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Mythos, da Anthropic, mapeia mais de 10 mil vulnerabilidades em testes

Projeto Glasswing, da Anthropic, usa IA para encontrar vulnerabilidades críticas em softwares e preocupa especialistas em cibersegurança.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
anthropic

A corrida pela inteligência artificial entrou em uma nova fase: agora, os modelos mais avançados do setor estão sendo usados para encontrar vulnerabilidades de software em escala industrial. A desenvolvedora Anthropic anunciou os primeiros resultados do Projeto Glasswing, iniciativa voltada à identificação automatizada de falhas cibernéticas antes que elas sejam exploradas por criminosos digitais.

Segundo a companhia, o modelo experimental Claude Mythos Preview ajudou parceiros estratégicos a localizar mais de 10 mil vulnerabilidades classificadas como críticas ou de alta gravidade em apenas um mês de operação.

Os números chamaram atenção da indústria porque indicam uma mudança profunda na forma como empresas detectam brechas de segurança. Até recentemente, a principal limitação da cibersegurança era encontrar falhas rapidamente. Agora, segundo a Anthropic, o problema passou a ser outro: validar, corrigir e divulgar o enorme volume de vulnerabilidades identificadas pela IA.

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O que é o Projeto Glasswing

O Glasswing é uma iniciativa criada pela Anthropic para aplicar inteligência artificial avançada na descoberta automática de falhas em softwares corporativos e projetos de código aberto.

O projeto utiliza o Claude Mythos Preview, uma versão experimental do sistema Claude focada em:

  • análise de código-fonte;
  • identificação de vulnerabilidades;
  • reconhecimento de padrões inseguros;
  • detecção de falhas críticas;
  • sugestões automáticas de correção.

A proposta é reduzir drasticamente o tempo entre o surgimento de uma falha e sua descoberta.

Na prática, o sistema funciona como um auditor automatizado de segurança digital capaz de analisar milhões de linhas de código em velocidade muito superior à humana.

Gigantes da tecnologia participam do projeto

O Glasswing reúne algumas das maiores empresas do setor tecnológico e financeiro global. Entre os parceiros estão:

  • Cloudflare
  • Mozilla
  • Oracle
  • Palo Alto Networks
  • Amazon Web Services
  • Apple
  • Google
  • Nvidia
  • JPMorgan Chase
  • CrowdStrike

A presença dessas empresas mostra como a segurança digital baseada em IA passou a ser considerada prioridade estratégica em setores críticos da economia global.

Resultados impressionam especialistas

Os dados divulgados pela Anthropic sugerem um salto gigantesco na capacidade de descoberta de vulnerabilidades.

Cloudflare encontrou 2 mil bugs

A Cloudflare afirmou ter identificado aproximadamente 2 mil bugs utilizando o Mythos Preview.

Desse total:

  • cerca de 400 foram classificados como críticos ou de alta gravidade;
  • muitos poderiam comprometer sistemas de proteção de sites e redes corporativas.

Mozilla ampliou em mais de dez vezes a detecção de falhas

A Mozilla relatou ter encontrado e corrigido 271 vulnerabilidades no navegador Firefox durante os testes.

Segundo a Anthropic, o número representa mais de dez vezes a taxa registrada anteriormente com outros modelos Claude utilizados na análise do navegador.

O dado reforça a percepção de que modelos de IA especializados em segurança podem acelerar drasticamente auditorias de código.

IA muda a lógica da cibersegurança

Durante décadas, especialistas em segurança digital trabalharam com limitações humanas claras: equipes pequenas, revisão manual de código e processos lentos de investigação.

O avanço de modelos como o Mythos Preview altera esse cenário.

Segundo a Anthropic:

“O progresso na segurança de software costumava ser limitado pela rapidez com que conseguíamos encontrar novas vulnerabilidades. Agora, ele é limitado pela rapidez com que conseguimos verificar, divulgar e corrigir o grande número de vulnerabilidades encontradas pela IA.”

Essa mudança pode transformar profundamente o mercado de segurança cibernética nos próximos anos.

O lado preocupante da tecnologia

Apesar dos avanços, a Anthropic decidiu não liberar o Mythos Preview ao público.

O motivo é direto: uma IA extremamente eficiente para encontrar vulnerabilidades também poderia ser usada para criar ataques cibernéticos em larga escala.

Na prática, criminosos poderiam usar sistemas semelhantes para:

  • descobrir falhas antes das empresas;
  • automatizar invasões;
  • acelerar ataques ransomware;
  • explorar sistemas críticos;
  • comprometer bancos, hospitais e governos.

Por isso, a empresa afirma que ainda não existem salvaguardas suficientemente robustas para impedir usos maliciosos.

Governo e aliados devem participar do projeto

A Anthropic informou que pretende ampliar o Glasswing em parceria com governos, incluindo os Estados Unidos e países aliados.

A ideia é criar mecanismos de proteção antes de disponibilizar comercialmente modelos da chamada “classe Mythos”.

O movimento acompanha uma tendência crescente de cooperação entre governos e empresas privadas em temas ligados à segurança digital e inteligência artificial.

Mais de mil projetos de código aberto foram analisados

Além dos sistemas corporativos dos parceiros, o Mythos Preview foi usado para analisar mais de mil projetos open source amplamente utilizados na infraestrutura global da internet.

Os resultados foram expressivos:

  • 23.019 possíveis vulnerabilidades detectadas;
  • 6.202 classificadas inicialmente como críticas ou graves;
  • 1.587 confirmadas após validação humana;
  • 1.094 consideradas realmente críticas ou de alta gravidade.

Os números mostram outro desafio importante da IA na segurança digital: embora consiga encontrar enorme quantidade de potenciais falhas, ainda é necessário trabalho humano para validar os resultados e reduzir falsos positivos.

Caso envolvendo a biblioteca wolfSSL acendeu alerta

Um dos casos mais relevantes citados pela Anthropic envolve a biblioteca criptográfica wolfSSL, usada em bilhões de dispositivos conectados.

O Mythos Preview identificou uma vulnerabilidade grave registrada como:

  • CVE-2026-5194.

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Segundo a empresa, a falha permitiria falsificar certificados digitais, criando condições para ataques capazes de imitar sites legítimos de bancos, plataformas financeiras ou serviços de e-mail.

Na prática, criminosos poderiam criar páginas aparentemente confiáveis para roubo de dados e credenciais.

A vulnerabilidade já foi corrigida.

Gargalo agora é humano, não tecnológico

Um dos pontos mais importantes levantados pela Anthropic é que o maior problema da cibersegurança pode deixar de ser tecnológico.

Segundo a companhia, a capacidade da IA de encontrar falhas cresceu mais rápido do que a capacidade humana de:

  • validar vulnerabilidades;
  • notificar desenvolvedores;
  • produzir correções;
  • distribuir atualizações de segurança.

Isso significa que empresas podem enfrentar uma avalanche de problemas identificados sem equipes suficientes para resolver tudo rapidamente.

Microsoft já havia alertado sobre aumento nas correções

A Anthropic afirmou que modelos como o Mythos Preview já influenciam o crescimento do número de atualizações de segurança lançadas pelas gigantes de tecnologia.

A Microsoft, por exemplo, já havia indicado anteriormente que seus pacotes de correção tenderiam a crescer por algum tempo devido ao avanço das ferramentas automatizadas de descoberta de falhas.

Isso pode representar mudanças importantes para empresas e usuários comuns, que deverão lidar com ciclos de atualização mais frequentes.

IA também já ajuda a impedir fraudes financeiras

A Anthropic revelou que o sistema começou a ser usado além da busca por vulnerabilidades.

Segundo a empresa, um banco parceiro conseguiu impedir uma fraude de US$ 1,5 milhão utilizando o Mythos Preview.

No caso, criminosos haviam comprometido a conta de e-mail de um cliente e realizado chamadas falsas para tentar validar uma transferência bancária.

O sistema detectou sinais suspeitos e ajudou a bloquear a operação.

Esse tipo de aplicação reforça como a IA está se tornando ferramenta estratégica não apenas para defesa técnica de sistemas, mas também para prevenção de crimes financeiros sofisticados.

Empresas brasileiras também devem sentir os impactos

Embora o projeto esteja concentrado inicialmente em grandes empresas globais, os efeitos dessa nova geração de ferramentas devem alcançar rapidamente o mercado brasileiro.

No Brasil, setores como:

  • bancos;
  • fintechs;
  • e-commerce;
  • telecomunicações;
  • saúde;
  • órgãos públicos;

já enfrentam aumento constante de ataques cibernéticos.

Dados recentes do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil apontam crescimento contínuo de incidentes relacionados a vazamento de dados, ransomware e exploração de vulnerabilidades.

Nesse contexto, ferramentas automatizadas de auditoria de segurança tendem a ganhar espaço rapidamente entre grandes empresas brasileiras.

Anthropic – Imagem: JRdes/Shutterstock

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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