Quem tem suplementos Newfit ou Shark Pro em casa deve interromper o uso e conferir imediatamente a embalagem. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a retirada desses produtos do mercado após identificar substâncias não declaradas em um deles e falhas graves de fabricação no outro.
No Newfit, análises laboratoriais encontraram sibutramina, fluoxetina e furosemida, três medicamentos que não estavam informados no rótulo. A embalagem indicava ingredientes como chlorella, spirulina, cúrcuma, psyllium e crômio.
Para a Anvisa, a presença de medicamentos escondidos é indício de adulteração. Já nos suplementos Shark Pro, a fiscalização apontou problemas de controle de qualidade, armazenamento, manutenção dos equipamentos, estabilidade e rotulagem.
As decisões atingem todos os lotes incluídos nas medidas sanitárias. Isso significa que o consumidor não deve continuar usando o produto apenas porque a embalagem está fechada, foi comprada recentemente ou ainda está dentro da validade.
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Irregularidades que levaram Anvisa a barrar dois suplementos
Quais suplementos foram proibidos pela Anvisa

As decisões publicadas em 17 de agosto de 2026 envolvem duas medidas diferentes.
No caso do Newfit, de responsabilidade da empresa RBB Top New, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu:
- fabricação;
- comercialização;
- distribuição;
- exportação;
- propaganda;
- uso do produto.
A medida alcança todos os lotes do suplemento Newfit. O objetivo é impedir que unidades ainda disponíveis em lojas, depósitos, plataformas digitais ou residências continuem circulando.
No caso da Shark Pro, a decisão foi mais ampla em relação ao portfólio. A Anvisa suspendeu e determinou o recolhimento de todos os suplementos alimentares da marca fabricados pela RCA Labs.
A suspensão também abrange fabricação, venda, distribuição, propaganda e uso. Recolhimento significa que a empresa e os participantes da cadeia comercial devem retirar os produtos que já foram distribuídos ao mercado.
O que foi encontrado no suplemento Newfit
O problema do Newfit não ficou restrito a uma informação incompleta na embalagem. Uma análise realizada pelo Laboratório de Química da Universidade Estadual de Campinas identificou três substâncias farmacológicas que não apareciam na composição declarada:
- sibutramina;
- fluoxetina;
- furosemida.
Essas substâncias são medicamentos, não ingredientes comuns de um suplemento alimentar. Seu uso exige avaliação profissional porque pode provocar efeitos adversos, apresentar contraindicações e interagir com outros tratamentos.
O rótulo do Newfit informava ingredientes associados ao mercado de suplementos, como chlorella, spirulina, extrato de cúrcuma, psyllium e crômio. O consumidor, portanto, não tinha como saber que poderia estar ingerindo medicamentos ao seguir as orientações da embalagem.
Por que a presença escondida é considerada adulteração
A adulteração acontece quando a composição real não corresponde ao que é apresentado ao consumidor ou quando substâncias são adicionadas de maneira irregular.
O problema é especialmente grave quando envolve medicamentos. Uma pessoa pode ingerir o produto acreditando estar usando apenas fibras, vegetais e minerais, sem conhecer as contraindicações das substâncias escondidas.
Essa situação impede uma decisão consciente e também prejudica o atendimento médico. Se o paciente não sabe que tomou determinado medicamento, talvez não consiga informar corretamente o profissional de saúde durante uma emergência.
Quais são os riscos das substâncias encontradas
A sibutramina é um medicamento controlado utilizado em situações específicas para o tratamento da obesidade. Ela pode alterar a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de exigir acompanhamento médico.
A fluoxetina é um antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Seu uso depende de indicação profissional, análise do quadro clínico, avaliação de outros medicamentos e acompanhamento de possíveis reações.
A furosemida é um diurético. Ela aumenta a eliminação de água e sais pela urina e pode provocar desidratação, queda de pressão e alterações de eletrólitos, como sódio e potássio.
A combinação não informada dessas substâncias aumenta a preocupação. O risco pode ser maior para pessoas com doenças cardiovasculares, pressão alta, problemas renais, transtornos psiquiátricos ou que já utilizam antidepressivos, diuréticos e medicamentos para emagrecer.
Gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas também precisam de atenção especial. Isso não significa que todos os consumidores terão uma reação, mas a ausência de informação torna impossível avaliar o risco de maneira segura antes do uso.
Quais irregularidades foram encontradas na Shark Pro
Nos suplementos Shark Pro, a medida não decorreu da identificação das mesmas substâncias encontradas no Newfit. A decisão está relacionada a falhas no processo de produção e de garantia da qualidade.
Entre os problemas apontados estão:
- ausência ou deficiência no controle de qualidade;
- armazenamento inadequado de matérias-primas;
- falta de registros de manutenção preventiva dos equipamentos;
- inexistência de estudos de estabilidade;
- pendências na regularização dos produtos;
- falhas nas informações obrigatórias dos rótulos;
- ausência de alerta sobre alergênicos;
- falta de declaração sobre possível contaminação cruzada.
O controle de qualidade serve para confirmar que cada lote apresenta a composição, a pureza e as características previstas. Sem essa verificação, não existe segurança suficiente de que o produto colocado no mercado corresponde ao padrão anunciado.
O que é um estudo de estabilidade
O estudo de estabilidade avalia como o produto se comporta ao longo do tempo. Ele ajuda a definir a validade e as condições adequadas de armazenamento.
Durante esse estudo, são observadas possíveis alterações de composição, aparência, umidade, concentração e qualidade microbiológica. A falta desses dados coloca em dúvida se o suplemento permanece seguro e adequado até a data indicada na embalagem.
Por que a informação sobre alergênicos é essencial
A declaração de alergênicos não é um detalhe opcional. Ela protege pessoas que podem apresentar reações após o contato com ingredientes como leite, soja, amendoim, ovos, trigo e derivados.
A contaminação cruzada ocorre quando um produto entra em contato, ainda que de forma não intencional, com ingredientes processados no mesmo ambiente ou equipamento.
Para a maioria das pessoas, uma pequena quantidade pode passar despercebida. Para alguém com alergia grave, porém, até traços de determinado ingrediente podem provocar uma emergência.
O que o consumidor deve fazer agora
A orientação mais segura é interromper imediatamente o consumo dos produtos alcançados pelas decisões.
O consumidor deve:
- Separar a embalagem e não utilizar novamente;
- Guardar o rótulo, o número do lote e a nota fiscal, se disponível;
- Entrar em contato com o estabelecimento onde realizou a compra;
- Solicitar informações sobre devolução e reembolso;
- Acompanhar os comunicados da marca, do vendedor e da Anvisa;
- Procurar atendimento caso tenha apresentado alguma reação.
Não é recomendável oferecer o produto a outra pessoa, revender, doar ou tentar aproveitar o conteúdo de outra forma. Produtos recolhidos ou proibidos não devem continuar circulando.
O Código de Defesa do Consumidor protege o comprador quando um produto apresenta risco ou inadequação. A nota fiscal facilita o pedido de ressarcimento, mas outros comprovantes, como extrato bancário, pedido no aplicativo ou confirmação por e-mail, também podem ajudar.
Quem usou Newfit precisa procurar um médico?
Quem consumiu o produto e está sem sintomas deve interromper o uso e buscar orientação de um profissional de saúde, principalmente se tiver doença crônica, estiver grávida ou utilizar outros medicamentos.
O atendimento deve ser mais rápido se surgirem sinais como:
- palpitação ou batimento cardíaco acelerado;
- dor no peito;
- desmaio ou tontura intensa;
- agitação, confusão ou tremores;
- febre sem explicação;
- dor de cabeça forte;
- fraqueza ou cãibras;
- sede excessiva;
- vômitos ou diarreia persistente;
- dificuldade para respirar.
Em uma situação grave, o consumidor deve procurar um serviço de emergência ou chamar o Samu pelo número 192. Também é possível ligar gratuitamente para o Disque-Intoxicação, no número 0800-722-6001, que oferece orientação especializada 24 horas por dia.
A embalagem deve ser levada ao atendimento sempre que possível. Ela ajuda a equipe de saúde a identificar o produto, o fabricante, o lote e a composição declarada.
Como saber se um suplemento é autorizado
Desde a entrada em vigor das novas regras de regularização, todos os suplementos alimentares devem ser registrados ou notificados conforme a categoria aplicável.
O consumidor pode verificar a situação no portal de consultas da Anvisa. A embalagem deve apresentar a expressão correspondente à regularização, acompanhada do número de registro ou do processo de notificação.
Na consulta, os principais resultados são:
- Ativo: produto regularizado e autorizado;
- Inativo: produto sem regularização válida;
- Não encontrado: exige atenção e confirmação junto à Anvisa ou à vigilância sanitária.
A própria Anvisa explica como consultar suplementos autorizados. A regularização é um filtro importante, mas não substitui a atenção a alertas e recolhimentos publicados posteriormente.
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Quais sinais devem despertar desconfiança
Antes de comprar um suplemento, o consumidor deve conferir se a embalagem apresenta:
- nome e endereço do fabricante;
- lista completa de ingredientes;
- quantidade por porção;
- modo de uso;
- advertências;
- prazo de validade;
- número do lote;
- informação sobre alergênicos;
- identificação da regularização sanitária.
Promessas exageradas são outro sinal de alerta. Suplementos não podem anunciar cura, prevenção ou tratamento de doenças.
Também é prudente desconfiar de produtos que prometem emagrecimento muito rápido, perda de vários quilos em poucos dias ou resultados semelhantes aos de medicamentos sem apresentar riscos.
A Anvisa orienta que suplementos sejam comprados em lojas e sites confiáveis e utilizados com acompanhamento profissional. Produtos de origem desconhecida ou vendidos apenas por perfis informais apresentam maior dificuldade de rastreamento.
Como denunciar venda ou propaganda irregular
Mesmo após a proibição, anúncios podem continuar ativos por algum tempo em lojas virtuais, marketplaces e redes sociais.
O consumidor pode registrar uma denúncia na vigilância sanitária municipal ou estadual, no Procon e nos canais da Anvisa. É útil reunir:
- fotografia do produto;
- nome da loja ou perfil;
- endereço eletrônico do anúncio;
- número do lote;
- nota fiscal ou comprovante;
- descrição da irregularidade;
- data em que a oferta foi encontrada.
Reações inesperadas e problemas de qualidade também podem ser relatados pelo e-Notivisa, sistema utilizado para notificações relacionadas a produtos sujeitos à vigilância sanitária.
Proibição reforça a importância de conferir a procedência
As medidas contra Newfit e Shark Pro têm fundamentos diferentes, mas levam à mesma orientação prática: os produtos alcançados não devem ser usados.
No Newfit, a análise indicou medicamentos que não apareciam na embalagem, situação tratada como possível adulteração. Na Shark Pro, as falhas atingiram etapas essenciais de fabricação, controle, armazenamento, estabilidade e rotulagem.
Quem possui algum desses suplementos deve separar a embalagem, consultar a forma de devolução e buscar orientação médica se tiver usado o produto, especialmente diante de qualquer sintoma.
Perguntas frequentes

Quais marcas de suplementos foram proibidas?
As medidas atingem o suplemento Newfit, sob responsabilidade da RBB Top New, e todos os suplementos Shark Pro fabricados pela RCA Labs.
Todos os lotes estão envolvidos?
Sim. A determinação aplicada ao Newfit alcança todos os lotes do produto. No caso da Shark Pro, a suspensão e o recolhimento envolvem todos os suplementos da marca abrangidos pela medida.
Posso continuar usando se não tive reação?
Não. A ausência de sintomas até o momento não comprova que o produto seja seguro. O uso deve ser interrompido.
O que foi encontrado no Newfit?
A análise identificou sibutramina, fluoxetina e furosemida, medicamentos que não estavam declarados na composição apresentada no rótulo.
O mesmo problema foi encontrado na Shark Pro?
Não. A medida contra a Shark Pro decorreu de falhas de fabricação, controle de qualidade, armazenamento, estabilidade, regularização e rotulagem.
Posso pedir meu dinheiro de volta?
O consumidor deve procurar o estabelecimento responsável pela venda e apresentar o produto e o comprovante de compra. As regras do Código de Defesa do Consumidor podem assegurar troca ou restituição em casos de produto impróprio.
Onde denunciar um suplemento irregular?
A denúncia pode ser feita à vigilância sanitária local, ao Procon ou à Anvisa. Problemas e reações também podem ser informados pelo e-Notivisa.



