Muitas pessoas acreditam que quem dedica a vida aos cuidados da casa e da família não tem direito à aposentadoria. No entanto, essa ideia está equivocada. O sistema previdenciário brasileiro permite que donas e donos de casa tenham acesso à aposentadoria e a outros benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que cumpram um requisito fundamental: realizar contribuições previdenciárias.
INSS explica requisito para garantir aposentadoria da dona de casa
Saiba como donas de casa podem contribuir para o INSS e garantir aposentadoria e outros benefícios previdenciários.
A falta de informação ainda faz com que milhares de brasileiros deixem de se planejar para o futuro. Como o trabalho doméstico não gera remuneração formal, ele não cria automaticamente vínculo com a Previdência Social. Por isso, é necessário tomar algumas providências para garantir proteção financeira na aposentadoria.
Neste artigo, entenda como funciona a aposentadoria para donas de casa, quais são os planos disponíveis, quanto custa contribuir e quais benefícios podem ser acessados ao longo da vida.
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Como funciona a aposentadoria para donas de casa

O INSS permite que pessoas sem atividade remunerada contribuam para a Previdência na condição de segurado facultativo. Essa categoria foi criada justamente para atender estudantes, desempregados, donas de casa e outras pessoas que não possuem renda própria proveniente de trabalho.
Ao se tornar segurada facultativa e realizar os pagamentos regularmente, a dona de casa passa a acumular tempo de contribuição e mantém a qualidade de segurada perante o INSS.
Isso significa que, além de construir o caminho para a aposentadoria, ela também poderá ter acesso a outros benefícios previdenciários previstos na legislação.
Quem pode contribuir como segurado facultativo
A inscrição como segurado facultativo é destinada a pessoas com mais de 16 anos que não exerçam atividade remunerada obrigatória vinculada à Previdência Social.
Entre os exemplos mais comuns estão:
- Donas e donos de casa;
- Estudantes;
- Desempregados;
- Brasileiros residentes no exterior que não estejam vinculados a outro regime previdenciário;
- Pessoas que vivem exclusivamente de renda familiar.
Quem já trabalhou com carteira assinada normalmente possui um número de inscrição vinculado ao PIS/Pasep ou ao NIT (Número de Identificação do Trabalhador), que pode continuar sendo utilizado para novas contribuições.
Já quem nunca contribuiu pode realizar a inscrição por meio do portal ou aplicativo Meu INSS ou pela Central 135.
Quanto custa contribuir para o INSS
O valor da contribuição depende do plano escolhido. Atualmente, existem três modalidades principais para segurados facultativos.
Plano de 5% do salário mínimo
Esta é a opção mais acessível disponível para famílias de baixa renda.
O plano é destinado às donas de casa pertencentes a famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e com informações atualizadas junto ao governo.
A contribuição corresponde a 5% do salário mínimo vigente.
Esse modelo permite acesso à aposentadoria por idade e aos demais benefícios previdenciários previstos para essa categoria, observadas as regras legais.
Plano de 11% do salário mínimo
O plano simplificado é voltado para quem deseja contribuir pagando um valor reduzido.
A alíquota é de 11% sobre o salário mínimo e garante acesso aos benefícios previdenciários calculados com base nesse piso.
É uma alternativa bastante procurada por pessoas que desejam proteção previdenciária sem comprometer significativamente o orçamento doméstico.
Plano de 20% sobre a renda escolhida
Quem pretende ter uma aposentadoria com possibilidade de valor superior ao salário mínimo pode optar pela contribuição de 20%.
Nesse caso, o recolhimento é realizado sobre um valor escolhido pela contribuinte, respeitando os limites mínimo e máximo definidos pela Previdência Social.
Essa modalidade oferece maior flexibilidade e permite acesso às regras previdenciárias completas para cálculo dos benefícios.
O plano de baixa renda exige atenção especial
Embora o plano de 5% seja bastante vantajoso, ele possui requisitos específicos.
Para manter o direito à contribuição reduzida, é necessário:
- Estar inscrita no CadÚnico;
- Pertencer a uma família de baixa renda;
- Manter os dados cadastrais atualizados;
- Não possuir renda própria proveniente de atividade remunerada.
A atualização cadastral geralmente é feita nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do município.
O que acontece se o CadÚnico estiver desatualizado
A falta de atualização pode gerar problemas na validação das contribuições realizadas na modalidade de baixa renda.
Em algumas situações, o INSS pode exigir complementação dos recolhimentos caso seja constatado que os requisitos não foram atendidos durante determinado período.
Por isso, manter o cadastro atualizado é uma medida essencial para evitar transtornos futuros.
Quais são os requisitos para se aposentar

Após a Reforma da Previdência, as regras passaram a considerar principalmente a idade mínima para concessão da aposentadoria.
Para seguradas facultativas, a aposentadoria por idade exige:
- Idade mínima de 62 anos para mulheres;
- Cumprimento da carência mínima exigida pela legislação, atualmente de 180 contribuições mensais.
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Na prática, isso corresponde a 15 anos de recolhimentos ao INSS.
Quanto mais cedo a pessoa iniciar as contribuições, mais rapidamente poderá cumprir esse requisito.
Benefícios que vão além da aposentadoria
Muitas pessoas associam a contribuição ao INSS apenas à aposentadoria, mas a proteção previdenciária é muito mais ampla.
Ao contribuir regularmente, a segurada pode ter acesso a diversos benefícios em situações específicas.
Salário-maternidade
Mulheres que atendam aos requisitos legais podem receber o benefício durante o período de afastamento em razão do nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção.
Benefício por incapacidade temporária
Conhecido anteriormente como auxílio-doença, é destinado à segurada que fique temporariamente impossibilitada de exercer suas atividades habituais por motivo de doença ou acidente.
Pensão por morte
Os dependentes da segurada podem ter direito à pensão por morte caso ela venha a falecer, desde que os critérios previdenciários sejam atendidos.
Auxílio-reclusão
Em situações previstas na legislação, os dependentes também podem ter acesso ao auxílio-reclusão.
Vale a pena começar a contribuir mesmo sem renda própria?
Especialistas em planejamento previdenciário costumam destacar que a contribuição facultativa é uma das formas mais acessíveis de construir proteção financeira para o futuro.
Muitas donas de casa dependem exclusivamente da renda do cônjuge ou de outros familiares. No entanto, situações inesperadas podem ocorrer ao longo da vida, como doenças, incapacidade para o trabalho ou perda da principal fonte de renda da família.
Nesse contexto, a contribuição ao INSS funciona como uma rede de proteção social que pode trazer mais segurança para toda a família.
Como fazer a inscrição no INSS
O processo é simples e pode ser realizado sem sair de casa.
Os principais canais disponíveis são:
- Aplicativo Meu INSS;
- Portal Meu INSS;
- Central de Atendimento 135.
Após a inscrição, a segurada recebe as orientações para emissão das guias de pagamento e escolha da categoria de contribuição adequada ao seu perfil.
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