Para 59% dos brasileiros que ainda não se aposentaram, o desejo é alcançar a aposentadoria até os 60 anos e deixar o mercado de trabalho. Na prática, porém, apenas 28% acreditam que conseguirão se aposentar nessa idade. A diferença de 31 pontos percentuais revela a distância entre a idade considerada ideal para a aposentadoria e a expectativa real dos trabalhadores.
O levantamento foi realizado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) em parceria com o Datafolha e ganha relevância no Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro.
A pesquisa também mostra que a preocupação não termina com a concessão da aposentadoria. Entre quem pretende depender do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), muitos trabalhadores esperam precisar reduzir despesas para conseguir manter as contas em dia.
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Por que os brasileiros não esperam conseguir se aposentar aos 60?

Embora 59% dos trabalhadores não aposentados desejem parar de trabalhar até os 60 anos, somente 28% acreditam que isso será possível.
Outros 32% estimam que só conseguirão deixar o mercado de trabalho aos 61 anos ou depois. Há ainda 11% que afirmam acreditar que nunca conseguirão parar de trabalhar, enquanto 12% dizem não ter intenção de se aposentar.
Os números mostram que a aposentadoria aos 60 anos aparece mais como uma expectativa desejada do que como uma perspectiva concreta para grande parte dos entrevistados.
Quanto os trabalhadores esperam receber do INSS?
O INSS continua sendo uma das principais referências para quem pensa na renda durante a aposentadoria.
Entre os brasileiros que ainda trabalham, 38% afirmam que pretendem ter a Previdência pública como fonte de renda quando deixarem o mercado de trabalho. Entretanto, somente 35% desse grupo dizem saber quanto esperam receber mensalmente.
Entre os que fizeram uma estimativa, 53% esperam receber até um salário mínimo. Na pesquisa, foi considerado o valor de R$ 1.621.
A média da expectativa de recebimento entre os entrevistados que informaram um valor ficou em R$ 2.546 por mês.
A dependência da Previdência pública é ainda mais evidente entre quem já está aposentado. Segundo o levantamento, 92% dos aposentados entrevistados apontam o INSS como principal fonte de sustento.
A aposentadoria pode exigir redução de gastos?
Para uma parcela significativa dos trabalhadores, parar de trabalhar também significa rever o orçamento.
Entre aqueles que esperam contar com a Previdência pública, 56% acreditam que terão de cortar gastos para conseguir se manter financeiramente depois da aposentadoria.
Por outro lado, 25% acreditam que conseguirão preservar o padrão de vida atual. Outros 16% demonstram uma preocupação maior e afirmam temer não conseguir se sustentar ou enfrentar dificuldades financeiras.
A diferença entre essas expectativas ajuda a explicar por que a preparação financeira aparece como uma preocupação antes mesmo da aposentadoria.
Quais alternativas os brasileiros consideram para complementar a renda?
A formação de uma reserva financeira aparece como a estratégia mais citada pelos trabalhadores que pensam em complementar a renda no futuro.
De acordo com a pesquisa, 33% dos não aposentados pretendem recorrer a uma reserva financeira ou poupança.
Outras alternativas mencionadas foram:
- 20% pretendem alugar ou vender imóveis;
- 13% planejam utilizar a previdência privada;
- 13% consideram vender outros bens ou negócios.
As estratégias não necessariamente substituiriam o benefício do INSS. A intenção apontada pelos entrevistados é utilizar essas fontes para complementar a renda e ajudar no pagamento das despesas.
O que os brasileiros esperam de uma possível nova reforma da Previdência?
A pesquisa também perguntou aos entrevistados o que poderia acontecer caso o sistema previdenciário passasse por uma nova reforma.
O aumento da idade mínima para aposentadoria foi a possibilidade mais citada, mencionada por 41% dos participantes.
Na sequência aparecem o aumento da contribuição mensal ao INSS, citado por 35%, e a redução do valor dos benefícios, apontada por 15%.
Esses percentuais representam a percepção dos entrevistados sobre possíveis mudanças. Eles não significam que exista uma proposta específica de reforma com essas medidas.
O que a pesquisa revela sobre o planejamento da aposentadoria?

Os resultados apontam para uma diferença entre o momento em que os brasileiros gostariam de parar de trabalhar e aquele em que acreditam que poderão fazê-lo.
Para quem ainda está na ativa, a questão envolve não apenas alcançar os requisitos para receber um benefício previdenciário, mas também avaliar se a renda futura será suficiente para cobrir as despesas.
A própria pesquisa mostra que muitos trabalhadores já consideram outras fontes de dinheiro, como poupança, imóveis, previdência privada e negócios.
Ao mesmo tempo, o INSS continua ocupando papel central. Entre os aposentados entrevistados, 92% apontam a Previdência pública como principal fonte de sustento.
O que isso significa para quem ainda trabalha?
A diferença entre desejo e expectativa reforça a importância de conhecer as regras previdenciárias aplicáveis ao próprio histórico de contribuição e de estimar a renda que poderá ser obtida na aposentadoria.
Também é necessário considerar que uma eventual renda do INSS pode não ser suficiente, sozinha, para preservar o padrão de vida mantido durante a fase profissional.
Por isso, o planejamento pode envolver tanto a análise da situação previdenciária quanto a formação de outras fontes de renda. A pesquisa mostra que os próprios trabalhadores já identificam essa necessidade ao mencionar reservas financeiras, imóveis, previdência privada e outros ativos.
Conclusão
Aos 60 anos, a aposentadoria continua sendo um objetivo desejado por muitos brasileiros, mas a pesquisa revela uma distância significativa entre o sonho e a expectativa. Enquanto 59% dos trabalhadores não aposentados gostariam de parar de trabalhar até essa idade, apenas 28% acreditam que conseguirão.
O levantamento também mostra que o desafio envolve o período posterior à saída do mercado de trabalho. Entre quem pretende depender do INSS, mais da metade acredita que precisará reduzir gastos, enquanto uma parcela menor espera manter o padrão de vida atual.
Nesse contexto, conhecer as regras da Previdência e construir fontes complementares de renda aparecem como questões centrais para quem ainda está planejando os próximos anos.
