O valor da aposentadoria pode aumentar em 2027 para milhões de brasileiros, mas o acréscimo de R$ 120 não será igual para todos. A proposta de Orçamento enviada pelo governo ao Congresso estima o salário mínimo do próximo ano em R$ 1.741, ante os R$ 1.621 vigentes em 2026.
Se essa projeção for confirmada, aposentados, pensionistas e outros segurados que recebem exatamente o piso previdenciário passarão a ter um benefício mensal de R$ 1.741. O mesmo valor deverá alcançar titulares do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é vinculado a um salário mínimo.
Ainda assim, R$ 1.741 não é um valor definitivo. A quantia apresentada no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) é uma estimativa feita para calcular receitas e despesas públicas. O piso oficial dependerá da inflação e será estabelecido pelo governo no fim de 2026.
Para quem ganha mais de um salário mínimo do INSS, a conta segue outra regra. Entender essa diferença evita criar a expectativa de que todo benefício aumentará R$ 120 ou terá o mesmo percentual de correção.
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Por que a aposentadoria pode chegar a R$ 1.741 em 2027?

O governo federal incluiu no PLOA de 2027 a estimativa de salário mínimo de R$ 1.741. Segundo a mensagem presidencial que acompanha a proposta, a quantia representaria alta de 7,4% sobre o mínimo de R$ 1.621 de 2026.
Em reais, a diferença é de R$ 120 por mês. Considerando 12 pagamentos e o décimo terceiro, um segurado que permaneça durante todo o ano no piso receberia R$ 1.560 a mais em valores brutos no conjunto de 2027, em comparação com 2026.
Essa conta é apenas uma comparação nominal, isto é, não desconta o efeito da inflação sobre o poder de compra. Além disso, pressupõe que o piso de R$ 1.741 seja confirmado e permaneça em vigor durante todo o ano.
O salário mínimo serve como referência porque a Constituição impede que aposentadorias e pensões do Regime Geral de Previdência Social que substituem a renda do trabalhador fiquem abaixo do piso nacional. A Lei nº 8.213/1991 também estabelece essa proteção para os benefícios abrangidos pela regra.
Por que R$ 1.741 ainda pode mudar?
O Orçamento precisa trabalhar com projeções antes que todos os indicadores do ano sejam conhecidos. Por isso, o PLOA não funciona como o ato que fixa definitivamente o salário mínimo.
Pela política de valorização, o cálculo considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e um ganho real ligado ao crescimento da economia, sujeito às regras fiscais em vigor. O INPC usado na definição do mínimo de 2027 só será conhecido perto do fim de 2026.
Se a inflação efetiva ficar acima ou abaixo da estimativa adotada no Orçamento, o valor poderá ser revisto. Depois do fechamento dos dados necessários, o piso costuma ser oficializado por norma própria para entrar em vigor em 1º de janeiro.
Assim, a informação correta neste momento é: o salário mínimo de R$ 1.741 está projetado, mas ainda não foi confirmado.
Quem poderá receber o aumento integral de R$ 120?
O acréscimo integral alcançará diretamente quem tiver um benefício equivalente ao salário mínimo e passar de R$ 1.621 para R$ 1.741. Nesse grupo podem estar aposentadorias, pensões por morte e auxílios previdenciários pagos no piso, desde que mantidos em 2027.
Também entram nessa lógica alguns benefícios que, embora tenham regras próprias, usam o salário mínimo como valor de referência. É o caso do BPC e da renda mensal vitalícia ainda mantida para antigos beneficiários.
Na prática, não basta saber o nome do benefício. O segurado deve verificar o valor bruto mensal exibido no extrato do INSS. Se a renda estiver exatamente no piso de R$ 1.621 em 2026, a tendência é que acompanhe integralmente o novo mínimo.
Quem recebe acima do mínimo não terá a mesma conta
Os benefícios superiores ao piso não acompanham o aumento real do salário mínimo. Eles são corrigidos pelo INPC acumulado no ano anterior, conforme as regras previdenciárias.
Isso significa que uma pessoa que recebe R$ 3 mil não deve simplesmente acrescentar R$ 120 ao benefício. Também não é correto aplicar automaticamente os 7,4% estimados para o salário mínimo.
O percentual definitivo para essa faixa dependerá do INPC de 2026. Como o índice anual ainda não está fechado, qualquer tabela que prometa valores exatos de aposentadorias acima do mínimo em 2027 é apenas uma simulação.
Imagine, em um exemplo hipotético, que o INPC usado no reajuste termine em 4%. Um benefício de R$ 3 mil, se tivesse direito ao índice integral, passaria para R$ 3.120. Esse exemplo serve somente para mostrar a fórmula e não antecipa o percentual oficial.
Benefícios concedidos durante 2026 podem ter correção proporcional
Quem já recebia o benefício desde janeiro normalmente tem direito ao índice anual integral aplicável aos benefícios acima do piso. Já uma aposentadoria concedida ao longo de 2026 pode receber um percentual proporcional, definido de acordo com o mês de início.
Isso ocorre porque o benefício novo não ficou exposto à inflação durante todo o ano. A portaria anual dos ministérios da Previdência Social e da Fazenda costuma apresentar uma tabela com os percentuais para cada mês de concessão.
Portanto, dois segurados com valores parecidos podem ter reajustes diferentes se começaram a receber em datas distintas. Os coeficientes de 2027 só serão conhecidos quando a portaria oficial for publicada.
O BPC também poderá subir para R$ 1.741?
Sim. Pela regra atualmente vigente, o BPC garante um salário mínimo mensal à pessoa idosa com 65 anos ou mais e à pessoa com deficiência que atendam aos critérios de baixa renda e às demais exigências legais.
Embora o pagamento seja operacionalizado pelo INSS, o BPC não é uma aposentadoria. Trata-se de um benefício assistencial previsto na Constituição e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social.
Por isso, não é necessário ter contribuído para a Previdência para pedir o BPC. Em contrapartida, o benefício não paga décimo terceiro e não deixa pensão por morte aos dependentes.
Se o salário mínimo de 2027 for fixado em R$ 1.741, esse também deverá ser o valor mensal do BPC. Não há regra aprovada que reduza automaticamente o pagamento para 60% do mínimo. Uma mudança dessa dimensão dependeria de alteração normativa e precisaria respeitar a garantia constitucional de um salário mínimo.
Quando o novo valor começará a aparecer na conta?
Se confirmado, o novo piso valerá a partir da competência de janeiro de 2027. Isso não significa, porém, que todos verão o dinheiro na conta no primeiro dia do ano.
O INSS paga os benefícios conforme um calendário escalonado. Em geral, os depósitos referentes a janeiro começam no fim do próprio mês para quem recebe até o piso. Os segurados acima do mínimo costumam entrar no calendário nos primeiros dias úteis do mês seguinte.
A data exata depende do número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador depois do traço. O calendário de 2027 deverá ser divulgado oficialmente pelo INSS.
Como consultar o valor e conferir o reajuste
O segurado não precisa pedir o reajuste anual. A atualização é aplicada automaticamente pelo INSS aos benefícios ativos que têm direito à correção.
Quando o novo pagamento estiver disponível, a conferência poderá ser feita pelo site ou aplicativo Meu INSS:
- Entre com CPF e senha da conta Gov.br;
- procure por “Extrato de pagamento”;
- selecione o benefício e a competência desejada;
- confira o valor bruto, os descontos e o total líquido.
Quem não usa a internet pode ligar para a Central 135, de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h. Para proteger os dados pessoais, o atendimento pede informações de identificação.
É importante comparar o valor bruto, e não apenas o depósito líquido. Mensalidades associativas autorizadas, empréstimos consignados, Imposto de Renda e outros descontos podem fazer o dinheiro creditado crescer menos do que o reajuste anunciado.
O aumento muda empréstimos, contribuições e descontos?
A elevação do piso pode produzir efeitos além da renda mensal. Para beneficiários com consignado, por exemplo, uma remuneração maior pode elevar em pequena medida a margem disponível, pois ela é calculada como percentual do benefício.
Isso não significa que seja vantajoso contratar um novo empréstimo. Antes de assumir uma dívida, o aposentado deve comparar os juros, o número de parcelas e o custo total da operação.
O novo mínimo também influencia o menor salário de contribuição aceito para determinadas categorias e os recolhimentos feitos sobre o piso, como os de contribuintes individuais e facultativos. As guias referentes às competências de 2027 deverão utilizar os valores atualizados.
Já o teto do INSS não será igual a R$ 1.741 nem crescerá necessariamente 7,4%. O limite máximo dos benefícios e das contribuições acompanha o reajuste aplicado à faixa acima do mínimo, baseado no INPC.
O que o aposentado deve fazer agora?
Neste momento, não há cadastro especial nem solicitação a apresentar. O melhor caminho é tratar R$ 1.741 como projeção e evitar comprometer antecipadamente uma renda que ainda não foi oficializada.
Também vale acompanhar três divulgações: o valor definitivo do salário mínimo, o INPC fechado de 2026 e a portaria que atualizará os benefícios do INSS. Esses atos permitirão calcular tanto o piso quanto as aposentadorias superiores a ele.
Quando sair o primeiro extrato reajustado, o segurado deverá verificar se o benefício está no grupo do piso ou acima dele, conferir a data de início e analisar eventuais descontos. Se houver divergência, poderá pedir revisão pelo Meu INSS ou buscar orientação na Central 135.
Em resumo, a aposentadoria poderá subir R$ 120 em 2027 para quem recebe o piso, caso a estimativa de R$ 1.741 seja confirmada. Para os demais segurados, ainda será necessário aguardar o INPC e as regras oficiais do reajuste anual.
Perguntas frequentes

O valor da aposentadoria em 2027 já foi definido?
Não. R$ 1.741 é a estimativa de salário mínimo incluída no PLOA de 2027. O valor definitivo dependerá dos indicadores usados no cálculo e de sua oficialização pelo governo.
Toda aposentadoria aumentará R$ 120 em 2027?
Não. O aumento de R$ 120 corresponde à diferença entre o piso atual de R$ 1.621 e a projeção de R$ 1.741. Quem recebe acima do mínimo terá correção baseada no INPC de 2026.
Quanto receberá quem ganha R$ 2 mil ou R$ 3 mil do INSS?
Ainda não é possível calcular o valor exato. Será preciso conhecer o INPC acumulado de 2026 e, em benefícios recentes, o percentual proporcional à data de concessão.
Pensionistas também terão reajuste?
Sim. Pensões mantidas pelo INSS são reajustadas, mas a regra depende do valor: pagamentos no piso acompanham o salário mínimo; os superiores seguem o índice previdenciário aplicável.
O BPC terá décimo terceiro após o aumento?
Não. A correção do valor mensal não muda a natureza assistencial do BPC. Pelas regras atuais, ele continua sem décimo terceiro e não gera pensão por morte.
É preciso solicitar o reajuste ao INSS?
Não. O reajuste anual é automático. O beneficiário deve conferir o extrato e procurar o INSS se identificar erro no pagamento.
