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Anvisa alerta sobre fitas de melatonina e explica o que é permitido no Brasil

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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Produtos de melatonina comercializados em formato de fitas ou filmes que se dissolvem embaixo da língua estão no radar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Popularizadas nas redes sociais com promessas de proporcionar sono rápido e facilitar o descanso, essas apresentações não possuem autorização de uso como suplementos alimentares no Brasil.

O alerta é importante porque muitos consumidores podem interpretar a popularidade desses produtos como uma garantia de segurança. Entretanto, a agência esclarece que as versões sublinguais não passaram pela avaliação necessária para verificar sua qualidade, segurança e eficácia nessa forma de administração.

A preocupação envolve principalmente a maneira como a substância é absorvida pelo organismo e os possíveis efeitos de uma concentração diferente daquela permitida para suplementos alimentares.

No Brasil, a melatonina pode ser comercializada como suplemento, mas precisa respeitar condições específicas estabelecidas pela regulamentação sanitária.

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Qual tipo de melatonina é permitido pela Anvisa?

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Imagem: Freepik

Desde 2021, a Anvisa autoriza a utilização da melatonina como ingrediente de suplementos alimentares, desde que sejam cumpridas as exigências estabelecidas pela agência.

Uma das principais regras determina que o consumo seja destinado exclusivamente a adultos com idade igual ou superior a 19 anos. Além disso, a quantidade máxima permitida é de 0,21 miligrama por dia.

Os produtos regularizados podem ser apresentados em formatos como comprimidos e gotas, desde que atendam aos requisitos aplicáveis aos suplementos alimentares.

É importante destacar que a autorização do ingrediente não significa que qualquer produto contendo melatonina esteja automaticamente liberado. A composição, a concentração, a apresentação e as informações do rótulo precisam respeitar as normas brasileiras.

Melatonina não é um medicamento para tratar insônia

Outro ponto que merece atenção é a diferença entre a autorização da melatonina como suplemento e a aprovação de um medicamento para tratar distúrbios do sono.

A Anvisa ressalta que a quantidade permitida nos suplementos alimentares não possui comprovação de efeito direto na regulação do sono. Portanto, fabricantes não podem atribuir livremente benefícios terapêuticos ao produto.

Expressões como regular o ciclo do sono, prevenir insônia ou garantir que o consumidor durma rapidamente dependem de comprovação científica e autorização sanitária para serem utilizadas nas condições previstas pela regulamentação.

Por que as fitas sublinguais de melatonina preocupam a Anvisa?

As fitas de melatonina ganharam visibilidade por serem práticas e apresentarem uma proposta diferente dos suplementos tradicionais. O produto é colocado embaixo da língua e se dissolve em contato com a saliva.

Entretanto, essa forma de administração exige avaliação específica. A absorção pela mucosa sublingual pode apresentar características diferentes da ingestão de comprimidos ou gotas.

Sem estudos adequados, não é possível assegurar que a quantidade de substância absorvida seja compatível com os limites de segurança estabelecidos para outras apresentações.

Por esse motivo, a agência não considera essas fitas autorizadas como suplementos alimentares no país. A mesma preocupação se aplica a outras apresentações que utilizam a via sublingual sem a devida avaliação.

Anvisa já determinou recolhimento de produto sublingual

A atuação da agência não se limita aos alertas sobre as fitas comercializadas pela internet. Em fevereiro de 2026, a Anvisa publicou a Resolução nº 758, determinando medidas contra o produto Melatonina Sublingual em Gotas Sabor Maracujá, da empresa Vita Be Cosméticos Ltda., conhecida como Renova Be.

A determinação incluiu recolhimento e proibição de fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso.

Entre os motivos apresentados estavam a utilização de melatonina em uma forma de administração que não havia sido avaliada para essa finalidade e a divulgação de alegações terapêuticas não autorizadas.

O episódio demonstra que a fiscalização também alcança produtos que utilizam apresentações aparentemente convencionais, mas não atendem às exigências sanitárias.

Quem não deve consumir suplementos de melatonina?

Mesmo nas apresentações permitidas, existem restrições importantes. Os rótulos dos suplementos com melatonina devem apresentar advertências sobre os grupos para os quais o consumo não é indicado.

Gestantes, mulheres que amamentam e crianças não devem utilizar esses produtos. A recomendação também exige atenção de pessoas que realizam atividades que dependem de concentração e reflexos, como dirigir veículos ou operar máquinas.

Além disso, consumidores que utilizam medicamentos ou possuem condições de saúde específicas devem conversar com um profissional de saúde antes de considerar o uso de qualquer suplemento.

A melatonina não deve ser encarada como uma solução universal para dificuldades de dormir. Alterações na rotina, estresse, ansiedade, problemas respiratórios e diferentes condições de saúde podem estar relacionados à insônia.

Como identificar produtos de melatonina irregulares?

Com o aumento das vendas pela internet e da divulgação de suplementos nas redes sociais, é importante verificar a procedência dos produtos antes de realizar uma compra.

O consumidor deve observar se o item está identificado como suplemento alimentar, conferir a quantidade de melatonina por porção e verificar se a dose diária respeita o limite de 0,21 mg estabelecido pela Anvisa.

Também é recomendável desconfiar de anúncios que prometem eliminar a insônia, garantir sono imediato ou substituir tratamentos médicos.

Produtos importados vendidos sem informações claras sobre composição, fabricante e procedência merecem atenção especial, principalmente quando apresentam concentrações superiores às permitidas no Brasil.

Em caso de dúvida, o consumidor pode consultar os canais oficiais da Anvisa e verificar se existe alguma determinação de suspensão ou recolhimento envolvendo o produto.

O que fazer em caso de insônia frequente?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Quem enfrenta dificuldades persistentes para dormir deve procurar orientação profissional em vez de depender exclusivamente de suplementos divulgados na internet.

A insônia pode estar associada a diferentes fatores e exige uma avaliação individualizada para identificar sua origem. Dependendo da situação, o tratamento pode envolver mudanças de hábitos, acompanhamento psicológico, investigação de outras condições de saúde ou medicamentos prescritos.

Manter horários regulares para dormir, reduzir o consumo de cafeína no período da noite e evitar o uso excessivo de telas antes de deitar também são medidas que podem contribuir para melhorar a qualidade do descanso.

O alerta da Anvisa reforça que a popularidade de um produto não substitui a comprovação de segurança. Antes de comprar fitas, gotas ou comprimidos de melatonina, é fundamental verificar se a apresentação está de acordo com as regras brasileiras e evitar promessas de resultados milagrosos.

Imagem: Sharon McCutcheon/Unsplash

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