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Tomou melatonina demais? Descubra os possíveis efeitos no organismo

O uso de melatonina para dormir tem crescido, mas qual é o limite seguro? Descubra os riscos, sintomas de overdose e orientações.

Eveline MendesPor Eveline Mendes6 min de leitura
melatonina

A popularidade da melatonina como auxílio para dormir disparou nos últimos anos. Esse hormônio, produzido pela glândula pineal, regula nosso ciclo de sono, aumentando naturalmente à noite e diminuindo durante o dia. Mas com o crescimento do uso indiscriminado desse suplemento, surgem preocupações: o que acontece quando se toma melatonina demais?

A seguir, vamos entender melhor como a melatonina age no organismo, os possíveis efeitos colaterais do uso excessivo e as orientações médicas para um consumo seguro.

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Como a melatonina funciona no corpo?

A melatonina, também conhecida como o “hormônio da escuridão”, é produzida pelo cérebro à medida que anoitece, sinalizando ao corpo que é hora de descansar. A presença de luz, especialmente a luz azul emitida pelas telas de celulares e computadores, pode inibir sua produção, atrasando o sono e causando insônia. Esse fator tem levado muitas pessoas a buscarem suplementos de melatonina para compensar os efeitos das noites mal dormidas.

A proliferação do uso de melatonina

Liberada pela ANVISA em 2022, a melatonina se popularizou como uma alternativa natural para tratar distúrbios do sono e até o jet lag. No entanto, a melatonina, embora seja considerada segura em doses baixas e para uso ocasional, não está isenta de riscos, especialmente quando utilizada em excesso.

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Imagem: Nudphon Phuengsuwan/shutterstock.com

O que acontece quando se consome melatonina em excesso?

Sintomas de overdose de melatonina

O consumo excessivo de melatonina pode causar sintomas variados, que incluem:

  • Tontura e náusea: em doses altas, a melatonina pode causar um mal-estar generalizado, incluindo dores de cabeça, náusea e tontura.
  • Sonolência diurna: o efeito sedativo da melatonina pode perdurar no dia seguinte, interferindo na capacidade de concentração e aumentando o risco de acidentes.
  • Alterações de humor: estudos sugerem que doses elevadas de melatonina podem desencadear ansiedade e irritabilidade.
  • Pressão arterial baixa: em casos graves, a melatonina pode reduzir a pressão arterial, levando a sintomas de hipotensão, como fraqueza e visão turva.

A melatonina e o risco de overdose infantil

De acordo com o Dr. Michael Toce, pediatra no Hospital Infantil de Boston, o número de internações de crianças por overdose de melatonina cresceu 530% entre 2012 e 2021 nos Estados Unidos. Em alguns casos, as crianças apresentaram sintomas leves, como dor de estômago e vômito. Porém, cerca de 300 casos exigiram cuidados intensivos, e dois resultaram em morte.

Esse aumento de casos de overdose infantil é um reflexo da crescente disponibilidade da melatonina. Crianças pequenas podem ingerir o suplemento acidentalmente, e adolescentes, em alguns casos, o utilizam como forma de automutilação.

A falta de regulamentação e a variedade de doses

Diferença entre suplemento e medicamento

Nos Estados Unidos e em vários outros países, a melatonina é classificada como suplemento alimentar e, por isso, não passa pelos rigorosos testes clínicos que os medicamentos precisam enfrentar. Essa falta de regulamentação leva a uma inconsistência nas dosagens informadas nas embalagens, o que representa um risco para os consumidores. Estudos apontam que as doses reais de melatonina nos produtos frequentemente não correspondem ao que é indicado.

As variações na dosagem

Estudos indicam que doses entre 2 a 10 mg são normalmente seguras para adultos, enquanto a dosagem recomendada para crianças é ainda menor. Porém, muitos suplementos apresentam concentrações muito maiores do que as recomendadas. O professor David Ray, da Universidade de Oxford, comenta que o consumo desregulado de melatonina no mercado atual pode ser comparado a um “velho oeste”, devido à ausência de um controle rigoroso sobre o que está sendo vendido.

Melatonina em adultos: Efeitos colaterais e precauções

Em adultos, o uso excessivo de melatonina também não é isento de riscos. Em 2023, uma mulher de 21 anos morreu por overdose de melatonina associada ao uso de difenidramina, um anti-histamínico. Embora esse seja um caso extremo, ele ilustra os potenciais riscos de misturar melatonina com outras substâncias.

A melatonina e o ciclo natural de sono

Além dos efeitos imediatos, o consumo excessivo de melatonina pode interferir no ciclo circadiano natural do corpo. Quando o suplemento é ingerido de maneira desregulada, o cérebro pode reduzir a produção natural de melatonina, prejudicando o sono a longo prazo e gerando dependência psicológica do suplemento.

Efeitos em outros sistemas do corpo

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Embora a melatonina seja conhecida por regular o sono, seus efeitos vão além do cérebro. Existem receptores de melatonina em outros sistemas do corpo, como o reprodutivo, cardiovascular e imunológico, mas pouco se sabe sobre os impactos da melatonina nesses sistemas. Esse é um campo que ainda exige pesquisas aprofundadas.

farmacêutica com cartelas e frascos de remédios, ao fundo uma prateleira de remédios
Imagem: i viewfinder/ Shutterstock

Cuidados e recomendações para o uso seguro da melatonina

1. Consultar um médico antes do uso

Antes de iniciar o uso de melatonina, é recomendável consultar um médico, principalmente para crianças, idosos e pessoas que fazem uso de outros medicamentos. O acompanhamento médico ajuda a determinar a dose ideal para cada caso, evitando efeitos colaterais indesejados.

2. Utilizar apenas a dose necessária

Doses entre 0,5 e 3 mg são geralmente suficientes para a maioria dos casos de insônia leve. Evitar doses elevadas reduz o risco de efeitos colaterais, além de preservar o ritmo circadiano natural do corpo.

3. Evitar o uso prolongado

A melatonina é mais indicada para uso ocasional, como em viagens internacionais para combater o jet lag. O uso contínuo e prolongado deve ser evitado, exceto sob orientação médica, para que o corpo não se torne dependente.

4. Manter fora do alcance das crianças

Como mostram os estudos, os casos de overdose infantil ocorrem principalmente por ingestão acidental. Para evitar riscos, armazene os suplementos de melatonina em locais seguros, fora do alcance de crianças.

5. Evitar a combinação com outras substâncias

O uso combinado de melatonina com medicamentos ou álcool pode potencializar os efeitos sedativos, aumentando o risco de sonolência diurna e outros efeitos colaterais graves. A recomendação é evitar misturas não supervisionadas.

A melatonina é um hormônio valioso para regular o sono e ajudar pessoas que enfrentam dificuldades ocasionais para dormir. Contudo, é essencial usá-la com cautela. A falta de regulamentação e a ampla disponibilidade do suplemento têm exposto crianças e adultos a potenciais riscos de overdose e efeitos colaterais desconhecidos. Ao adotar medidas preventivas, como o uso sob supervisão médica e em doses moderadas, é possível tirar proveito dos benefícios da melatonina sem comprometer a saúde.

Eveline Mendes

Autor

Eveline Mendes

Eveline Mendes é administradora com ampla experiência em gestão de pessoas e atendimento ao público. No Seu Crédito Digital, dedica-se a produzir conteúdos que facilitam o acesso da população a direitos, programas assistenciais e soluções de crédito. Sua missão é tornar a informação acessível, ajudando os brasileiros a conquistarem mais segurança e autonomia financeira.

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