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Ozempic: queda de preços e faturamento bilionário após fim da patente

Com o fim da patente da semaglutida, medicamentos emagrecedores como Ozempic e Wegovy terão versões genéricas no Brasil.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Ozempic

O mercado brasileiro de medicamentos voltados ao emagrecimento está prestes a passar por uma transformação significativa. O vencimento da patente da semaglutida — princípio ativo do Ozempic e do Wegovy —, previsto para março de 2026, deve abrir caminho para a entrada de versões genéricas e similares. A expectativa é que os preços caiam entre 30% e 50%, considerando que atualmente uma caneta pode custar entre R$ 900 e R$ 3.000.

De acordo com relatório da UBS BB Corretora, o faturamento da categoria de agonistas de GLP-1 no Brasil pode chegar a R$ 20 bilhões ainda em 2026, quase dobrando os R$ 11 bilhões registrados em 2025. O crescimento é impulsionado pela baixa penetração do tratamento: apenas 1,1% dos adultos com sobrepeso e 2,5% dos obesos utilizam essas terapias.

A chegada dos genéricos e a expansão da oferta

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A indústria farmacêutica já se movimenta para registrar medicamentos genéricos de semaglutida. O Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) confirma que o fim da exclusividade da patente deve democratizar o uso, com a concorrência atuando como principal mecanismo de controle de preços.

Pedidos de registro na ANVISA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) já recebeu diversas solicitações:

  • Medicamentos sintéticos: 11 pedidos de registro para a semaglutida e sete para a liraglutida, princípio ativo do Saxenda e Victoza.
  • Medicamentos biológicos: pedidos incluem combinações de semaglutida com insulina icodeca e versões isoladas de semaglutida e liraglutida.
  • Principais players: EMS, Eurofarma e Hypera já anunciaram investimentos na produção nacional, buscando ampliar o acesso e reduzir preços.

A expectativa é que a chegada de novos fabricantes aumente a oferta de canetas e torne o tratamento mais acessível à população.

Preços: do luxo ao alcance popular?

Atualmente, o tratamento com Ozempic e Wegovy é restrito principalmente às classes A e B. O endocrinologista Bruno Geloneze, da Unicamp, alerta que a queda de preços pode não ser suficiente para atingir a maior parte da população.

Barreiras no SUS

  • SUS: Ainda não oferece o medicamento. Uma tentativa de incorporação foi rejeitada em 2025 devido ao custo estimado de R$ 7 bilhões em cinco anos.
  • Parcerias estratégicas: EMS e Fiocruz trabalham em transferência tecnológica para produção pública das canetas.

Saúde suplementar

  • Planos de saúde: Decisões recentes do STF dificultam a obrigatoriedade de cobertura para medicamentos fora do rol da ANS.
  • Judicialização: Entre 2023 e 2025, 67% das ações envolvendo canetas emagrecedoras foram movidas contra o Estado, mostrando o acesso restrito aos tratamentos via judicial.

Uso correto e acompanhamento multidisciplinar

Especialistas reforçam que o medicamento deve ser acompanhado por nutricionistas, endocrinologistas e profissionais de saúde. Sem mudanças no estilo de vida, os resultados podem ser limitados, tornando a medicação apenas paliativa.

  • Eficácia clínica: A semaglutida ajuda na redução de peso e na prevenção de complicações cardiovasculares, renais e metabólicas, mas depende de acompanhamento médico e nutricional.
  • Riscos de automedicação: Uso inadequado pode causar efeitos adversos como náuseas, vômitos e problemas gastrointestinais.

Impactos econômicos e de mercado

O setor de medicamentos emagrecedores deve viver um momento de expansão sem precedentes:

  • Faturamento bilionário: A UBS projeta R$ 20 bilhões em 2026, impulsionados pela entrada de genéricos.
  • Concorrência internacional: Empresas estrangeiras também devem lançar versões acessíveis, ampliando a oferta e competitividade no Brasil.
  • Adoção mais ampla: Com preços menores, a demanda reprimida tende a crescer, atingindo novas faixas da população.

Perspectivas para pacientes e profissionais

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  • Pacientes: Terão mais opções e preços menores, embora o acesso via SUS ainda dependa de acordos públicos e políticas de incorporação.
  • Profissionais de saúde: Precisam se atualizar sobre genéricos, posologias e acompanhamento de pacientes para garantir eficácia e segurança.
  • Indústria farmacêutica: Intensificará investimentos em produção local, pesquisa e desenvolvimento de novos formatos e combinações de GLP-1.

FAQ

O que é Ozempic?
Ozempic é um medicamento com semaglutida, indicado para o tratamento da obesidade e de diabetes tipo 2, ajudando na perda de peso e controle glicêmico.

O que muda com o fim da patente?
O vencimento da patente permite que fabricantes produzam versões genéricas, reduzindo os preços e aumentando a concorrência no mercado brasileiro.

Quem terá acesso pelo SUS?
Atualmente, o SUS não oferece a semaglutida, e a incorporação depende de negociações públicas e redução de custos.

Planos de saúde cobrem o medicamento?
Nem sempre. A cobertura de medicamentos fora do rol da ANS é limitada, e decisões judiciais podem ser necessárias para obter o tratamento.

Quais os riscos do uso sem acompanhamento?
Uso sem orientação médica pode causar efeitos adversos e limitar os resultados clínicos. A supervisão profissional é fundamental.

Mounjaro é igual ao Ozempic?
Não. Mounjaro tem como princípio ativo o tirzepatida, mas também atua como agonista de GLP-1 para emagrecimento e controle glicêmico.

Considerações finais

O fim da patente da semaglutida representa um ponto de virada para os medicamentos emagrecedores no Brasil. A expectativa de queda de preços, aumento da oferta de genéricos e crescimento do faturamento do setor cria oportunidades inéditas, tanto para pacientes quanto para a indústria. No entanto, barreiras econômicas e de acesso ainda limitam o alcance, reforçando a necessidade de políticas públicas, judicialização e acompanhamento médico especializado.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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