A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a acender um alerta importante para consumidores brasileiros ao determinar a suspensão imediata de seis suplementos alimentares comercializados no país.
Anvisa barra suplementos de duas marcas por risco à sua saúde
Anvisa suspende suplementos da Cycles Nutrition e Mushin por ingredientes sem segurança comprovada e determina recolhimento imediato.
A decisão, publicada nesta terça-feira (20) no Diário Oficial da União, envolve produtos das marcas Cycles Nutrition e Mushin Serviços e Comércio no Geral, que, segundo o órgão regulador, contêm ingredientes cuja segurança não foi devidamente avaliada para uso em suplementos alimentares.
Além da suspensão da comercialização, a Anvisa também determinou o recolhimento dos produtos, proibindo qualquer atividade relacionada à fabricação, importação, distribuição, divulgação e consumo. A medida reforça a crescente preocupação da agência com o avanço do mercado de suplementos no Brasil e o uso de substâncias que não possuem respaldo científico suficiente.
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Produtos da Cycles Nutrition são retirados do mercado
No caso da Cycles Nutrition, três suplementos foram diretamente atingidos pela decisão da Anvisa:
- Recover Cycles Nutrition
- Shot Ritual Cycles Nutrition
- Relax Ritual Cycles Nutrition
Todos os produtos são fabricados pela empresa Sylvestre Indústria e Comércio de Insumos Alimentícios e, segundo a Anvisa, apresentam ingredientes que não passaram por testes adequados de segurança para consumo humano na categoria de suplementos alimentares.
Ingredientes sem avaliação levantam preocupação
De acordo com o órgão regulador, a presença desses componentes não autorizados pode representar “graves riscos à saúde” dos consumidores. A Anvisa destacou que, antes de serem utilizados em suplementos, ingredientes precisam ser submetidos a avaliações rigorosas, que comprovem sua segurança, eficácia e adequação às normas sanitárias brasileiras.
A ausência dessa análise técnica é considerada uma infração sanitária grave, especialmente em um segmento que cresce rapidamente e atinge públicos diversos, incluindo atletas, idosos e pessoas com condições de saúde específicas.
Posicionamento da Cycles Nutrition
Em resposta à suspensão, a Cycles Nutrition divulgou uma nota oficial em suas redes sociais afirmando que adota padrões rigorosos de qualidade. Segundo a empresa, sempre que possível, os ingredientes utilizados são compostos “principalmente por frutas e vegetais”, passando por processos criteriosos de seleção, certificação e controle de qualidade.
A empresa argumenta ainda que os extratos vegetais e de frutas utilizados nos suplementos são ingredientes amplamente empregados no Brasil e no exterior, com a finalidade de conferir aroma, sabor e coloração aos produtos. Ainda assim, a Anvisa sustenta que a simples origem natural não elimina a necessidade de avaliação de segurança quando o ingrediente é utilizado em suplementos alimentares.
Diálogo com o órgão regulador
A Cycles Nutrition informou que já está prestando todos os esclarecimentos solicitados, além de encaminhar estudos e dossiês técnicos para análise da Anvisa. A empresa declarou que seguirá mantendo seus clientes e parceiros informados com transparência sobre os desdobramentos do caso.
Mushin também entra na mira da Anvisa
Além da Cycles Nutrition, outra empresa afetada pela decisão da Anvisa foi a Mushin Serviços e Comércio no Geral. Três produtos da marca Fantastic Oat foram suspensos e deverão ser recolhidos do mercado:
Fantastic Oat Frutas Vermelhas
Fantastic Oat Banana e Caramelo
Fantastic Oat Maçã e Canela
Segundo a Anvisa, os produtos estavam sendo fabricados e comercializados com a alegação de conter “extrato de cogumelo rico em vitamina D”, ingrediente que, conforme o órgão, ainda não teve sua segurança avaliada para uso em suplementos alimentares.
Alegações sem comprovação científica
Outro ponto crítico apontado pela Anvisa envolve as alegações terapêuticas associadas aos produtos da Mushin. A empresa afirmava que os suplementos auxiliavam na redução do colesterol ruim e no controle dos níveis de açúcar no sangue. No entanto, segundo o órgão regulador, não há comprovação científica suficiente que sustente essas promessas.
A legislação brasileira é clara ao proibir que suplementos alimentares façam alegações de prevenção, tratamento ou cura de doenças, prerrogativa restrita a medicamentos devidamente registrados.
Defesa da Mushin
Em nota, a Mushin informou ter sido surpreendida com a publicação da Anvisa e afirmou que pode ter ocorrido um equívoco na interpretação da legislação. Segundo a empresa, o extrato de cogumelo Agaricus bisporus contendo vitamina D2 foi aprovado para uso em alimentos convencionais e suplementos alimentares no Brasil em 2023.
A empresa ressaltou que possui todos os documentos de aprovação do ingrediente, incluindo avaliações de segurança. Diante da situação, a Mushin afirmou já ter acionado sua equipe jurídica para buscar a resolução do caso junto à Anvisa.
Crescimento do mercado de suplementos exige maior vigilância
O mercado de suplementos alimentares no Brasil vive uma expansão acelerada nos últimos anos, impulsionada pela busca por desempenho físico, bem-estar e hábitos considerados mais saudáveis. No entanto, especialistas alertam que o crescimento do setor precisa ser acompanhado de fiscalização rigorosa para evitar riscos à saúde pública.
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Diferença entre alimento, suplemento e medicamento
Um dos principais pontos de confusão entre consumidores está na distinção entre alimentos, suplementos e medicamentos. Suplementos alimentares não têm finalidade terapêutica e devem apenas complementar a alimentação, fornecendo nutrientes, substâncias bioativas ou enzimas.
Quando um produto promete efeitos como redução de colesterol, controle glicêmico ou melhora de doenças, ele passa a se enquadrar em uma categoria regulatória diferente, exigindo estudos clínicos robustos e registro específico como medicamento.
Riscos do consumo sem orientação
O consumo de suplementos com ingredientes não avaliados pode provocar efeitos adversos, interações medicamentosas e impactos negativos a médio e longo prazo. Em alguns casos, substâncias de origem vegetal podem apresentar toxicidade quando concentradas ou consumidas de forma inadequada.
Por isso, a Anvisa reforça a importância de que consumidores sempre verifiquem se os produtos estão regularizados e desconfiem de promessas milagrosas ou resultados rápidos.
O que acontece após a suspensão dos produtos
Com a publicação da decisão no Diário Oficial da União, os produtos suspensos devem ser imediatamente retirados do mercado. Fabricantes, distribuidores e comerciantes que descumprirem a determinação podem sofrer sanções administrativas, incluindo multas elevadas e outras penalidades previstas em lei.
Consumidores que já adquiriram os produtos
A Anvisa orienta que consumidores que possuam os suplementos suspensos interrompam o uso imediatamente. Em caso de reações adversas, é recomendado procurar atendimento médico e notificar o sistema de vigilância sanitária por meio do Notivisa.
As empresas envolvidas também podem ser obrigadas a realizar campanhas de recolhimento, informando os consumidores sobre os riscos e procedimentos para devolução.
Transparência e responsabilidade no setor
Casos como o da Cycles Nutrition e da Mushin evidenciam a necessidade de maior transparência na indústria de suplementos alimentares. Especialistas defendem que empresas adotem uma postura preventiva, submetendo seus ingredientes à avaliação regulatória antes do lançamento dos produtos.
Para o consumidor, a principal recomendação é buscar informação de fontes confiáveis e não substituir uma alimentação equilibrada ou tratamentos médicos por suplementos sem orientação profissional.
Imagem: Doucefleur / Shutterstock
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