A mais recente pesquisa Datafolha revela que a tentativa de recuperação na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu força. Após leve melhora em abril, os números voltaram a se estabilizar em um patamar crítico, refletindo a influência de escândalos, como o do INSS na Previdência Social, e de dificuldades internas de articulação política.
Fraude do INSS: afetou o mandato de Lula?
Pesquisa Datafolha aponta estagnação na aprovação de Lula, com 40% de reprovação. Crise no INSS e instabilidade interna ampliam desgaste.
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Avaliação permanece no pior nível do mandato atual

Segundo a pesquisa divulgada pela Folha de S.Paulo, Lula continua enfrentando o momento mais delicado de seus três mandatos. A desaprovação ao governo se manteve em 40%, enquanto a aprovação oscilou negativamente para 28%. Já o índice dos que consideram o governo “regular” ficou em 31%. Apenas 1% não soube opinar.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado nos dias 10 e 11 de junho de 2025 e ouviu 2.004 eleitores em 136 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Crise no INSS freou reação iniciada em abril
Escândalo desvia foco da comunicação positiva
Em abril, o governo comemorava uma discreta recuperação: a aprovação havia subido de 24% (em fevereiro) para 29%, e a reprovação caído para 38%. Contudo, a revelação de um esquema bilionário de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anulou o avanço.
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal no fim de abril, expôs um esquema de cerca de R$ 6 bilhões em descontos indevidos em aposentadorias. As irregularidades estariam associadas a entidades de fachada com vínculos políticos, e envolviam diretamente idosos como vítimas do golpe.
Reação tardia do governo agravou desgaste
Embora o governo tenha alegado que o esquema começou em 2019, ainda sob Jair Bolsonaro (PL), o fato de que ele teria se prolongado até o ano passado, já no terceiro mandato de Lula, gerou grande frustração. O desgaste se intensificou com a percepção de que a resposta oficial foi lenta, confusa e sem firmeza.
O escândalo levou à demissão de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social e provocou uma série de atritos entre alas do governo, em especial nas disputas internas por comando e responsabilidades dentro da Esplanada dos Ministérios.
Segmentos antes aliados também expressam frustração

Reprovação avança entre eleitores escolarizados
Os dados do Datafolha mostram que a queda na popularidade de Lula se dissemina para além da base oposicionista. Mesmo grupos tradicionalmente mais simpáticos ao petista expressam agora mais insatisfação.
Entre eleitores com ensino superior, a aprovação caiu de 31% para 25%. Embora a margem de erro seja maior nesse recorte, a tendência de retração é nítida.
Classe baixa ainda é um ponto de apoio
Na base de renda, entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, a avaliação positiva teve pequena oscilação positiva: subiu de 30% para 32%. A reprovação nesse grupo caiu de 36% para 33%, o que indica que, apesar da crise, Lula ainda mantém apoio nas camadas mais populares.
Esse grupo é historicamente sensível às políticas de transferência de renda e aos programas sociais do governo, o que pode explicar a resiliência.
Comunicação segue como ponto vulnerável
Tentativa de ajuste estratégico mostra limites
Desde a queda brusca na aprovação entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o governo vinha tentando ajustar sua estratégia de comunicação. A nomeação do marqueteiro Sidônio Palmeira como coordenador da área teve como objetivo conter a erosão da imagem pública e reverter o clima negativo.
No entanto, a crise do INSS anulou os ganhos recentes e demonstrou que mudanças pontuais na comunicação não são suficientes quando o governo é afetado por escândalos graves.
Indicadores de instabilidade política preocupam
A pesquisa também avaliou diretamente a imagem pessoal de Lula. Quando perguntados se aprovam ou desaprovam o presidente, 50% dos entrevistados disseram desaprovar, enquanto 46% aprovaram. Em abril, os percentuais estavam mais próximos (49% e 48%, respectivamente), o que mostra leve, porém significativa, piora.
Reação política e possíveis consequências
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Lula tenta reposicionar governo com reforma ministerial
A demissão de Carlos Lupi foi o principal gesto político até o momento para sinalizar combate à crise. No entanto, interlocutores do Palácio do Planalto apontam que Lula avalia novas mudanças ministeriais para reforçar áreas fragilizadas e reduzir o desgaste.
Existe também a intenção de acelerar a revisão de contratos suspeitos no INSS e apresentar um pacote de medidas para aumentar a transparência e o controle sobre benefícios previdenciários.
Congresso e oposição devem explorar desgaste
O Congresso Nacional, pressionado pela repercussão do escândalo, já articula a convocação de ex-integrantes da pasta da Previdência para prestarem esclarecimentos em comissões. A oposição, por sua vez, prepara discursos e ações para associar o caso diretamente à atual gestão, mesmo com a origem na era Bolsonaro.
Projeções para os próximos meses

Popularidade será testada com entregas e economia
O futuro da imagem do presidente dependerá da capacidade do governo em entregar resultados concretos até o segundo semestre. Lula aposta em programas de habitação, investimentos em infraestrutura e crescimento do mercado de trabalho como âncoras para uma retomada na popularidade.
No entanto, escândalos como o do INSS e a dificuldade de articulação com o Congresso e entre ministérios indicam que o caminho para reverter o cenário será desafiador.
Eleições municipais como termômetro
As eleições municipais de outubro de 2025 também serão um teste importante para o capital político do governo. A depender dos resultados, o PT poderá ganhar fôlego ou, ao contrário, aprofundar a percepção de fragilidade, o que terá impactos diretos na governabilidade e nas discussões sobre sucessão presidencial.
Conclusão
A pesquisa Datafolha de junho confirma a estagnação da aprovação do presidente Lula em meio a um cenário conturbado, marcado pela crise no INSS e conflitos internos. A imagem do governo permanece fragilizada, mesmo com esforços recentes na comunicação e mudanças ministeriais.
Com a reprovação consolidada em 40% e a aprovação abaixo dos 30%, o governo enfrenta o desafio de reconquistar a confiança da população. Para isso, precisará agir com mais agilidade diante de escândalos, entregar resultados concretos e melhorar sua articulação interna e externa.
