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Dois medicamentos genéricos à base de liraglutida são aprovados pela Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso. Os produtos têm concentração de 6 mg/mL e foram registrados pela farmacêutica brasileira EMS. As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso. Os produtos têm concentração de 6 mg/mL e foram registrados pela farmacêutica brasileira EMS.

As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União em 8 de setembro de 2026 e representam uma nova etapa para a oferta de medicamentos com liraglutida no mercado brasileiro.

A substância já é conhecida dos pacientes brasileiros por estar presente em medicamentos comercializados em canetas aplicadoras. Com a aprovação dos genéricos, aumenta a possibilidade de oferta do princípio ativo sem a necessidade de vinculação a uma marca comercial específica.

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O que a Anvisa aprovou?

Canetas
Imagem: Reprodução / Freepik.com

A decisão envolve dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, ambos com concentração de 6 mg/mL.

A aprovação permite que os produtos sejam comercializados como medicamentos genéricos, desde que atendam às exigências regulatórias estabelecidas pela Anvisa para qualidade, segurança e eficácia.

A EMS já possui medicamentos com a mesma substância em seu portfólio. Entre eles estão o Olire, destinado ao controle do peso, e o Lirux, voltado ao tratamento do diabetes tipo 2.

Embora utilizem o mesmo princípio ativo, as indicações, doses e condições de utilização podem variar de acordo com o medicamento e a finalidade terapêutica. Por isso, a aprovação de um genérico não significa que qualquer produto de liraglutida possa ser utilizado indistintamente para emagrecimento ou diabetes.

Para que serve a liraglutida?

A liraglutida pertence à classe dos medicamentos conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1. Sua atuação está relacionada à regulação da glicose e do apetite.

No tratamento do diabetes tipo 2, o medicamento pode contribuir para melhorar o controle da glicemia. No tratamento da obesidade ou do excesso de peso em pacientes que atendem aos critérios médicos, a substância pode auxiliar na redução do apetite e, consequentemente, na perda de peso.

A utilização, entretanto, deve ocorrer conforme indicação médica. O medicamento não substitui alimentação equilibrada, atividade física ou acompanhamento profissional.

Outro ponto importante é que liraglutida não deve ser confundida com outros medicamentos da mesma classe, como aqueles à base de semaglutida ou tirzepatida. Apesar de apresentarem mecanismos relacionados ao sistema de incretinas, são princípios ativos diferentes e possuem indicações, doses e características próprias.

O que muda com a chegada do genérico?

A principal mudança está na ampliação das opções disponíveis para o consumidor.

Pelas regras brasileiras, um medicamento genérico contém o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação terapêutica do medicamento de referência correspondente, observadas as exigências regulatórias.

A identificação ocorre pelo nome do princípio ativo, sem a necessidade de uma marca comercial específica.

Isso pode aumentar a concorrência entre fabricantes e, dependendo das condições de mercado, favorecer a oferta de alternativas com preços diferentes.

No entanto, a aprovação pela Anvisa não significa que o medicamento automaticamente ficará mais barato. O preço final depende de fatores como política comercial da empresa, concorrência, custos de produção e distribuição e regras de regulação de preços de medicamentos.

Genérico é igual ao medicamento de marca?

O medicamento genérico deve demonstrar equivalência ao medicamento de referência nos parâmetros exigidos pela legislação sanitária. Isso permite que seja considerado uma alternativa terapêutica ao produto correspondente, desde que utilizado conforme a indicação aprovada.

A existência do registro na Anvisa é fundamental porque significa que o produto passou pelo processo regulatório aplicável à sua categoria.

Ainda assim, o paciente não deve trocar por conta própria um medicamento prescrito por outro, mesmo que ambos contenham liraglutida. A substituição deve respeitar a orientação do médico ou de outro profissional habilitado.

Isso é especialmente importante em tratamentos de diabetes e controle do peso, nos quais a dose pode precisar de ajustes progressivos e o acompanhamento clínico ajuda a avaliar resposta e efeitos adversos.

A aprovação significa que qualquer pessoa poderá usar?

Não.

A autorização sanitária não transforma a liraglutida em um medicamento indicado para todas as pessoas que desejam perder peso.

O tratamento da obesidade depende de avaliação individual, considerando fatores como índice de massa corporal, presença de doenças associadas, histórico clínico, outros medicamentos utilizados e possíveis contraindicações.

Além disso, a indicação aprovada para cada produto deve ser respeitada. Um medicamento registrado para determinada finalidade não deve ser utilizado automaticamente para outra condição apenas porque contém o mesmo princípio ativo.

O uso sem acompanhamento também pode aumentar o risco de problemas relacionados à dose, interações medicamentosas e efeitos adversos.

O que o consumidor deve observar antes de comprar?

Com a ampliação da oferta de medicamentos para emagrecimento e diabetes, a orientação é evitar produtos vendidos fora dos canais regulares.

O consumidor deve verificar a procedência, a embalagem, o registro sanitário e as informações oficiais do medicamento. A compra deve ocorrer em estabelecimentos autorizados, especialmente porque medicamentos injetáveis exigem cuidados específicos de armazenamento e conservação.

Também é importante desconfiar de anúncios que prometem emagrecimento rápido, resultados garantidos ou venda de medicamentos sem receita quando a legislação exige prescrição.

A Anvisa mantém ferramentas para consulta de medicamentos regularizados, permitindo verificar informações sobre produtos autorizados no país.

Genéricos podem ampliar o acesso ao tratamento

canetas obesidade fiocruz
Imagem: Freepik

A aprovação de versões genéricas da liraglutida ocorre em um mercado no qual os medicamentos utilizados para diabetes e controle do peso ganharam grande atenção.

A entrada de novos fabricantes pode aumentar a concorrência e diversificar as alternativas disponíveis aos pacientes e profissionais de saúde.

O impacto sobre os preços, porém, dependerá da evolução efetiva do mercado após a chegada dos produtos às farmácias. Registro sanitário e disponibilidade comercial são etapas diferentes, portanto, a aprovação não significa necessariamente que o genérico estará imediatamente disponível em todos os estabelecimentos.

Para quem já utiliza liraglutida, a novidade deve ser encarada principalmente como uma ampliação das opções terapêuticas. Qualquer mudança de produto, concentração ou esquema de aplicação deve ser discutida com o profissional responsável pelo tratamento.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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