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Super El Niño pode intensificar chuvas em São Paulo até o fim de 2026

O El Niño de 2026 está ganhando força e deve influenciar o clima brasileiro nos próximos meses. A atualização mais recente do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), divulgada em setembro, aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de muito forte no trimestre entre setembro e novembro. Os efeitos já aparecem […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O El Niño de 2026 está ganhando força e deve influenciar o clima brasileiro nos próximos meses. A atualização mais recente do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), divulgada em setembro, aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de muito forte no trimestre entre setembro e novembro.

Os efeitos já aparecem no comportamento das chuvas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o acumulado chegou a 253,8 milímetros até a manhã de 14 de setembro, o maior volume registrado para todo o mês desde o início da série histórica do Mirante de Santana, em 1943. O índice também corresponde a cerca de três vezes a média climatológica de setembro.

Isso não significa, porém, que todo episódio de chuva intensa possa ser atribuído exclusivamente ao El Niño. Sistemas frontais, ciclones, circulação atmosférica e condições locais também interferem no tempo. O fenômeno funciona como um fator capaz de modificar padrões atmosféricos em escala regional e global.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

El Niño deve continuar influenciando o clima brasileiro

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam significativamente mais quentes que a média. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica a distribuição de calor e umidade em diferentes partes do planeta.

A intensidade prevista para o atual episódio chama atenção. Segundo o boletim conjunto divulgado pelo INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM, as projeções do CPC/NOAA indicavam mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.

A atualização da NOAA de 10 de setembro também apontou que o fenômeno estava se fortalecendo, com anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 3 °C no Pacífico Equatorial oriental. A agência americana projetou mais de 90% de chance de um evento muito forte durante o outono e inverno do Hemisfério Norte de 2026-27.

O que isso significa para o Brasil?

Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões brasileiras. Historicamente, o Sul tende a receber volumes de chuva maiores durante episódios do fenômeno, enquanto outras áreas podem enfrentar períodos mais secos ou alterações nas temperaturas.

Para setembro de 2026, o INMET previa precipitações acima da média em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de setores da Região Norte. No Nordeste, predominavam áreas com chuva próxima da normalidade ou abaixo dela.

A previsão climática, portanto, não significa que todas as cidades dessas regiões terão temporais. Ela representa uma tendência para períodos mais longos e precisa ser complementada pelas previsões meteorológicas de curto prazo.

São Paulo já enfrenta chuva excepcional

O caso de São Paulo mostra como a combinação de diferentes sistemas atmosféricos pode produzir volumes expressivos de precipitação.

Até as 9h de 14 de setembro, a capital acumulava 253,8 mm no mês. O recorde anterior para setembro havia sido registrado em 1983, com 243,1 mm. Também foram registrados acumulados elevados em outras localidades do estado. Em Campinas, por exemplo, o volume entre os dias 1º e 13 chegou a 257,2 mm.

O excesso de chuva aumenta a preocupação em áreas urbanas sujeitas a alagamentos, enchentes e deslizamentos. Quando o solo permanece saturado por sucessivos episódios de precipitação, novos temporais podem elevar rapidamente o risco de ocorrências.

Por isso, moradores de regiões vulneráveis devem acompanhar os avisos meteorológicos e da Defesa Civil, especialmente durante a passagem de frentes frias e episódios de chuva intensa.

Sul e Sudeste devem permanecer no radar

A previsão mensal do INMET para setembro indica continuidade de um cenário mais úmido em partes do Sul e Sudeste. No trimestre setembro-outubro-novembro, a avaliação climática também é acompanhada de perto pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento de chuva, temperatura, recursos hídricos e desastres.

No Sul, os efeitos podem incluir períodos de chuva persistente e episódios de precipitação intensa. No Sudeste, a distribuição pode ser mais irregular, com alternância entre períodos quentes e episódios de instabilidade.

Outro fator importante é a ocorrência de sistemas de baixa pressão, frentes frias e ciclones extratropicais. Eles podem produzir rajadas de vento, temporais e mudanças bruscas de temperatura independentemente do fenômeno El Niño.

Calor também pode ser um problema

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O impacto do El Niño não se resume às chuvas. O aquecimento do Pacífico altera padrões atmosféricos e pode favorecer temperaturas acima da média em determinadas regiões.

O INMET projetou, para setembro, temperaturas acima da climatologia em grande parte do Sudeste, especialmente em Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro. No Centro-Oeste, também foram previstos desvios positivos em áreas de Mato Grosso e Goiás.

Essa combinação de chuva intensa em determinados períodos e calor acima do normal em outros pode aumentar os desafios para agricultura, abastecimento de água, infraestrutura e saúde pública.

Fenômeno pode durar até 2027?

As previsões indicam que a influência do El Niño não deve desaparecer rapidamente. A NOAA mantém probabilidade elevada de ocorrência do fenômeno nas próximas estações, embora a intensidade e a duração exatas estejam sujeitas a revisões conforme novas observações sejam incorporadas aos modelos.

É importante diferenciar, portanto, a duração do fenômeno da duração de seus efeitos. Mesmo quando as condições do Pacífico começam a mudar, algumas consequências atmosféricas podem persistir por algum tempo.

Além disso, previsões para vários meses apresentam mais incerteza do que as previsões para os próximos dias. Por isso, alertas sobre temporais específicos devem sempre ser consultados em fontes meteorológicas oficiais.

Imagem criada por inteligência artificial

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