A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso. Os produtos têm concentração de 6 mg/mL e foram registrados pela farmacêutica brasileira EMS.
As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União em 8 de setembro de 2026 e representam uma nova etapa para a oferta de medicamentos com liraglutida no mercado brasileiro.
A substância já é conhecida dos pacientes brasileiros por estar presente em medicamentos comercializados em canetas aplicadoras. Com a aprovação dos genéricos, aumenta a possibilidade de oferta do princípio ativo sem a necessidade de vinculação a uma marca comercial específica.
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O que a Anvisa aprovou?

A decisão envolve dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, ambos com concentração de 6 mg/mL.
A aprovação permite que os produtos sejam comercializados como medicamentos genéricos, desde que atendam às exigências regulatórias estabelecidas pela Anvisa para qualidade, segurança e eficácia.
A EMS já possui medicamentos com a mesma substância em seu portfólio. Entre eles estão o Olire, destinado ao controle do peso, e o Lirux, voltado ao tratamento do diabetes tipo 2.
Embora utilizem o mesmo princípio ativo, as indicações, doses e condições de utilização podem variar de acordo com o medicamento e a finalidade terapêutica. Por isso, a aprovação de um genérico não significa que qualquer produto de liraglutida possa ser utilizado indistintamente para emagrecimento ou diabetes.
Para que serve a liraglutida?
A liraglutida pertence à classe dos medicamentos conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1. Sua atuação está relacionada à regulação da glicose e do apetite.
No tratamento do diabetes tipo 2, o medicamento pode contribuir para melhorar o controle da glicemia. No tratamento da obesidade ou do excesso de peso em pacientes que atendem aos critérios médicos, a substância pode auxiliar na redução do apetite e, consequentemente, na perda de peso.
A utilização, entretanto, deve ocorrer conforme indicação médica. O medicamento não substitui alimentação equilibrada, atividade física ou acompanhamento profissional.
Outro ponto importante é que liraglutida não deve ser confundida com outros medicamentos da mesma classe, como aqueles à base de semaglutida ou tirzepatida. Apesar de apresentarem mecanismos relacionados ao sistema de incretinas, são princípios ativos diferentes e possuem indicações, doses e características próprias.
O que muda com a chegada do genérico?
A principal mudança está na ampliação das opções disponíveis para o consumidor.
Pelas regras brasileiras, um medicamento genérico contém o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação terapêutica do medicamento de referência correspondente, observadas as exigências regulatórias.
A identificação ocorre pelo nome do princípio ativo, sem a necessidade de uma marca comercial específica.
Isso pode aumentar a concorrência entre fabricantes e, dependendo das condições de mercado, favorecer a oferta de alternativas com preços diferentes.
No entanto, a aprovação pela Anvisa não significa que o medicamento automaticamente ficará mais barato. O preço final depende de fatores como política comercial da empresa, concorrência, custos de produção e distribuição e regras de regulação de preços de medicamentos.
Genérico é igual ao medicamento de marca?
O medicamento genérico deve demonstrar equivalência ao medicamento de referência nos parâmetros exigidos pela legislação sanitária. Isso permite que seja considerado uma alternativa terapêutica ao produto correspondente, desde que utilizado conforme a indicação aprovada.
A existência do registro na Anvisa é fundamental porque significa que o produto passou pelo processo regulatório aplicável à sua categoria.
Ainda assim, o paciente não deve trocar por conta própria um medicamento prescrito por outro, mesmo que ambos contenham liraglutida. A substituição deve respeitar a orientação do médico ou de outro profissional habilitado.
Isso é especialmente importante em tratamentos de diabetes e controle do peso, nos quais a dose pode precisar de ajustes progressivos e o acompanhamento clínico ajuda a avaliar resposta e efeitos adversos.
A aprovação significa que qualquer pessoa poderá usar?
Não.
A autorização sanitária não transforma a liraglutida em um medicamento indicado para todas as pessoas que desejam perder peso.
O tratamento da obesidade depende de avaliação individual, considerando fatores como índice de massa corporal, presença de doenças associadas, histórico clínico, outros medicamentos utilizados e possíveis contraindicações.
Além disso, a indicação aprovada para cada produto deve ser respeitada. Um medicamento registrado para determinada finalidade não deve ser utilizado automaticamente para outra condição apenas porque contém o mesmo princípio ativo.
O uso sem acompanhamento também pode aumentar o risco de problemas relacionados à dose, interações medicamentosas e efeitos adversos.
O que o consumidor deve observar antes de comprar?
Com a ampliação da oferta de medicamentos para emagrecimento e diabetes, a orientação é evitar produtos vendidos fora dos canais regulares.
O consumidor deve verificar a procedência, a embalagem, o registro sanitário e as informações oficiais do medicamento. A compra deve ocorrer em estabelecimentos autorizados, especialmente porque medicamentos injetáveis exigem cuidados específicos de armazenamento e conservação.
Também é importante desconfiar de anúncios que prometem emagrecimento rápido, resultados garantidos ou venda de medicamentos sem receita quando a legislação exige prescrição.
A Anvisa mantém ferramentas para consulta de medicamentos regularizados, permitindo verificar informações sobre produtos autorizados no país.
Genéricos podem ampliar o acesso ao tratamento

A aprovação de versões genéricas da liraglutida ocorre em um mercado no qual os medicamentos utilizados para diabetes e controle do peso ganharam grande atenção.
A entrada de novos fabricantes pode aumentar a concorrência e diversificar as alternativas disponíveis aos pacientes e profissionais de saúde.
O impacto sobre os preços, porém, dependerá da evolução efetiva do mercado após a chegada dos produtos às farmácias. Registro sanitário e disponibilidade comercial são etapas diferentes, portanto, a aprovação não significa necessariamente que o genérico estará imediatamente disponível em todos os estabelecimentos.
Para quem já utiliza liraglutida, a novidade deve ser encarada principalmente como uma ampliação das opções terapêuticas. Qualquer mudança de produto, concentração ou esquema de aplicação deve ser discutida com o profissional responsável pelo tratamento.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
