A produção brasileira de uma nova geração de aeronaves elétricas começa a ganhar forma no Vale do Paraíba. A Eve Air Mobility, empresa ligada à Embraer, pretende iniciar em 2028 a fabricação comercial de seu eVTOL — veículo elétrico capaz de decolar e pousar verticalmente — em Taubaté, no interior de São Paulo.
A primeira linha terá capacidade instalada para produzir até 120 aeronaves por ano e deverá começar com aproximadamente 300 trabalhadores. Com futuras ampliações, a unidade poderá alcançar uma capacidade anual de 480 eVTOLs.
O cronograma, porém, não depende apenas da conclusão da fábrica. Antes de transportar passageiros, o modelo terá que cumprir testes e receber a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), prevista pela companhia para 2028.
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O que já foi definido sobre a fábrica de Taubaté?

A Eve informou que concluiu o projeto executivo da fábrica. Essa etapa reúne os detalhes técnicos necessários para transformar o planejamento em uma unidade industrial, incluindo disposição dos equipamentos, instalações elétricas, logística interna e organização da linha de montagem.
A empresa trabalha agora nas adequações de infraestrutura e na preparação para instalar os equipamentos de produção. Ainda não foi divulgada uma data específica para o começo das obras nem um calendário detalhado de cada fase da implantação.
A unidade será responsável pela fabricação em série do Eve 100, nome apresentado para o eVTOL desenvolvido pela companhia. Enquanto Taubaté concentrará a montagem comercial, as instalações da Embraer em São José dos Campos continuarão envolvidas em engenharia, desenvolvimento e produção dos protótipos de certificação.
A escolha de Taubaté havia sido anunciada pela Eve e pela Embraer como parte da estratégia para aproveitar a cadeia aeroespacial já instalada no Vale do Paraíba.
Quando começa a produção do carro voador?
A expectativa da Eve é iniciar a produção comercial em 2028. O mesmo ano é apontado pela empresa como meta para concluir a certificação e colocar o eVTOL em operação até dezembro.
Essas datas ainda são projeções. Em um projeto aeronáutico, atrasos podem ocorrer por causa de testes, alterações de engenharia, aprovação regulatória, disponibilidade de componentes ou preparação da estrutura industrial.
A fábrica também não deverá começar produzindo imediatamente 120 aeronaves por ano. Esse número representa a capacidade máxima da primeira fase, e não uma promessa de produção já no primeiro ano.
O ritmo real dependerá de fatores como:
- conclusão da certificação;
- carteira de pedidos convertida em contratos firmes;
- disponibilidade de motores, baterias e componentes;
- treinamento dos trabalhadores;
- capacidade dos operadores de receber as aeronaves;
- implantação de vertiportos e demais estruturas de apoio.
Em outras palavras, a linha poderá montar até 120 unidades por ano, mas deverá aumentar a produção gradualmente conforme o mercado se desenvolva.
Por que o eVTOL é chamado de carro voador?
“Carro voador” é uma expressão popular, mas não descreve com precisão o veículo. O projeto da Eve é uma aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical, conhecida pela sigla eVTOL.
A sigla vem da expressão em inglês electric vertical take-off and landing. Diferentemente de um carro, o veículo não circulará normalmente pelas ruas nem poderá ser conduzido por qualquer motorista.
Na prática, ele funcionará de maneira mais próxima a um helicóptero elétrico destinado a trajetos curtos. A proposta é transportar passageiros entre pontos específicos, como aeroportos, centros comerciais, regiões empresariais e cidades próximas.
Como qualquer aeronave comercial, o eVTOL estará sujeito a regras de certificação, manutenção, controle do espaço aéreo e habilitação dos profissionais responsáveis pela operação.
Como será o Eve 100?
O modelo foi desenvolvido para operações de mobilidade aérea urbana e regional. A previsão é que transporte quatro passageiros e um piloto, com alcance de até 100 quilômetros.
A aeronave utiliza uma configuração chamada “lift-plus-cruise”, que separa os sistemas responsáveis pela decolagem vertical e pelo deslocamento horizontal.
O projeto reúne:
- oito propulsores dedicados à decolagem e ao pouso vertical;
- asas fixas para sustentar o voo de cruzeiro;
- um propulsor traseiro para o deslocamento horizontal;
- motores elétricos;
- cabine para quatro passageiros e um piloto.
Ao decolar, os oito propulsores elevam a aeronave sem necessidade de uma pista longa. Depois da transição para o voo horizontal, as asas passam a gerar sustentação, enquanto o propulsor traseiro movimenta o veículo para a frente.
A configuração busca simplificar determinados sistemas mecânicos. Mesmo assim, o projeto precisa demonstrar à Anac que continuará operando com segurança diante de falhas previsíveis em componentes.
Por que os protótipos serão produzidos em São José dos Campos?
Antes da montagem comercial, a Eve pretende fabricar seis protótipos de conformidade nas instalações da Embraer em São José dos Campos. Eles serão usados na campanha de certificação.
Um protótipo de conformidade precisa representar adequadamente o produto que a empresa deseja colocar no mercado. Seus componentes, materiais e sistemas devem seguir as configurações submetidas à autoridade aeronáutica.
Essas aeronaves passarão por avaliações em solo e em voo. Os testes ajudam a verificar desempenho, controle, estrutura, propulsão, baterias, sistemas eletrônicos, comportamento em situações de falha e outros aspectos de segurança.
A fabricação antecipada também servirá para testar processos industriais que deverão ser levados posteriormente a Taubaté. Assim, a empresa poderá identificar dificuldades de montagem antes de iniciar a produção em série.
São José dos Campos continuará responsável por atividades de desenvolvimento e engenharia, enquanto Taubaté terá a estrutura voltada à fabricação em maior escala.
O que significa obter a certificação da Anac?
A certificação é o processo pelo qual a Anac verifica se o projeto atende aos requisitos de segurança aplicáveis. Sem essa aprovação, a aeronave não pode entrar normalmente em operação comercial no Brasil.
O processo não funciona como uma única inspeção realizada quando o veículo está pronto. A autoridade acompanha documentos técnicos, cálculos, sistemas, testes em solo, voos experimentais e resultados apresentados pelo fabricante.
A Eve iniciou formalmente o processo de certificação de tipo de seu eVTOL junto à Anac. A certificação de tipo confirma que o projeto da aeronave está de acordo com os padrões definidos para sua categoria.
Depois disso, outras aprovações ainda podem ser necessárias. A fabricação deve seguir um sistema de produção autorizado, cada aeronave precisa estar em condições de voo e os operadores terão que cumprir regras específicas.
A meta empresarial é concluir essa etapa em 2028. Até a aprovação efetiva, portanto, o cronograma pode ser ajustado.
Quantas aeronaves a fábrica poderá produzir?
A primeira linha terá capacidade para até 120 eVTOLs por ano. O projeto industrial é modular, o que permite acrescentar novas estruturas de produção sem construir necessariamente uma fábrica completamente diferente.
Com a instalação dos módulos previstos, a capacidade total poderá chegar a 480 aeronaves anuais. A expansão será analisada conforme o volume de pedidos e o desenvolvimento do mercado de mobilidade aérea.
Capacidade instalada não é o mesmo que produção efetiva. Uma fábrica preparada para montar 120 unidades pode produzir menos enquanto contrata funcionários, organiza fornecedores e aumenta a velocidade da linha.
A ampliação para 480 unidades também não está garantida para uma data específica. Ela dependerá da demanda e de novos investimentos.
Quantos empregos serão criados em Taubaté?
A Eve espera começar a operação industrial com aproximadamente 300 trabalhadores. O número poderá crescer à medida que a produção aumentar e novos módulos forem instalados.
A companhia ainda não detalhou quais cargos estarão nas primeiras contratações nem quando os processos seletivos serão abertos. É provável que a operação demande diferentes perfis profissionais, mas as vagas só poderão ser confirmadas quando forem publicadas nos canais oficiais.
Uma fábrica aeronáutica normalmente reúne profissionais de áreas como:
- montagem e produção;
- engenharia;
- inspeção e controle de qualidade;
- logística;
- manutenção de equipamentos industriais;
- tecnologia da informação;
- administração e suprimentos;
- segurança do trabalho.
A presença da unidade também poderá gerar oportunidades indiretas entre fornecedores, empresas de transporte, prestadores de serviços e negócios ligados à cadeia aeroespacial.
Interessados devem acompanhar a página oficial de carreiras da Eve e desconfiar de mensagens que cobrem pagamento por inscrição, curso obrigatório ou participação em processo seletivo.
Qual será o impacto para o Vale do Paraíba?
O Vale do Paraíba já concentra uma das principais cadeias aeroespaciais da América Latina, com presença da Embraer, centros de pesquisa, universidades, fornecedores e profissionais especializados.
A instalação da linha de eVTOLs reforça essa vocação industrial. Taubaté ficará responsável pela produção em série, enquanto São José dos Campos continuará participando do desenvolvimento, dos testes e da engenharia.
Essa divisão pode estimular a contratação de mão de obra qualificada e a chegada de fornecedores de sistemas elétricos, materiais aeronáuticos, software, equipamentos e componentes.
O impacto, entretanto, dependerá da evolução real da produção. Empregos e investimentos tendem a crescer gradualmente, e não todos de uma vez em 2028.
Como funciona o financiamento do BNDES?
A estrutura industrial conta com um financiamento de US$ 88 milhões contratado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O recurso foi destinado ao desenvolvimento da primeira unidade de produção da Eve em Taubaté.
Segundo a companhia, o financiamento possui prazo de 16 anos e integra a estratégia de combinar capital próprio, investimentos e crédito de longo prazo. O modelo é comum em projetos industriais que exigem gastos elevados antes do início das vendas.
O valor não significa que o BNDES esteja comprando as aeronaves. Trata-se de crédito para apoiar o desenvolvimento da capacidade produtiva, sujeito às condições estabelecidas no contrato.
O financiamento de US$ 88 milhões é diferente de outra linha concedida anteriormente para apoiar o desenvolvimento tecnológico do eVTOL.
O carro voador vai substituir carros e helicópteros?
Não no curto prazo. A proposta inicial é atender rotas específicas nas quais o ganho de tempo possa compensar o custo da operação aérea.
Um exemplo hipotético seria transportar passageiros de uma região empresarial até um aeroporto, evitando parte do congestionamento terrestre. Outro uso possível envolve viagens curtas entre cidades próximas.
O eVTOL poderá disputar determinados trajetos hoje atendidos por helicópteros, especialmente se conseguir operar com menor ruído e custos competitivos. Isso não significa que será imediatamente acessível à maioria da população.
O preço das passagens dependerá de escala, custos de energia, manutenção, infraestrutura, seguro, tripulação e demanda. A Eve ainda não definiu quanto o passageiro brasileiro pagará por uma viagem.
Onde as aeronaves poderão pousar?
Os eVTOLs precisarão operar em locais autorizados, chamados frequentemente de vertiportos. Esses espaços são projetados para pousos, decolagens, embarque, desembarque e, conforme o modelo, recarga das baterias.
Helipontos existentes poderão eventualmente ser adaptados, desde que atendam aos requisitos técnicos e regulatórios. Novos vertiportos também poderão ser construídos em aeroportos ou pontos estratégicos das cidades.
A fabricação das aeronaves, portanto, é apenas uma parte do sistema. Para que o serviço funcione, será necessário integrar infraestrutura, controle de tráfego aéreo, energia, manutenção, segurança operacional e transporte terrestre.
O que precisa acontecer até 2028?
A implantação comercial depende de várias etapas que avançam ao mesmo tempo:
- produção dos protótipos de conformidade;
- conclusão da campanha de testes;
- certificação do projeto pela Anac;
- validação dos processos de fabricação;
- preparação da linha industrial de Taubaté;
- treinamento e contratação de trabalhadores;
- organização da cadeia de fornecedores;
- certificação das aeronaves produzidas;
- preparação dos operadores e da infraestrutura;
- autorização das operações comerciais.
A meta de 2028 representa o encontro dessas frentes. Uma fábrica pronta não autoriza o transporte de passageiros sem certificação, assim como uma aeronave certificada precisa de estrutura industrial e operacional para chegar ao mercado.
Perguntas frequentes

A fábrica de carro voador já está sendo construída em Taubaté?
A Eve concluiu o projeto executivo e trabalha nas etapas de infraestrutura e preparação da linha. A companhia ainda não informou uma data específica para o início das obras.
Quando a fábrica deve começar a produzir?
A previsão é iniciar a produção comercial em 2028, condicionada ao andamento do programa e à certificação do eVTOL.
Quantos empregos serão criados?
A operação deverá começar com aproximadamente 300 trabalhadores. O total poderá crescer conforme o aumento da produção.
Quantos carros voadores serão fabricados por ano?
A primeira fase terá capacidade instalada para até 120 aeronaves anuais. Com novos módulos, a capacidade poderá chegar a 480 por ano.
O eVTOL poderá circular pelas ruas?
Não. Apesar do apelido “carro voador”, o Eve 100 é uma aeronave elétrica. Ele deverá operar entre locais autorizados e obedecer às regras da aviação civil.
Quantas pessoas poderão viajar no Eve 100?
O projeto prevê capacidade para quatro passageiros e um piloto.
Qual será a autonomia da aeronave?
A Eve informa alcance projetado de até 100 quilômetros, adequado a trajetos urbanos e regionais curtos.
Já existem vagas abertas na fábrica?
A Eve ainda não detalhou os cargos nem o calendário das primeiras contratações. As oportunidades devem ser acompanhadas somente pelos canais oficiais da companhia.
O que acompanhar a partir de agora?
O projeto da fábrica está avançando, mas o ponto decisivo será a certificação. Até 2028, a Eve precisará fabricar os protótipos, concluir os testes, demonstrar a segurança do eVTOL e preparar a linha de Taubaté.
Para os moradores da região, vale acompanhar os canais oficiais da empresa em busca de informações sobre obras, fornecedores e futuras vagas. Para os passageiros, a entrada em operação ainda dependerá da criação de rotas, vertiportos e regras que permitam integrar essas aeronaves às cidades.
