Mesmo após o reajuste implementado em maio, o valor do auxílio-alimentação dos servidores do Executivo Federal ainda está distante do que recebem os servidores do Legislativo e do Judiciário.
Aumento no auxílio-alimentação pode sair a qualquer momento; veja o que falta para ser aprovado
Veja como está a negociação para aumentar o auxílio-alimentação dos servidores. Confira os valores e o que falta para aprovar!
A diferença, que chega a 78%, tem provocado forte reação dos sindicatos e está entre as principais pautas de negociação com o governo federal.
Atualmente, os servidores do Poder Executivo recebem R$ 1.000 mensais de auxílio-alimentação, enquanto no Judiciário e no Legislativo o valor chega a R$ 1.784,42. Essa desigualdade é considerada injusta por representantes das categorias e especialistas em administração pública.
Leia mais:
Anvisa proíbe 13 suplementos por falta de registro e fabricação irregular
Reajuste já ocorreu, mas ainda é insuficiente

Aumento de 51% não resolveu a desigualdade
Em maio de 2025, os servidores do Executivo tiveram um reajuste de 51% no auxílio-alimentação, que passou de R$ 658 para R$ 1.000. A medida, embora considerada um avanço, ainda não foi suficiente para resolver a disparidade entre os Poderes.
Segundo o advogado Alexandre Prado, especialista em administração pública, “não parece justo não ser equiparado, tendo em vista que o gasto para se alimentar é assemelhado, independentemente do Poder que o servidor está vinculado”.
Reivindicação por equiparação é prioridade nas negociações
Representantes sindicais apontam que a equiparação do auxílio-alimentação entre os servidores dos Três Poderes é uma demanda urgente e legítima.
Rudinei Marques, presidente do Fórum das Carreiras de Estado (Fonacate), afirmou que o governo tem se mostrado aberto ao diálogo, o que alimenta a expectativa por um novo reajuste ainda neste ano.
“Estamos conversando com o governo, buscando ampliar a representatividade e garantir que as propostas sejam atendidas de forma justa e rápida”, disse Marques.
Governo ainda não deu respostas concretas
Apesar da abertura ao diálogo mencionada por alguns representantes, outros acusam o governo de falta de objetividade nas tratativas.
Para João Paulo Ribeiro, dirigente do Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais), o principal problema está na ausência de compromissos claros.
“O governo está mais ouvindo e não dá retorno. A falta de respostas concretas é algo que dificulta muito a nossa mobilização”, declarou Ribeiro.
Comparativo entre os Poderes: por que o auxílio do Executivo é menor?
Diferença histórica nos benefícios
Historicamente, os servidores do Legislativo e do Judiciário têm remunerações e benefícios mais robustos do que os do Executivo. Isso se reflete não apenas no salário base, mas também em auxílios e gratificações, como o auxílio-alimentação.
Essa diferença foi tolerada durante anos, mas vem sendo contestada cada vez mais, especialmente por conta da inflação e do custo de vida elevado.
A falta de isonomia é vista como uma desvalorização do serviço público executado pelo Executivo Federal, que concentra a maior parte da força de trabalho da administração pública.
Argumentos jurídicos e técnicos
Especialistas como Alexandre Prado destacam que não há justificativa técnica ou jurídica para que os valores sejam tão discrepantes. A alimentação é uma necessidade básica comum a todos os servidores públicos, independentemente do Poder a que pertencem.
Auxílio-nutrição: nova proposta para aposentados e pensionistas
Além do aumento do auxílio-alimentação, outra demanda que começa a ganhar força nas mesas de negociação é a criação de um auxílio-nutrição, voltado exclusivamente para aposentados e pensionistas.
Queda de renda após a aposentadoria
O principal argumento é que aposentados e pensionistas enfrentam uma redução significativa na renda, que pode chegar a 30%. Isso ocorre devido à taxação da aposentadoria e à perda de benefícios que são pagos somente aos servidores em atividade, como o próprio auxílio-alimentação.
Com isso, a criação de um auxílio específico para esse grupo seria uma forma de compensar a queda de renda e garantir melhores condições de vida na terceira idade.
Apoio das entidades sindicais
A proposta tem apoio de diversas entidades que representam os servidores federais. Para o Fonacate e o Fonasefe, o auxílio-nutrição pode ser uma forma de incluir os aposentados nas pautas prioritárias, garantindo justiça e dignidade também para quem já contribuiu com o serviço público.
Etapas para aprovação do novo aumento
O que falta para o aumento ser aprovado?
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Apesar do ambiente de negociação favorável, ainda há etapas a serem vencidas até que o novo aumento do auxílio-alimentação seja efetivado:
- Proposta formal do governo: O Executivo precisa apresentar uma proposta concreta com os novos valores.
- Aprovação orçamentária: O reajuste precisa estar previsto no Orçamento da União.
- Negociação com o Congresso: Em alguns casos, pode ser necessário o aval do Congresso Nacional para alterações de benefícios.
- Publicação de norma legal: O aumento deve ser oficializado por meio de decreto, portaria ou outro instrumento legal.
Possibilidade de retroatividade
Representantes dos servidores também pressionam para que o novo aumento, caso aprovado ainda em 2025, tenha efeito retroativo a maio, data do último reajuste. Isso garantiria uma compensação mais justa para a categoria.
Perspectivas para os próximos meses

Governo em busca de equilíbrio
A principal dificuldade apontada por interlocutores do governo é conciliar os limites fiscais com as demandas salariais e de benefícios.
Com a aprovação do novo arcabouço fiscal, o Executivo está sob pressão para manter os gastos sob controle, o que pode dificultar a concessão de novos reajustes em curto prazo.
Pressão sindical deve continuar
A tendência é que as entidades representativas aumentem a pressão sobre o governo ao longo dos próximos meses. A expectativa é de que, caso o reajuste não ocorra ainda em 2025, o tema ganhe centralidade nas negociações para o orçamento de 2026.
Conclusão
O debate sobre o aumento do auxílio-alimentação dos servidores do Executivo Federal revela um cenário de desigualdade histórica, que permanece mesmo após reajustes recentes.
A mobilização das entidades sindicais, somada à disposição do governo em negociar, pode viabilizar uma nova correção nos valores — mas a falta de respostas objetivas ainda gera incerteza.
Além disso, a inclusão dos aposentados e pensionistas por meio do auxílio-nutrição pode ser um passo importante para garantir mais justiça no sistema de benefícios.
A população do serviço público acompanha de perto cada movimentação, enquanto espera que a isonomia entre os Poderes finalmente se concretize.
Imagem: Maxx-Studio / shutterstock.com
