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Ativação de chip terá biometria facial obrigatória com nova regra da Anatel

A clonagem de chip continua sendo uma ameaça para usuários de telefonia móvel no Brasil porque pode entregar ao criminoso um dos principais meios de recuperação de contas digitais: o número de telefone da vítima. Conhecido como SIM swap ou sequestro de linha, o golpe ocorre quando o número legítimo é ativado em outro cartão […]

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 11 min de leitura
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A clonagem de chip continua sendo uma ameaça para usuários de telefonia móvel no Brasil porque pode entregar ao criminoso um dos principais meios de recuperação de contas digitais: o número de telefone da vítima.

Conhecido como SIM swap ou sequestro de linha, o golpe ocorre quando o número legítimo é ativado em outro cartão SIM controlado pelo fraudador. A partir desse momento, o celular da vítima pode ficar repentinamente sem sinal enquanto o criminoso passa a receber chamadas e mensagens destinadas ao verdadeiro titular.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mantém medidas para reduzir esse tipo de fraude. Entre elas estão a confirmação de portabilidade por SMS e procedimentos de identificação dos consumidores que podem envolver biometria facial ou de voz.

A combinação dessas barreiras busca dificultar que documentos falsos, dados pessoais vazados ou técnicas de engenharia social sejam suficientes para assumir uma linha telefônica.

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Como funciona o golpe de clonagem de chip?

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Imagem: Reprodução

Apesar do nome popular “clonagem de chip”, o SIM swap normalmente não exige que o criminoso copie fisicamente o cartão SIM existente.

O objetivo é convencer ou enganar os sistemas da operadora para que o número da vítima seja habilitado em outro chip.

A própria Anatel descreve o sequestro de linha como uma fraude em que a linha passa a funcionar em um novo SIM controlado pelo criminoso. Isso pode ocorrer dentro da mesma operadora, com utilização de documentos falsos ou outras fraudes de identificação, ou por meio de uma portabilidade indevida.

Quando a transferência acontece, o aparelho verdadeiro pode deixar de:

  • realizar chamadas;
  • receber chamadas;
  • enviar ou receber SMS;
  • utilizar a rede móvel de dados.

Ao mesmo tempo, o novo chip passa a receber comunicações direcionadas ao número da vítima.

É justamente aí que começa a segunda etapa do golpe.

Por que controlar o número de celular é tão perigoso?

Durante anos, serviços digitais utilizaram o SMS como uma das principais formas de confirmar a identidade do usuário.

O problema é que quem assume o número telefônico pode tentar receber códigos de recuperação de senha e autenticação destinados ao verdadeiro dono.

O criminoso pode, por exemplo, tentar iniciar uma recuperação de acesso em um e-mail, rede social ou serviço financeiro e solicitar que o código seja enviado por SMS.

A Anatel alerta que o objetivo do sequestro de linha geralmente envolve a prática de fraudes financeiras ou o acesso indevido a dados pessoais.

Isso explica por que uma queda inesperada do sinal do celular deve ser tratada com atenção, principalmente quando não existe falha conhecida da operadora na região.

Portabilidade exige confirmação para reduzir fraudes

Uma das principais mudanças introduzidas pela Anatel para combater o sequestro de números ocorreu no processo de portabilidade.

Desde 2023, a transferência de um número móvel de uma operadora para outra conta com uma etapa adicional de confirmação.

Quando há uma solicitação de portabilidade, uma mensagem SMS é enviada para a linha que está sendo transferida.

O titular precisa confirmar que realmente deseja realizar a operação. Caso a confirmação não ocorra conforme as regras do procedimento ou o usuário responda negativamente, a portabilidade é cancelada.

A medida dificulta um tipo de fraude em que o criminoso se apresenta à nova operadora como se fosse o proprietário legítimo do número.

SMS recebido sem ter solicitado portabilidade é sinal de alerta

Se uma mensagem de confirmação chegar ao aparelho sem que o usuário tenha pedido a troca de operadora, não deve ser enviada uma resposta positiva.

A orientação é entrar em contato diretamente com os canais oficiais da prestadora.

O consumidor também precisa desconfiar de alguém que ligue ou envie mensagens orientando a responder “SIM” a uma solicitação de portabilidade supostamente necessária para corrigir problemas na linha.

Essa abordagem pode ser uma tentativa de engenharia social para levar a própria vítima a autorizar a transferência.

Biometria facial já faz parte das medidas de identificação

A Anatel informa oficialmente que prestadoras utilizam procedimentos de identificação dos consumidores com técnicas de biometria facial ou de voz para aumentar a segurança dos serviços móveis.

O uso de selfie e validação documental também não começou em 2026.

Desde 2021, por exemplo, o processo de ativação de determinadas linhas móveis pré-pagas já passou a contar com o chamado ID Digital.

Nesse modelo, além de CPF, data de nascimento e CEP, o consumidor pode precisar enviar imagens do documento de identificação e uma selfie para validar sua identidade.

Operadoras também podem adotar mecanismos próprios adicionais de segurança.

A Vivo, por exemplo, informa em alguns de seus processos digitais de ativação que o cliente pode confirmar a identidade por meio de token, aplicativo ou biometria, além do envio de selfie e imagens do documento.

Já a TIM informa atualmente que a reposição de um chip após perda ou roubo pode exigir comparecimento a uma loja com documento oficial com foto.

Portanto, o procedimento exato pode variar conforme a prestadora, o serviço solicitado e o canal utilizado.

Biometria facial é obrigatória em toda segunda via de chip em 2026?

Não há, nas informações oficiais da Anatel consultadas em setembro de 2026, uma determinação geral publicada em abril de 2026 estabelecendo que toda segunda via de chip e toda portabilidade no Brasil obrigatoriamente devem utilizar biometria facial vinculada à base do gov.br.

A orientação oficial atual da Agência afirma que técnicas de biometria facial ou de voz são utilizadas nos procedimentos de identificação dos consumidores, além da confirmação por SMS no caso da portabilidade.

Isso é diferente de afirmar que existe uma regra única obrigando todas as operadoras e todos os canais a realizarem reconhecimento facial em qualquer troca de chip.

Também não consta nas regras oficiais consultadas uma determinação geral estabelecendo espera obrigatória de 48 horas após alteração cadastral ou um período universal de 30 minutos antes da ativação de uma segunda via.

Anatel está sob pressão para reforçar ainda mais a identificação

A segurança do cadastro das linhas móveis continua sendo discutida pelos órgãos públicos.

Em decisão relacionada ao combate a golpes digitais, o Tribunal de Contas da União determinou à Anatel que reforçasse mecanismos regulatórios e de fiscalização relativos ao cadastramento de usuários de serviços móveis pré-pagos.

A determinação menciona a necessidade de requisitos mais robustos de verificação de identidade, mitigação do uso fraudulento de linhas telefônicas e maior rastreabilidade das comunicações para investigações.

Isso mostra que o sistema continua passando por aperfeiçoamentos, principalmente diante da evolução das técnicas utilizadas pelos golpistas.

O que fazer se o celular perder o sinal repentinamente?

Uma linha sequestrada costuma apresentar um sintoma bastante perceptível: o telefone deixa de acessar a rede móvel sem uma explicação aparente.

O aparelho pode continuar conectado normalmente ao Wi-Fi, mas perde chamadas, SMS e internet fornecida pela operadora.

Segundo a Anatel, esse é um dos principais sinais de possível sequestro da linha.

Caso isso aconteça, o consumidor deve:

  1. entrar imediatamente em contato com a operadora usando outro telefone;
  2. confirmar se houve troca de chip, eSIM ou portabilidade não autorizada;
  3. solicitar bloqueio ou recuperação da linha;
  4. alterar senhas das principais contas digitais;
  5. conferir movimentações em bancos e carteiras digitais;
  6. verificar acessos recentes ao e-mail;
  7. desconectar sessões desconhecidas de redes sociais e aplicativos;
  8. registrar boletim de ocorrência caso a fraude seja confirmada.

A Anatel recomenda expressamente que o consumidor comunique a prestadora imediatamente e registre ocorrência policial quando o sequestro da linha for confirmado.

Como proteger o WhatsApp de um SIM swap?

Uma medida importante é ativar a confirmação em duas etapas dentro do WhatsApp.

Esse recurso adiciona um PIN independente do código enviado por SMS.

Assim, ainda que um criminoso consiga controlar temporariamente o número da vítima, existe uma camada adicional dificultando o registro da conta em outro aparelho.

Também é importante manter um endereço de e-mail atualizado nas opções de recuperação da conta e jamais compartilhar códigos recebidos por SMS.

Golpistas frequentemente entram em contato se passando por empresas, conhecidos ou atendentes para convencer a própria vítima a informar códigos de autenticação.

Evite depender exclusivamente do SMS para proteger contas

Sempre que o serviço oferecer alternativas, aplicativos autenticadores ou chaves físicas de segurança podem proporcionar uma camada adicional de proteção.

O SMS continua útil, mas possui uma característica importante: sua segurança também depende da integridade da linha telefônica.

Se o número for sequestrado, códigos enviados exclusivamente para aquela linha podem cair nas mãos do criminoso.

Contas de e-mail merecem atenção especial, pois geralmente funcionam como ponto central de recuperação de outros serviços.

Uma senha exclusiva e autenticação em dois fatores no e-mail reduzem a possibilidade de uma fraude no número de telefone se transformar em uma invasão de diversas contas.

PIN do chip impede o SIM swap?

O código PIN do cartão SIM oferece proteção, mas não resolve sozinho o problema do sequestro da linha.

Ele dificulta que alguém retire fisicamente o chip de um aparelho e o utilize em outro telefone sem conhecer a senha.

No SIM swap realizado por fraude cadastral, entretanto, o criminoso procura ativar outro SIM ou eSIM diretamente junto à operadora.

Por isso, o PIN deve ser visto como uma camada complementar, e não como proteção completa contra o golpe.

eSIM também exige atenção

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O eSIM elimina o cartão físico, mas não elimina a necessidade de proteger o processo de transferência ou ativação da linha.

A fraude pode mudar de formato e tentar explorar credenciais de acesso, engenharia social ou falhas no processo de identificação do titular.

Por isso, procedimentos seguros de autenticação continuam sendo importantes tanto para chips físicos quanto para linhas digitais.

Celular Seguro pode ajudar em casos de roubo ou furto

Outra ferramenta disponível no Brasil é o programa Celular Seguro, desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com Anatel, Febraban, instituições financeiras e empresas de telecomunicações.

Após o cadastro, o usuário pode emitir um alerta em caso de roubo ou furto.

O sistema permite comunicar simultaneamente participantes do programa e pode levar ao bloqueio da linha, do aparelho e de serviços financeiros vinculados, dependendo da modalidade acionada.

O objetivo é reduzir o período em que o criminoso permanece com acesso ao dispositivo e aos serviços associados.

Cuidado com falsas mensagens da própria Anatel

O combate às fraudes também criou um efeito paralelo: criminosos passaram a usar o nome de órgãos oficiais para tentar obter informações pessoais.

A Anatel alerta que não entra em contato com o consumidor para solicitar atualização cadastral por WhatsApp, SMS, e-mail ou ligação.

Também não pede senhas, informações bancárias, chaves Pix ou códigos de autenticação enviados ao celular.

Se uma mensagem utilizar o nome da agência e solicitar algum desses dados, a recomendação é não continuar a conversa.

Número de celular precisa ser tratado como dado de segurança

A expansão dos serviços digitais transformou o telefone em muito mais do que um meio para fazer chamadas.

O número está ligado a contas de bancos, redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mails e mecanismos de recuperação de senha.

Por isso, o desaparecimento inesperado do sinal pode ser mais do que um simples problema técnico.

A confirmação de portabilidade por SMS, a adoção de mecanismos biométricos pelas operadoras e o fortalecimento dos processos cadastrais ajudam a criar novas barreiras contra o SIM swap.

Mesmo assim, nenhuma medida isolada elimina completamente o risco.

Para o usuário, a estratégia mais segura é combinar proteção da linha telefônica com autenticação em dois fatores, senhas exclusivas, canais oficiais das operadoras e reação imediata ao menor sinal de uma troca de chip ou portabilidade que não tenha sido solicitada.

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