A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, substância utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle de peso de pacientes com indicação médica.
As autorizações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS e publicadas no Diário Oficial da União na terça-feira, 8 de setembro. Os dois medicamentos serão apresentados como solução injetável na concentração de 6 mg/mL, administrada por meio de canetas aplicadoras.
Um dos genéricos terá indicação relacionada ao tratamento da obesidade e do sobrepeso, enquanto o outro será direcionado ao controle do diabetes tipo 2. Apesar de possuírem o mesmo princípio ativo, eles não devem ser tratados como produtos idênticos para qualquer finalidade.
A aprovação pode ampliar a concorrência e reduzir o custo do tratamento. Isso não significa, porém, que as novas canetas estarão imediatamente disponíveis em todas as farmácias ou que poderão ser compradas sem receita.
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O que a Anvisa aprovou?

A Anvisa autorizou dois registros de medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS. As decisões constam da Resolução-RE nº 3.458, de 3 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 8 de setembro.
Os dois produtos apresentam concentração de 6 mg/mL e serão disponibilizados como solução injetável para aplicação subcutânea, feita na camada de gordura sob a pele.
Os medicamentos estão ligados a dois produtos que a EMS já comercializa:
- Olire, indicado para controle de peso, conforme os critérios definidos na bula;
- Lirux, destinado ao tratamento do diabetes tipo 2.
As novas versões poderão ser comercializadas pelo nome do princípio ativo, liraglutida, sem depender de uma marca específica na embalagem.
Ter o mesmo princípio ativo não significa que o paciente possa trocar livremente uma indicação pela outra. As doses usadas para diabetes e obesidade podem ser diferentes, assim como o aumento gradual da quantidade aplicada e os objetivos do tratamento.
O que é a liraglutida e como ela age?
A liraglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. O nome parece complicado, mas o funcionamento pode ser explicado de maneira simples.
O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo intestino depois das refeições. Ele participa do controle da glicose, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está elevado e envia ao cérebro sinais relacionados à saciedade.
A liraglutida imita parte dessas ações. Com isso, pode:
- ajudar no controle da glicemia;
- reduzir a velocidade com que o estômago esvazia;
- prolongar a sensação de saciedade;
- diminuir o apetite;
- auxiliar na perda de peso quando associada a mudanças de hábitos.
Diferentemente de algumas canetas de aplicação semanal, a liraglutida geralmente é administrada todos os dias. O tratamento costuma começar com dose menor, elevada progressivamente conforme a orientação médica e a tolerância do paciente.
Essa fase de adaptação ajuda a diminuir desconfortos gastrointestinais. A pessoa não deve acelerar o aumento da dose para tentar emagrecer mais rapidamente, pois isso eleva o risco de efeitos adversos sem garantir um resultado melhor.
Qual é a diferença entre os dois genéricos?
Embora os dois medicamentos contenham liraglutida na mesma concentração, os registros possuem indicações distintas.
Um produto foi aprovado com base em um medicamento voltado ao tratamento da obesidade e do sobrepeso em pacientes que atendam aos critérios da bula. O outro tem como referência um produto utilizado no controle do diabetes tipo 2.
Na prática, isso significa que o médico deverá considerar a finalidade do tratamento antes de prescrever.
Liraglutida para diabetes tipo 2
No diabetes tipo 2, o organismo apresenta dificuldade para utilizar adequadamente a insulina ou não produz quantidade suficiente para manter a glicose controlada.
A liraglutida ajuda a reduzir o açúcar no sangue, principalmente ao estimular a liberação de insulina de maneira dependente da glicose. Isso quer dizer que sua ação aumenta quando a glicemia está elevada.
O medicamento não substitui automaticamente outros tratamentos. Dependendo do caso, poderá ser usado sozinho ou em associação com remédios como metformina, insulina ou outras classes definidas pelo médico.
Liraglutida para controle do peso
No tratamento da obesidade, a substância atua principalmente sobre o apetite e a saciedade. A pessoa tende a sentir menos fome e a permanecer satisfeita durante mais tempo depois das refeições.
A indicação não depende apenas da vontade de perder alguns quilos. O profissional precisa avaliar o índice de massa corporal, as doenças associadas, o histórico clínico e os riscos individuais.
O medicamento deve integrar um plano mais amplo, com alimentação equilibrada, atividade física possível para o paciente e acompanhamento de saúde. A caneta não elimina a necessidade dessas medidas.
O que significa um medicamento ser genérico?
O medicamento genérico possui o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação terapêutica do produto utilizado como referência em seu registro.
Para receber a aprovação da Anvisa, a fabricante precisa apresentar dados que comprovem a qualidade e a equivalência do produto. Isso permite que o genérico produza o efeito terapêutico esperado quando usado corretamente.
A diferença mais visível é a forma de identificação. Em vez de destacar uma marca, o genérico é vendido pelo nome do princípio ativo e traz a conhecida faixa amarela em sua embalagem.
A aprovação, portanto, não representa uma liberação com critérios mais brandos. O genérico também precisa cumprir exigências de fabricação, estabilidade, controle de qualidade e segurança.
As novas canetas serão mais baratas?
A expectativa é que os genéricos ampliem a concorrência e tenham preço inferior ao dos medicamentos de referência. Entretanto, os valores das novas apresentações ainda precisam ser confirmados no mercado.
Pelas regras aplicáveis ao setor, o preço de entrada de um genérico deve ser pelo menos 35% inferior ao preço do medicamento de referência considerado no registro. A própria Anvisa destaca essa regra ao explicar como a categoria pode ampliar o acesso aos tratamentos.
Isso não significa que o consumidor encontrará exatamente o mesmo desconto em todas as farmácias. O valor final pode variar conforme a rede, o estado, os impostos, as promoções e os programas de desconto.
Também é necessário considerar o custo completo do tratamento. Como a liraglutida costuma ser aplicada diariamente, a quantidade de canetas utilizada por mês dependerá da dose prescrita.
O paciente não deve comparar apenas o preço de uma embalagem. É mais útil calcular quantos dias o produto durará na dose indicada pelo médico.
Quando os genéricos chegarão às farmácias?
O registro sanitário autoriza a comercialização, mas não obriga a empresa a distribuir o medicamento imediatamente.
Depois da aprovação da Anvisa, a fabricante ainda precisa organizar etapas como produção, definição de preço, embalagem, logística e abastecimento das redes de farmácias.
Por esse motivo, pode existir um intervalo entre a publicação do registro e a disponibilidade ampla nas lojas. A empresa ainda deverá informar o cronograma comercial e os preços das apresentações.
Ao encontrar o produto, o consumidor deve verificar se a embalagem possui registro regular e identificação do fabricante. Medicamentos injetáveis não devem ser comprados por redes sociais, vendedores informais ou sites sem procedência conhecida.
Será necessário apresentar receita?
Sim. Desde 23 de junho de 2025, medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, incluindo a liraglutida, somente podem ser vendidos com retenção da receita nas farmácias e drogarias.
A medida foi adotada pela Anvisa após o crescimento do uso sem acompanhamento profissional. A receita tem validade de 90 dias e deve ser emitida em duas vias, sendo uma delas retida pelo estabelecimento.
Não existe um modelo especial de receituário. O documento, porém, precisa trazer a identificação do paciente e do profissional, nome do medicamento ou da substância, concentração, quantidade, forma farmacêutica e modo de uso.
A Anvisa explica que o controle mais rigoroso busca reduzir a automedicação e proteger os pacientes dos riscos associados ao uso inadequado.
A receita também poderá ser eletrônica, desde que cumpra os requisitos legais de validade e assinatura.
Quais são os principais efeitos colaterais?
Os efeitos adversos mais frequentes da liraglutida estão relacionados ao sistema digestivo, especialmente no começo do tratamento ou durante o aumento da dose.
Entre as reações que podem ocorrer estão:
- náusea;
- vômito;
- diarreia;
- prisão de ventre;
- desconforto abdominal;
- redução intensa do apetite;
- sensação de estômago cheio;
- dor de cabeça.
Nem todo paciente apresenta esses sintomas. Quando aparecem, eles podem diminuir depois do período de adaptação.
Vômitos e diarreia persistentes podem provocar desidratação, principalmente em idosos ou pessoas com problemas renais. Por isso, sintomas intensos ou prolongados devem ser comunicados ao profissional responsável.
Dor abdominal intensa exige atenção
Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido de medicamentos agonistas de GLP-1. A reação já consta das bulas, mas pode ser grave.
Dor abdominal forte e persistente, especialmente quando se espalha para as costas e vem acompanhada de náuseas ou vômitos, exige avaliação médica imediata.
O risco não significa que todos os usuários desenvolverão pancreatite. A própria Anvisa informou que a relação entre benefícios e riscos continua favorável quando os medicamentos são usados nas indicações aprovadas e com acompanhamento profissional.
Pacientes que utilizam insulina ou determinados medicamentos para diabetes também podem apresentar hipoglicemia, que é a queda excessiva do açúcar no sangue. Nesses casos, o médico poderá precisar ajustar as doses.
Quem deve ter cuidado antes de usar?
A decisão precisa ser individual. Antes de prescrever liraglutida, o profissional deve conhecer o histórico de saúde, os medicamentos utilizados e a finalidade do tratamento.
É importante informar ao médico sobre:
- episódios anteriores de pancreatite;
- doenças da vesícula;
- problemas renais;
- doenças gastrointestinais importantes;
- uso de insulina ou outros antidiabéticos;
- gravidez, amamentação ou intenção de engravidar;
- histórico pessoal ou familiar de doenças específicas da tireoide;
- outros medicamentos usados diariamente.
A liraglutida não deve ser compartilhada. Mesmo que a agulha seja trocada, uma caneta usada por mais de uma pessoa pode causar contaminação e transmissão de doenças.
A conservação também precisa seguir a bula. Temperatura inadequada, congelamento ou exposição ao calor podem comprometer o medicamento.
Genérico poderá ser oferecido pelo SUS?
A aprovação da Anvisa não significa inclusão automática no Sistema Único de Saúde.
A Anvisa avalia se o medicamento apresenta qualidade, segurança e eficácia para ser comercializado no país. Já a oferta pelo SUS depende de outra análise, que considera benefícios clínicos, custos, impacto no orçamento público e alternativas disponíveis.
Esse processo costuma envolver a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec, e uma decisão do Ministério da Saúde.
Portanto, o registro dos genéricos permite a venda no mercado brasileiro, mas não garante distribuição gratuita nas unidades públicas.
A entrada de versões mais baratas pode, no futuro, influenciar avaliações econômicas e negociações de compra. Qualquer incorporação, contudo, deverá ser anunciada oficialmente pelo governo.
O genérico pode substituir outra caneta emagrecedora?
Não por conta própria. Liraglutida, semaglutida e tirzepatida são substâncias diferentes, mesmo quando os produtos são chamados popularmente de “canetas emagrecedoras”.
Elas possuem esquemas de aplicação, doses, indicações e perfis de segurança próprios. A liraglutida geralmente é aplicada diariamente, enquanto algumas outras opções são semanais.
Uma pessoa que utiliza semaglutida não deve simplesmente calcular uma dose equivalente de liraglutida. Essa conversão não pode ser feita comparando apenas os números escritos nas embalagens.
A troca deve ser orientada pelo médico, que poderá estabelecer um intervalo entre os produtos e definir uma nova progressão de dose.
O que muda para o consumidor?
A principal mudança é a criação de novas opções reguladas no mercado brasileiro. Com dois registros genéricos, o paciente poderá encontrar liraglutida identificada pelo nome da substância e, possivelmente, com preço mais baixo.
O consumidor, entretanto, deve esperar a confirmação da chegada às farmácias e do valor comercial. A aprovação não dispensa receita e não torna o tratamento adequado para todas as pessoas.
Antes de comprar, o paciente deve:
- procurar avaliação médica;
- confirmar a indicação correta;
- obter receita em duas vias ou prescrição eletrônica válida;
- comparar o custo mensal, e não apenas o preço da embalagem;
- adquirir o produto em estabelecimento regular;
- seguir a progressão de dose indicada;
- observar possíveis efeitos adversos.
A autorização dos genéricos pode ampliar o acesso à liraglutida, mas o benefício dependerá do uso correto. Canetas para diabetes e obesidade são medicamentos, não produtos estéticos de utilização livre.
Perguntas frequentes

O que a Anvisa aprovou?
A Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida, na concentração de 6 mg/mL. Um registro é voltado ao tratamento da obesidade e do sobrepeso, e o outro ao diabetes tipo 2.
Liraglutida é igual a semaglutida?
Não. As duas pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, mas são substâncias diferentes. A liraglutida geralmente é aplicada diariamente, enquanto produtos de semaglutida podem ter aplicação semanal.
O genérico de liraglutida já está nas farmácias?
O registro permite a comercialização, mas a disponibilidade depende da produção e da distribuição pela fabricante. A presença pode variar entre regiões e redes.
Será preciso apresentar receita?
Sim. A venda de liraglutida exige receita em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia. A prescrição tem validade de 90 dias.
O genérico será 35% mais barato?
A regra de precificação prevê que o genérico entre com preço ao menos 35% inferior ao medicamento de referência. O valor cobrado ao consumidor pode variar entre farmácias.
A liraglutida pode ser usada apenas para emagrecer alguns quilos?
O medicamento deve ser utilizado somente quando houver indicação clínica, conforme os critérios da bula e a avaliação de um profissional. Não é recomendado para uso estético por conta própria.
O SUS fornecerá os novos genéricos?
Não automaticamente. A aprovação da Anvisa autoriza a comercialização, mas a oferta pelo SUS depende de um processo específico de incorporação pelo Ministério da Saúde.