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Produção de etanol vai crescer em 2026, aponta Itaú BBA; veja o que impulsiona o setor

Mistura de etanol na gasolina sobe para 30% e aquece demanda, altera produção nas usinas e pode mudar os preços do biocombustível em 2026.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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A entrada em vigor da nova mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30% em 1º de agosto, tem provocado uma transformação ampla no mercado de combustíveis brasileiro. O acréscimo de apenas três pontos percentuais, embora pareça modesto, está gerando impactos significativos na demanda, na movimentação logística, na pressão sobre a oferta e nas projeções para os preços do biocombustível no curto e médio prazo.

Segundo o relatório “Atualização das Perspectivas 2025/26”, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado já operava com uma procura aquecida nos meses anteriores. Com a nova proporção, o cenário se intensifica, especialmente em regiões onde tradicionalmente a gasolina é mais competitiva que o etanol hidratado na bomba.

Além de estimular a transferência de produto entre estados produtores e consumidores, o aumento da mistura ocorre em um momento em que a oferta de etanol de cana está relativamente restrita — reflexo de um ciclo de produção mais voltado ao açúcar na safra atual. Isso cria uma combinação que deve sustentar preços elevados, sobretudo durante a entressafra entre o fim de 2025 e o primeiro trimestre de 2026.

A seguir, detalhamos como essa mudança regulatória está modificando o comportamento das usinas, acelerando o crescimento do etanol de milho e moldando as tendências para o mercado na safra 2026/27.

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Expansão da demanda e impacto logístico

A mistura de 30% eleva o consumo mesmo em mercados dominados pela gasolina

Um dos principais efeitos do aumento da mistura obrigatória é o aquecimento do consumo de etanol anidro pelas distribuidoras, que precisam adquirir maiores volumes para atender ao novo padrão da gasolina comercializada no país.

Em muitos estados, especialmente no Sul e no Sudeste, a gasolina mantém vantagem competitiva frente ao etanol hidratado — o combustível diretamente utilizado pelos veículos flex. Nessas regiões, o aumento da mistura obrigatória se transforma na principal fonte de expansão da demanda pelo biocombustível.

Impulso para o fluxo interestadual de etanol

O crescimento da demanda reforça a movimentação de etanol entre regiões produtoras, como o Centro-Sul, e regiões consumidoras, como o Nordeste.

Isso gera efeitos colaterais relevantes:

  • aumento da necessidade de transporte rodoviário e ferroviário
  • pressão sobre a estrutura de armazenagem
  • eventual elevação nos custos logísticos

Com a oferta limitada do etanol de cana neste ciclo, essa movimentação deve intensificar ainda mais a pressão sobre os preços no curto prazo.

Usinas de cana mudam o mix e devem priorizar o etanol em 2026/27

A estratégia atual está focada em açúcar

Na safra 2025/26, as usinas do Centro-Sul — que respondem pela maior parte da produção nacional — priorizaram a fabricação de açúcar. O cenário internacional do adoçante apresentou preços atrativos, incentivando o direcionamento da moagem para esse mercado.

O resultado foi uma diminuição proporcional da oferta de etanol, contribuindo para o ambiente de preços firmes observado em 2025.

O Itaú BBA prevê mudança no mix para o próximo ciclo

Apesar dessa estratégia, o Itaú BBA projeta uma alteração significativa para a safra 2026/27. Com maior disponibilidade de cana-de-açúcar prevista, as usinas devem reequilibrar sua produção, direcionando mais matéria-prima para o etanol.

Motivos da mudança:

  • expectativa de preços mais ajustados no mercado internacional de açúcar
  • demanda interna mais forte por etanol
  • necessidade de recuperar estoques
  • ambiente regulatório estimulando o biocombustível

Isso deve resultar em um aumento expressivo da oferta de etanol de cana a partir da nova safra.

Possível efeito sobre o mercado

Com maior disponibilidade, o etanol de cana pode:

  • reduzir a pressão sobre preços na entressafra
  • aumentar a competitividade frente à gasolina
  • estimular a produção de derivados como etanol neutro e industrial

Crescimento acelerado do etanol de milho

Um setor em plena expansão

O relatório do Itaú BBA também destaca a evolução das usinas de etanol de milho, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul. Esse segmento, que já vinha crescendo de forma acelerada, deve alcançar novos recordes nas próximas safras.

Por que o etanol de milho cresce tanto?

O avanço é impulsionado por fatores econômicos e estruturais:

  • margens mais favoráveis que as da cana
  • custos do milho em patamares baixos
  • disponibilidade constante do grão
  • integração com outras cadeias produtivas, como ração animal
  • eficiência tecnológica das novas plantas industriais

Projeções para 2025/26 e 2026/27

Segundo o estudo:

  • A produção de etanol de milho deve atingir 10,1 bilhões de litros em 2025/26.
  • Em 2026/27, o crescimento continua, chegando a 12,2 bilhões de litros.

Esses números consolidam o etanol de milho como uma peça-chave na matriz energética renovável do país, ao lado do etanol de cana.

Vantagens logísticas e ambientais

O biocombustível à base de milho:

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  • reduz a dependência do ciclo agrícola da cana
  • aumenta a estabilidade de oferta ao longo do ano
  • fortalece a diversificação regional da produção
  • contribui com menor pegada de carbono em novas plantas de tecnologia avançada

Oferta combinada e impacto nos preços em 2026/27

A soma da cana e do milho deve alterar o mercado

Com os dois segmentos crescendo simultaneamente, o mercado deve vivenciar uma oferta significativamente maior de etanol durante a safra 2026/27.

Essa expansão tende a reequilibrar a relação entre oferta e demanda, modificando o cenário atual marcado por preços elevados e oferta restrita.

Possível efeito de queda nos preços

O Itaú BBA prevê que, com o volume crescente, o mercado entrará em uma fase mais competitiva, o que pode pressionar os preços para baixo ao longo do ciclo 2026/27.

Essa tendência inclui:

  • estabilização dos preços na bomba
  • maior competitividade do etanol frente à gasolina
  • estímulo ao consumo do biocombustível
  • redução das tensões logísticas por conta de maior disponibilidade

O contraste com 2025/26

Enquanto 2025/26 é um ciclo caracterizado por:

  • oferta apertada
  • preços elevados
  • alta dependência da dinâmica da cana

A previsão para 2026/27 é de:

  • produção abundante
  • maior equilíbrio
  • menor risco de desabastecimento
  • possível redução de volatilidade nos preços

Considerações finais

O aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina acelera uma transformação estrutural no setor de biocombustíveis no Brasil. Movimentando desde o consumo imediato até a estratégia de longo prazo das usinas, a medida acontece em um momento de transição: oferta restrita em 2025/26 e expansão significativa prevista para 2026/27.

Com a entrada mais forte do etanol de milho e a realocação do mix de produção das usinas de cana, o segmento deve vivenciar um ciclo de crescimento e diversificação. A tendência é que o consumidor brasileiro perceba os efeitos diretamente nos preços e na disponibilidade do combustível ao longo dos próximos anos.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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