O racismo estrutural, ou seja, a naturalização de ações e falas discriminatórias, está muito presente na sociedade. Quando atos racistas acontecem no ambiente de trabalho, a vítima sofre duplamente, pois, discriminada por sua cor, ela também se sente acuada em denunciar ou dizer que não aceita aquele tratamento.
Após ser vítima de racismo, mecânico receberá indenização de R$ 10 mil
Trabalhador sofreu racismo pela forma como era chamado pelo patrão. Empregador propôs que ele fosse registrado como "escravo pessoal".
Foi isso que ocorreu com um mecânico de um posto de gasolina na cidade de Guarujá, em São Paulo. A vítima era chamada de “chimpanzé” e “meu escravo”, entre outras denominações racistas, pelo patrão. Ao denunciar a situação à Vara do Trabalho, ele teve seu pedido acatado e receberá uma indenização de R$ 10 mil.
Entenda o crime de racismo sofrido pelo trabalhador
O mecânico foi vítima de racismo recreativo. O termo é usado quando a discriminação é aplicada como se fosse uma brincadeira, por meio do humor. No entanto, o trabalhador nunca considerou engraçadas as formas como o patrão se referia a ele.
“Chimpanzé”, “meu escravo” e “mucamo” eram as expressões usadas pelo chefe ao se referir ao empregado. Além dessas ofensas, o patrão chegou a sugerir que o trabalhador fosse até um cartório para ser registrado como “escravo pessoal”.
Ao se sentir desconfortável com o tratamento recebido, a vítima denunciou a situação, e a 1ª Vara do Trabalho de Guarujá acolheu o caso. O juiz Luiz Evandro Vargas Duplat Filho determinou o pagamento da indenização.
Medo de fazer denúncia leva vítimas a viverem em ambiente tóxico
O crime inegável de racismo praticado pelo patrão do mecânico ainda tentou ser justificado por uma testemunha em favor da empresa.
A defesa alegou que o ambiente de trabalho proporcionava liberdade para as ditas brincadeiras e que situações racistas nunca foram presenciadas. A testemunha justificou ainda que o mecânico frequentava a residência do chefe em algumas ocasiões.
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No entanto, a Justiça teve um entendimento contrário ao da testemunha e confirmou que o mecânico foi vítima de racismo recreativo. Além disso, considerou que o fato de o trabalhador frequentar a casa do chefe não anula as ofensas sofridas por ele.
Na sentença, o magistrado afirmou que muitas pessoas toleram ofensas e insultos por medo de perder o trabalho e, por isso, passam a viver em um ambiente tóxico. Assim, a indenização foi determinada como forma de reparar o prejuízo moral causado.
Imagem: Arek Socha / pixabay.com
