A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou novas medidas sanitárias determinando a suspensão da comercialização, distribuição e consumo de dois alimentos vendidos no Brasil. As decisões envolvem um lote de queijo minas artesanal e um lote de molho pesto, ambos retirados do mercado por motivos diferentes, mas relacionados à proteção da saúde pública.
Anvisa manda retirar lote de queijo do mercado por possível contaminação
Anvisa determina o recolhimento de lote de queijo minas artesanal e molho pesto. Veja quais produtos foram afetados e os riscos ao consumidor.
As determinações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) e reforçam o papel da vigilância sanitária na fiscalização de alimentos que não atendem aos padrões exigidos pela legislação brasileira.
No caso do queijo, análises laboratoriais apontaram contaminação microbiológica acima dos limites permitidos. Já o molho pesto foi recolhido devido à ausência de uma informação obrigatória sobre alergênicos no rótulo, situação que pode representar risco para pessoas com alergia alimentar.
Consumidores que adquiriram qualquer um dos produtos devem verificar atentamente o lote antes de consumi-los.
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Qual queijo teve a comercialização suspensa?
A medida da Anvisa atinge um lote específico do Queijo Minas Artesanal da marca Militão da Canastra.
A suspensão vale exclusivamente para o:
- Lote: 42
- Data de fabricação: 30 de junho de 2026
- Validade: 30 de setembro de 2026
Segundo a agência, a decisão foi tomada após resultados de análises oficiais realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que identificaram parâmetros microbiológicos acima dos limites estabelecidos pela legislação sanitária.
A própria fabricante informou às autoridades que iniciou o recolhimento voluntário do lote afetado.
Por que o queijo foi considerado impróprio para consumo?
As análises identificaram níveis elevados de coliformes a 30°C e de coliformes termotolerantes a 45°C.
Esses microrganismos são utilizados como indicadores da qualidade higiênico-sanitária durante a produção de alimentos.
Quando aparecem em concentrações superiores às permitidas, podem indicar falhas em diferentes etapas da fabricação, como higienização de equipamentos, manipulação inadequada ou problemas nas condições sanitárias do ambiente de produção.
Embora a simples presença desses indicadores não signifique necessariamente que o alimento contenha agentes causadores de doenças, resultados acima dos padrões legais aumentam o risco de contaminação por microrganismos capazes de provocar infecções alimentares.
Por esse motivo, a legislação determina o recolhimento do produto mesmo quando ele aparenta estar em boas condições.
O que são coliformes a 30°C?
Os chamados coliformes totais funcionam como indicadores da higiene durante o processamento dos alimentos.
Sua presença em níveis elevados pode revelar deficiência na limpeza de equipamentos, utensílios, instalações ou falhas durante a manipulação.
Por isso, esses microrganismos são amplamente utilizados em programas de controle de qualidade da indústria alimentícia.
O que indicam os coliformes termotolerantes?
Os coliformes termotolerantes, analisados a 45°C, representam um indicador ainda mais importante para a segurança dos alimentos.
Eles podem sinalizar contaminação de origem fecal durante alguma etapa da cadeia produtiva.
Quando os níveis ultrapassam os limites previstos nas normas sanitárias, aumenta a possibilidade da presença de bactérias potencialmente perigosas ao consumidor.
Essa é uma das razões pelas quais os órgãos de fiscalização determinam a retirada imediata do lote do mercado.
Quais sintomas podem ocorrer após o consumo de alimento contaminado?
Caso um alimento contaminado seja ingerido, algumas pessoas podem desenvolver sintomas característicos das chamadas doenças transmitidas por alimentos.
Entre os principais sinais estão:
- diarreia;
- vômitos;
- dores abdominais;
- febre;
- mal-estar.
A intensidade dos sintomas pode variar conforme o tipo de microrganismo envolvido, a quantidade ingerida e as condições de saúde do consumidor.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com baixa imunidade costumam apresentar maior risco de complicações.
Quem apresentar sintomas persistentes deve procurar atendimento médico e informar o consumo do alimento.
O queijo pode parecer normal mesmo estando contaminado?
Sim.
Esse é um dos pontos mais importantes destacados pelas autoridades sanitárias.
Nem sempre alimentos com contaminação microbiológica apresentam alterações visíveis de cor, cheiro, textura ou sabor.
Em muitos casos, somente exames laboratoriais conseguem identificar irregularidades microbiológicas.
Por isso, quando um lote é considerado impróprio pelas análises oficiais, a recomendação é não consumir o produto, ainda que sua aparência seja aparentemente normal.
Molho pesto também foi retirado do mercado
Além do queijo minas artesanal, a Anvisa também determinou a suspensão da comercialização, distribuição e consumo de um lote do Molho Pesto Vermelho com Mascarpone, da marca Cecco.
O motivo, entretanto, foi diferente.
Segundo as informações publicadas pela agência, o rótulo do produto não informava a presença do alergênico nozes, informação obrigatória pela legislação brasileira.
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O recolhimento também foi iniciado voluntariamente pela fabricante.
Por que a ausência da informação sobre alergênicos é tão grave?
Para pessoas sem alergias alimentares, a omissão pode parecer um detalhe.
Entretanto, para consumidores alérgicos, a ingestão de um ingrediente não declarado pode provocar reações que variam de leves até potencialmente graves.
Entre os sintomas possíveis estão:
- coceira;
- urticária;
- inchaço;
- dificuldade para respirar;
- choque anafilático em casos mais severos.
Por isso, a legislação brasileira exige que os principais alergênicos estejam claramente identificados nos rótulos dos alimentos industrializados.
O que fazer se você comprou um dos produtos?
O primeiro passo é conferir cuidadosamente o lote informado na embalagem.
Caso o consumidor identifique que possui um dos produtos atingidos pelas medidas sanitárias, a orientação é interromper imediatamente o consumo.
Também é recomendável entrar em contato com o estabelecimento onde a compra foi realizada ou diretamente com o fabricante para obter orientações sobre devolução, substituição ou reembolso, conforme a política de recolhimento adotada pela empresa.
Consumidores que apresentarem sintomas após o consumo devem procurar atendimento médico e comunicar o ocorrido aos órgãos de vigilância sanitária.
Como funciona o recolhimento de alimentos no Brasil?
O recolhimento é uma medida prevista na legislação sanitária para retirar do mercado produtos que possam oferecer riscos à saúde.
Quando uma irregularidade é identificada por análises oficiais, denúncias ou pela própria empresa, o fabricante pode iniciar um recolhimento voluntário ou cumprir determinação dos órgãos competentes.
Durante esse processo, distribuidores, supermercados e demais estabelecimentos comerciais devem retirar os lotes afetados das prateleiras.
O objetivo é reduzir a exposição dos consumidores a produtos considerados inadequados para consumo.
Quais normas embasaram a decisão da Anvisa?

As medidas adotadas seguem os critérios microbiológicos e de segurança alimentar previstos na:
- RDC nº 724/2022;
- Instrução Normativa nº 161/2022.
Essas normas estabelecem os padrões microbiológicos exigidos para alimentos comercializados no Brasil e servem como referência para as ações de fiscalização conduzidas pela Anvisa e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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