarifa

A CDE foi criada para financiar políticas públicas do setor elétrico, como a universalização do serviço e o incentivo a fontes limpas. No entanto, o volume crescente de benefícios ampliou os custos repassados aos consumidores. Em 2025, estima-se que mais de R$ 40 bilhões sejam destinados à conta, valor que se reflete diretamente nas faturas residenciais e comerciais.

Impacto da energia solar e da MMGD

O avanço da micro e minigeração distribuída (MMGD) — composta principalmente por sistemas de energia solar instalados em residências e pequenas empresas — trouxe ganhos ambientais, mas também desafios regulatórios.
Esses consumidores, ao gerar parte da própria energia, deixam de pagar tarifas e encargos que financiam a rede elétrica. O custo é redistribuído entre os demais usuários, encarecendo a conta de quem não possui sistemas solares.

O risco de desequilíbrio no sistema elétrico

Sandoval Feitosa também alertou para um risco estrutural no futuro da matriz elétrica brasileira. Segundo ele, a expansão acelerada de fontes intermitentes, como solar e eólica, sem o devido planejamento, pode comprometer a segurança energética do país.

Redução das fontes firmes

Atualmente, as chamadas “fontes firmes” — hidrelétricas com reservatórios, termelétricas e usinas nucleares — respondem por cerca de 60% da matriz elétrica. Esses empreendimentos são essenciais porque garantem o fornecimento contínuo, independentemente das condições climáticas.
A projeção da Aneel indica que, até 2029, essa participação pode cair para 53%, o que aumentaria a vulnerabilidade do sistema a apagões e oscilações de tensão.

Intermitência e riscos operacionais

As fontes renováveis intermitentes produzem energia apenas quando há condições favoráveis. No caso da solar, a geração ocorre durante o dia e é reduzida em dias nublados. A eólica depende da intensidade dos ventos.
Sem mecanismos adequados de armazenamento ou compensação, a oscilação dessas fontes pode levar à necessidade de acionamento emergencial de termelétricas, mais caras e poluentes.

A MP 1.304/2025

A Medida Provisória 1.304/2025, em análise no Congresso, busca justamente modernizar o setor e revisar a forma como os custos são alocados. A proposta prevê mudanças nas regras de subsídios e estímulos à competitividade nos leilões de energia.

Objetivos principais da MP

Entre os pontos centrais da medida estão:

  • Revisão dos incentivos custeados pela CDE;
  • Redefinição da remuneração de distribuidoras e geradoras;
  • Adoção de mecanismos para melhorar a eficiência no uso da rede elétrica;
  • Maior transparência na formação das tarifas.

Um sistema mais sustentável e previsível

A ideia é reduzir a dependência de subsídios e tornar as tarifas mais previsíveis, estimulando investimentos em infraestrutura e armazenamento. A Aneel defende que, sem ajustes estruturais, o setor poderá enfrentar desequilíbrios financeiros e aumento constante das tarifas para todos os consumidores.

O impacto para o consumidor brasileiro

Reflexo no bolso do consumidor

Em 2025, a Aneel estimou que a tarifa média residencial subiu cerca de 8% em relação ao ano anterior, impulsionada por reajustes e encargos setoriais. Com a previsão de novos aumentos, especialistas afirmam que o cenário pode se agravar em 2026 e 2027.

A busca por alternativas

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Diante do encarecimento da energia, cresce o interesse por soluções de eficiência energética, como troca de lâmpadas e equipamentos antigos, e o uso de painéis solares. No entanto, os benefícios da geração própria ainda se concentram em classes de maior renda, o que aumenta a desigualdade tarifária.

Caminhos para o equilíbrio energético

Energia
Imagem: Freepik

A fala do diretor-geral da Aneel reforça a necessidade de repensar o modelo de financiamento do setor elétrico brasileiro. O desafio está em equilibrar a expansão das fontes renováveis com a manutenção da estabilidade e da modicidade tarifária.

Planejamento e inovação tecnológica

Especialistas apontam que o avanço das baterias de armazenamento, a digitalização das redes e a diversificação da matriz são fundamentais para evitar crises de abastecimento.
Além disso, é preciso garantir que os custos da transição energética sejam distribuídos de forma justa entre todos os consumidores.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Por que a conta de luz está subindo?
O aumento ocorre principalmente devido aos subsídios incluídos nas tarifas, como incentivos à energia solar e a programas da CDE, além de custos com encargos setoriais.

2. A energia solar é culpada pelo aumento?
Não diretamente. O problema é o modelo de compensação, que isenta parte dos consumidores de encargos, redistribuindo o custo para os demais.

3. A Aneel pode reduzir as tarifas?
A agência apenas regula e fiscaliza o setor. As tarifas só poderão cair se houver revisão nas políticas de subsídios e maior eficiência na alocação de custos.

4. O que é a CDE?
A Conta de Desenvolvimento Energético é um fundo que financia políticas públicas do setor elétrico, custeado pelas tarifas pagas por todos os consumidores.

Considerações finais

O futuro da energia no Brasil dependerá da capacidade do país de equilibrar sustentabilidade, segurança e custo acessível. Enquanto esse equilíbrio não for alcançado, a previsão da Aneel se mantém: as tarifas continuarão em trajetória de alta, pressionando famílias e empresas e exigindo respostas urgentes do poder público.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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