A partir de 1º de agosto de 2025, o Brasil dará mais um passo importante rumo à transição energética ao elevar o percentual de etanol anidro misturado à gasolina dos atuais 27% para 30%. A decisão foi anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e, além da gasolina, também envolve o biodiesel, cuja mistura obrigatória com o diesel passará de 14% para 15%.
Aumento do etanol nos combustíveis: veja se isso pode prejudicar o motor do veículo
Mistura de etanol nos combustíveis sobe em agosto. Especialistas garantem que motores não sofrem danos com o novo percentual.
A medida, segundo o CNPE, visa ampliar o uso de fontes renováveis de combustíveina matriz energética brasileira, fortalecer o setor sucroenergético e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. No entanto, o anúncio acendeu um alerta entre motoristas, principalmente os que possuem veículos mais antigos: o aumento do teor de etanol pode danificar o motor? A resposta, segundo especialistas, é clara e objetiva: não há risco algum.
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Brasil lidera uso de combustíveis renováveis

De acordo com o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, o Brasil está entre os países mais avançados no uso de combustíveis renováveis. Em entrevista à rádio CBN, ele afirmou que a medida é “muito bem-vinda”, não apenas sob o ponto de vista ambiental, mas também por fortalecer a economia nacional e aumentar a segurança no abastecimento.
“O Brasil é pioneiro nesse tipo de política. Essa decisão é positiva em termos ambientais, econômicos e até para a autonomia do consumidor”, destacou o especialista.
Zylbersztajn ressaltou ainda que o aumento da mistura de etanol fortalece o suprimento interno, reduz a emissão de gases de efeito estufa e estimula a produção nacional.
Mistura mais alta e motores protegidos
Veículos estão preparados para a nova composição
Uma das maiores preocupações dos motoristas é a possível corrosão das peças do motor ou o comprometimento do desempenho do carro com a nova mistura. Essa dúvida é especialmente comum entre proprietários de veículos fabricados antes dos anos 2000.
No entanto, especialistas e fabricantes garantem que todos os testes realizados com motores à combustão apontam para total segurança com a nova proporção de etanol na gasolina.
“O risco é zero, posso afirmar com segurança. Os testes foram feitos pelos próprios fabricantes e institutos de pesquisa. Não há problema algum, mesmo com carros mais antigos”, assegurou Zylbersztajn.
Possibilidade de chegar a 35%
Durante a entrevista, o especialista revelou ainda que há estudos em andamento para elevar a mistura de etanol até 35% no futuro, o que indicaria que o país está disposto a avançar ainda mais no uso de biocombustíveis. No entanto, essa proporção ainda não foi oficialmente aprovada.
Impacto ambiental e econômico da medida

Redução na emissão de poluentes
A elevação do teor de etanol na gasolina tem impacto direto na redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂), já que o etanol é um combustível de origem vegetal com emissão neutra de carbono. Isso significa que o CO₂ liberado durante sua queima é compensado pelo CO₂ capturado pela cana-de-açúcar durante o crescimento.
Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o uso de etanol na frota nacional evitou, apenas em 2024, a emissão de mais de 580 milhões de toneladas de CO₂ equivalente desde 2003.
Valorização da cadeia produtiva da cana-de-açúcar
O aumento da mistura também beneficia diretamente o setor sucroenergético, responsável pela produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Estima-se que a nova medida pode injetar bilhões na economia dos estados produtores, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná, movimentando cooperativas, usinas, distribuidores e pequenos produtores.
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Além disso, especialistas apontam que a mudança pode contribuir para estabilizar os preços da gasolina, ao reduzir o volume de gasolina fóssil importada e aumentar a oferta interna com combustível nacional.
E o consumo do carro, muda?
Diferença no rendimento é compensada no custo
Outro ponto levantado por consumidores é se a nova mistura afetará o consumo do veículo. O etanol possui uma eficiência energética menor do que a gasolina, o que significa que, teoricamente, um carro pode rodar menos quilômetros por litro.
Porém, como o aumento é de apenas 3 pontos percentuais, o impacto é mínimo e praticamente imperceptível no dia a dia. Além disso, a tendência é que o preço da gasolina misturada com mais etanol se mantenha estável ou até reduza, o que compensaria qualquer pequena variação no consumo.
“A diferença no rendimento é marginal, e muitas vezes o ganho ambiental e econômico supera essa questão”, disse o engenheiro automotivo Paulo Vasconcellos, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Conclusão: mudança segura e vantajosa
Com base nos estudos, testes e na experiência acumulada pelo Brasil no uso de combustíveis alternativos, o aumento do etanol na gasolina para 30% é uma decisão técnica, segura e estratégica.
Motoristas podem ficar tranquilos quanto ao desempenho e à durabilidade dos motores. A medida, além de não trazer prejuízos aos veículos, contribui para um país mais sustentável, menos dependente do petróleo e com mais autonomia energética.
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

